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Por Manuel Augusto Dias

Freguesia da Aguda (7)

O Engenho da Machuca (1.ª parte)

A força das águas da Ribeira de Alge foi aproveitada como força motriz do Engenho da Machuca

Segundo o jornal leiriense "Leiria Ilustrada", do princípio do século passado, que nos tem servido de fonte para alguns dos artigos que aqui vimos publicando sobre a freguesia da Aguda, a edição de 19 de Março de 1908, acerca da antiga fábrica de ferro da Machuca, que remonta, pelo menos, ao século XVI, escreve:

«Com relação ao engenho da Machuca, que existia n’esta freguezia parece datar do reinado de D. João ou D. Manuel, em que muitas fábricas havia no paiz para fabrico de armas e balas.

Sobre a antiguidade da exploração das minas de ferro n’esta região, não ha duvida, porque na Torre do Tombo, Chancellaria de D. Sebastião e D. Henrique, Doações, liv. 2 fls 252. v. se vê que Ruy Lopes, morador no Espinhal, termo de Penella, contratara-se com o provedor-mór dos metaes, Isidro d’Almeida, para abrir e lavrar uma mina de ferro na Ribeira d’Aja (Alge) proximo da villa de Avellar, terras do marquez de Villa Real.

Emprehendida a obra e gastos n’ella uns trezentos mil réis, requereu Ruy Lopes a el-rei em cumprimento da ordenação, que lhe aforasse o terreno, o que o rei satisfez passando-lhe carta de privilegio a 20 de Julho de 1577.

Na carta dava-se-lhe concessão para explorar o engenho de ferro, com suas tiradas de agua assim da ribeira d’algoia (?) como da ribeira da Derreada, e entradas e sahidas que lhe necessarias forem na maneira em que ha ora tem lhe dar licença que possa tirar e mandar tirar as vejas de ferro nas terras onde as ouver, e fazer o carvão de cepa nos matos maninhos, como se costuma fazer.

O foro foi de dois quintaes de ferro por anno.

Na bibliotheca dos condes de Linhares, está sob o n.º 99 do catalogo dos manuscriptos, a seguinte obra de Antonio da Rocha Barbosa; Memorias das três fabricas de ferro, do Prado, da Machuca e da Foz do Alge.

O engenho da Machuca ficava na freguesia da Aguda, onde ainda ha um Moinho com essa designação».

Também o distinto médico, Dr. António Augusto da Costa Simões, na sua célebre "Topografia Médica das Cinco Vilas e Arega ou dos concelhos de Chão de Couce e Maçãs de D. Maria em 1848" conta, a página 8 e seguintes, a história desta antiga fábrica de ferro, que no seu tempo já se encontrava abandonada:

«Houve no concelho de Maçãs de D. Maria uma fábrica de fundição de ferro, na margem direita da Ribeira de Alge, cousa de duas leguas acima da sua foz, denominada o Engenho da Machuca. Sobre a historia d’esta fabrica, apenas encontrei na citada Corographia Portugueza [Tom. 3, liv. 2, trat. 5, cap. 4. – No termo d’esta Villa (Avellar) ha um engenho Real d’el Rey, aonde se fabrica ferro em barra, de que se fazem pregos e artelharia para as Armadas Reaes] a noticia de que trabalhava no anno de 1712. O mais que pude colher limita-se ao que viram e conservam de tradição as pessoas mais antigas das povoações visinhas, principalmente os dois octogenarios dos Moninhos Fundeiros, Julião Simões e Manuel Simões.

Contam que, por ordem do Marquez de Pombal, em 1760, pouco mais ou menos, foram presos numa noite, ao signal de foguetes, todos os sete mestres fabricantes, que então havia no engenho da Machuca, emnos o fabricante José Lavache, a quem valeu a qualidade de estrangeiro.»

(continua no próximo número)