Conheça a Sua Terra

                                                                                                                                                       Por Manuel Augusto Dias

Freguesia da Aguda (6)

As profissões de há 150 anos atrás

A mercearia era o local para comprar o pouco que não se produzia

Os habitantes da freguesia da Aguda, como os da região, ocupavam-se, na sua maioria, na pastorícia e na agricultura. Havia, no entanto, outras ocupações como as de caçador, moleiro e pescador (estas últimas relacionadas com a utilização da força motriz da água da Ribeira de Alge). Outras profissões com algum destaque, nesta freguesia, na segunda metade do século XIX, são-nos apresentadas pela fonte que temos vindo a usar: o jornal leiriense "Leiria Ilustrada", do princípio do século passado (edição de 12 de Março de 1908).

Aí, citando a Estatística Industrial de 1863, referem-se, para a freguesia da Aguda, há cerca de 150 anos atrás, os seguintes ofícios na e salários em réis:

- 8 alfaiates, cujo salário variava entre os 200 e 240 réis, mas, além deste dinheiro, tinham direito a receberem dos donos das casas onde iam trabalhar, almoço (cerca das 10 horas da manhã), jantar (cerca das 13 horas) e ceia (ao fim do dia de trabalho);

- 3 barbeiros sangradores que recebiam dos seus clientes (por clientes entende-se famílias) pensão anual, que variava de um a dois alqueires de pão;

- 6 carpinteiros, com um salário que variava dos 300 aos 400 réis (são de "obra branca" e de carros, trabalhando alguns de pedreiro;

- 10 faniqueiros, usufruindo de um salário que variava entre os 600 e os 800 réis. Além da "jorna", quando se empregavam ao serviço dos lavradores recebiam, ainda, o jantar ou 120 réis em dinheiro;

- 6 ferreiros que recebiam à peça ou acordavam previamente o preço da tarefa;

- 8 pedreiros, com um salário que variava dos 300 aos 400 réis (alguns acumulavam o seu ofício com o de carpinteiro). Quando o trabalho era à tarefa regulava pelo preço ordinário de alvenaria de 1$500 a 2$000 réis por metro cúbico;

- 8 sapateiros, cujo salário variava entre os 240 e 300 réis, e tal como os alfaiates, além da jorna, tinham direito a receberem dos donos das casas onde iam trabalhar, almoço;

- 1 tecelão; o seu trabalho era por tarefas, variando os preços conforme os tecidos: sendo pano de varas, ordinário, o preço era de 20 a 30 réis por metro corrente do tecido da largura de 45 cm a 47 cm; sendo pano branco destinado a fabricar mantas ordinárias (geralmente cada manta destas tinha pouco mais de 1 kg de peso) o preço era de 20 a 30 réis por metro corrente de tecido; sendo pano para fabricar mantas boas (cada manta com um peso de 3 kg e meio a 5 kg e meio e com comprimento e largura variáveis, conforme a encomenda e que se vendia cada manta de 2$880 a 6$000 réis), o preço era de 150 réis por metro corrente de tecido de linho, da largura de 60 a 66 cm;

- 60 trabalhadores (homens) com vencimento compreendido entre os 200 e os 240 réis;

- 7 tecedeiras que também trabalhavam à tarefa mas auferiam salários bastante mais baixos que o tecelão;

- 27 trabalhadoras (mulheres), com salários que variavam entre os 100 e os 140 réis (esta variação, tal como no caso dos homens tem a ver, sobretudo, com a sazonalidade do trabalho, tempo de sementeiras, colheitas ou tempos intermédios de menor urgência da realização do trabalho).

Neste tempo, na freguesia da Aguda havia ainda 6 bufarinheiros (vendedores ambulantes de bugigangas) e 1 negociante de cereais.

Estabelecimentos comerciais havia na Aguda do século XIX, 2 estancos (lojas de venda de tabaco), 2 lojas de capela, 5 lojas de fancaria e mercearia, 2 padarias, 5 tabernas e venda de vinho, pão e mercearia.

Tinha, também, 44 moinhos movidos a água, 7 teares de linho e 1 de lã, 8 lagares de vinho e 17 alambiques de destilar aguardente de vinho, ameixa e figo.