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Por Manuel Augusto Dias
Freguesia da Aguda (5)

Pelourinho da Aguda
Continuamos a tratar da Paróquia da Aguda, que é uma das freguesias do vizinho concelho de Figueiró dos Vinhos, com 38,47 km² de área e 1 394 habitantes (dos quais 1366 são eleitores, segundo o recenseamento de 2001), com uma densidade populacional de 36,2 hab/km².
A Padroeira da freguesia é Nossa Senhora da Graça, cuja romaria anual tem lugar no dia 15 de Agosto. Do património cultural edificado na sede da Freguesia, o destaque vai para a sua Igreja Matriz e para o Pelourinho (símbolo do poder municipal de outrora) que aparece na foto que hoje se publica. Trata-se de um pequeno monumento em cantaria, constituído por uma coluna que se alarga próximo da base e se apoia num pedestal quadrangular de três degraus sobrepostos que estreitam de baixo para cima. O monumento é rematado pelas armas dos Marqueses de Vila Real que foram Senhores da povoação.
Nesta edição, vamos divulgar mais alguns dados de carácter administrativo, que informam os nossos leitores dos vários senhores nobres a quem a povoação foi doada e que tiveram a responsabilidade da sua superior administração, em troca do pagamento de vários impostos pelos habitantes, como era costume nos tempos antigos.
Servimo-nos como fonte, novamente do jornal leiriense "Leiria Ilustrada", do princípio do século passado (edição de 12 de Março de 1908, página 4).
«A mais antiga noticia que se encontra nos chronicons ácerca da povoação é a carta da doação datada de 10 de fevereiro de 1360, feita por D. Pedro I ao Conde de Vianna D. João Affonso Tello de Menezes.
Em 7 d’Abril de 1434, el-rei D. Duarte concedeu a D. Pedro de Menezes, 2.º Conde de Vianna e 1.º de Villa Real, o direito de nomear alcaides, juízes, tabelliões e mais officios, no logar d’Aguda e em outros visinhos, ratificando-lhe ao mesmo tempo as prorogativas e o domínio anterior.
Taes direitos foram confirmados ou roborados por D. Affonso V ao 3.º Conde e 1.º Marquez de Villa Real, tambem de nome D. Pedro de Menezes, por carta de mercê de 4 de junho de 1451.
D. Manuel deu-lhe foral em 12 de Novembro de 1514.
Em 7 de d’Outubro de 1594 D. Fillipe I ratificou as doações feitas pelos reis D. Sebastião e D. João III ao 5.º Marquez e 1.º Duque de Villa Real, D. Manuel de Menezes e ao 6.º Marquez e 2.º Duque, D. Miguel, ahi foi confirmada ainda expressamente a rébora de 1451.
Por morte e confiscação de bens soffrida em 27 d’Agosto de 1641, contra D. Luiz de Menezes, 7.º Marquez de Villa Real e contra seu filho D. Miguel de Noronha, Duque de Caminha, em virtude da conspiração contra D. João IV, a villa d’Aguda foi incorporada nos bens da corôa, d’onde passou á Casa do Infantado.
Por alvará de 23 de julho de 1656 aquelle monarcha ratificou aos ouvidores d’ella a prerogativa da nomeação dos officios e os outros privilegios das cartas de doação anteriores, assim se conservou até á execução do decreto de 13 d’agosto de 1832.
É certo entretanto que já em 1212 existia a povoação d’Aguda como se vê da "Miscelânia" de Miguel Leitão d’Andrada (1629).
- "Porem D. Sancho Rei 2 de Portugal, lhe tirou uma nesga ao longo do dito rio té o Zenzere, dando alguns pedaços ás villas de Miranda, Aguda, Maçans e ao Avellar pollo dito rio Algia acima.
O corte soffrera-o o termo de Pedrogam Grande».