A propósito da Assembleia Diocesana de Catequistas

Durante este mês de Junho, no dia da Igreja Diocesana que celebramos sempre na solenidade da Santíssima Trindade, a nossa diocese reúne-se em volta dos catequistas e da catequese; está marcada para a Figueira da Foz uma assembleia diocesana de catequistas para a qual todos estão convocados. O tema que a guia é: "Eu vi e dou testemunho" (Jo 1,13) palavras da boca de João Baptista no Evangelho de S. João. É, de facto, essa a condição de todo o catequista e é dela que temos de partir quando pensamos em avaliar o nosso trabalho apostólico.

Não será difícil chegarmos a uma verificação comum da descritianização galopante da nossa sociedade e da cultura do nosso tempo. Essa descristianização é mais fortemente visível nas crianças e nos jovens, apesar de ser evidente também nas gerações imediatamente anteriores. É uma descristianização mais consciente nas crianças e jovens que dizem sinceramente no grupo de catequese que não acreditam em nada e que só andam lá porque os pais mandam, mais subtil e subreptícia nos adultos que mandam os filhos à catequese, é certo, mas que nos valores por que se norteiam no dia a dia se vão afastando cada vez mais do genuinamente cristão por causa duma vida de onde está completamente arredada a oração, a vida sacramental e a vivência comunitária da fé.

A que se deve tudo isto? Os factores são muitos e diversos, a sua referência ultrapassa muito os limites de um texto telegráfico como este. Há pelo menos um factor do qual podemos falar com algum conhecimento; somos nós, os baptizados em cuja vida Jesus ainda tem algum lugar relevante no quotidiano. Que consciência temos de ter visto alguma coisa que seja decisiva para nós e relevante para os outros? Se sim, damos testemunho?

Evidentemente, não são só os catequistas que têm de dar testemunho e, por isso, ainda não me referi exclusivamente a eles. Mas seja-me permitido, então, algumas palavras dirigidas a eles. O catequista recebe da Igreja a missão de ajudar à transmissão da fé de forma a que o jovem chegue àquela maturidade que vem do conhecimento e adesão sistemáticos e não parcelar da mesma fé. O catequista há-de procurar também uma unidade de vida em torno da sua fé, ter consciência que também ele pode ser tentado a seccionar a sua relação com Deus e a escolher e assumir nela só o que é mais agradável ou apetece. Isso evita-se unicamente através de uma vida de oração e sacramental regular. Oração e sacramentos, ambos nos conduzem, a cada um de nós, ao encontro pessoal com Cristo através da Igreja, porque só nela e por ela esse encontro é genuíno. Quando isso acontece, vamos de facto dar testemunho d’Ele e, factor também decisivo, viver as mesmas motivações do próprio Cristo e dos grandes catequistas da história que mais de perto o imitaram. S. Paulo é, talvez, o maior, do qual retiro estas palavras aos anciãos de Éfeso nos Actos dos Apóstolos: "Servi o Senhor com toda a humildade, com lágrimas e no meio de provações… Em nada que vos pudesse ser útil me furtei a pregar-vos e a instruir-vos, publicamente e de casa em casa. (…) Mas por título nenhum eu dou valor à vida, contanto que leve a bom termo a minha carreira e a missão que recebi do Senhor Jesus: dar testemunho do Evangelho da graça de Deus. (…) Por isso posso garantir-vos, hoje, que não me sinto responsável pela perda de nenhum de vós, pois não me furtei a anunciar-vos todo o desígnio de Deus a vosso respeito." (Act 20, 17-27)

Atingíssemos nós esta dimensão e, certamente, não obteríamos aquela conversão em massa que infantilmente imaginamos, mas sim, certamente, uma Igreja mais sincera, mais genuína e, por isso, semente mais fecunda do Reino dos Céus.

                                                                                                                                                                                                     Pe Pedro Miranda