Carta Pastoral da Conferência Episcopal

 

“Jesus Cristo, Nosso Salvador e Senhor”

 

 

I. Introdução

 

Preparação do Grande Jubileu do Ano 2000

 

1. Esta Carta Pastoral sobre Jesus Cristo Nosso Salvador e Senhor insere-se na preparação próxima do Grande Jubileu do Ano 2000, anunciado por João Paulo II, logo no início do seu pontificado (1).

Ao aproximar-se o fim do século e o início de um novo milénio, o Papa dirigiu à Igreja a carta apostólica “Tertio millenio Adveniente” em que sublinha o sentido dos jubileus na História da Salvação e marca o ritmo da preparação deste jubileu especial, sugerindo que o ano de 1997 seja dedicado “à reflexão sobre Cristo, Verbo do Pai, feito homem por obra do Espírito Santo”, para acentuar, logo na sua preparação, o carácter cristocêntrico do Jubileu (2).

A preparação deste e a sua celebração, para atingirem todo o Povo de Deus, devem envolver as diversas Igrejas particulares, enquadrando as suas próprias datas jubilares e adaptando ao ritmo de cada uma, através dos seus programas de pastoral, os grandes temas catequéticos do Jubileu (3). É pois, para ajudar as nossas dioceses a inserirem-se no ritmo jubilar, que publicamos este texto, com elementos para a catequese sobre Jesus Cristo.

 

Jesus Cristo no centro das celebrações jubilares

 

2. O Papa João Paulo II propõe à Igreja que o Jubileu do ano 2000, quer na sua preparação remota e próxima, quer na sua celebração, seja “inteiramente orientado para a celebração do mistério de Cristo Salvador” (4).

Todos os jubileus, mesmo os do Antigo Testamento, celebram a plenitude da salvação, atingida em Jesus Cristo. Eles são um tempo de graça, em que a Igreja e cada cristão são chamados a saborear e a viver o dom da salvação, em todas as suas concretizações e consequências. O profeta Isaías considera a vinda de Cristo como o grande jubileu: “O Espírito do Senhor está sobre Mim, porque Me ungiu, para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-Me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, o recobrar da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano de graça do Senhor” (Is. 61, 1-2). Jesus Cristo, ao ler esta passagem do profeta na Sinagoga de Nazaré, concluiu: “Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura que acabais de ouvir” (Lc. 4, 21) (5).

Este ano de graça é a celebração, no tempo, do dom da salvação, inaugurado pelo Filho de Deus feito homem. É proclamado, antes de mais, para os cristãos que, pela fé e pelos sacramentos, já experimentaram o dom da salvação. São chamados, durante ele, a abrir-se a esse dom, avivando a fé, a esperança e a caridade, a reviver o seu baptismo e a celebrar os outros sacramentos, a cultivar a relação de confiança e de amor com o Senhor Jesus, a praticar a justiça e a caridade para com os irmãos, de modo particular os pobres, os marginalizados, os perseguidos. A doutrina social da Igreja deverá guiar-nos no nosso esforço de viver o ano jubilar (6).

Proclamado para a Igreja como o ano da graça, o Jubileu é também proposta e anúncio a todos os homens e ao mundo contemporâneo. Todos os que, por qualquer forma, buscam a salvação, deveriam poder acolher o anúncio de Jesus Cristo Salvador, através do testemunho e do anúncio dos cristãos. O Jubileu será, também, para a Igreja, um ano de evangelização.

 

3. O Santo Padre propõe a toda a Igreja que, durante o próximo ano de 1997, se concentre sobre “Jesus Cristo, único Salvador do mundo, ontem, hoje e sempre”. O Papa retoma a opção primeira do seu pontificado, a que quis marcar, desde o início, o ritmo jubilar e cristocêntrico: “Para nós, a única orientação do espírito, a única direcção da inteligência, da vontade e do coração, é esta: na direcção de Cristo, Redentor do Homem; na direcção de Cristo, Redentor do mundo”. Para Ele queremos olhar, porque só n’Ele, Filho de Deus, está a salvação, renovando a afirmação de Pedro: Para quem iremos nós, Senhor? Tu tens as palavras de vida eterna (Jo. 6, 68 ss.).

Através da consciência da Igreja, tão desenvolvida pelo Concílio, através de todos os graus desta consciência, através de todos os campos de actividade onde a Igreja se afirma presente, se encontra e se consolida, devemos tender constantemente para Aquele que é a cabeça, para Aquele de quem tudo provem e para quem n ós fomos criados, para Aquele que é, ao mesmo tempo, o caminho e a verdade, a ressurreição e a vida, para Aquele ao ver o Qual, vemos o Pai, para Aquele, enfim que devia ir, deixando-nos (...) para que o Consolador viesse a nós e continue a vir constantemente como Espírito da Verdade. N’Ele estão todos os tesouros da sabedoria e da ciência e a Igreja é o seu Corpo. A Igreja, em Cristo, é como que um sacramento ou sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano; e disto é Ele a fonte. Ele mesmo! Ele, o Redentor!” (7).

 

Destinatários e perspectiva da Carta Pastoral

 

4. Dirigimo-nos, antes de mais, aos crentes, membros das comunidades cristãs, propondo-lhes um encontro mais profundo e um conhecimento mais completo de Jesus Cristo, único Redentor do homem, nosso Senhor e nosso Deus. Não esquecemos que é urgente anunciar Jesus Cristo àqueles que ainda O não encontraram. Mas, na medida em que os cristãos conhecerem e amarem mais Jesus Cristo, anunciá-Lo-ão com maior ardor.

Teremos como perspectiva a experiência da Igreja Apostólica, cuja fé é aceitação da ressurreição do Senhor, no encontro pascal com o Ressuscitado. Conduzida pelo Espírito Santo, dom pascal por excelência, compreende mais profundamente o nascimento, a vida e a morte de Jesus de Nazaré, e descobre que a plenitude de vida inaugurada, para nós, na ressurreição, continua e prolonga-se na vida cristã, numa Igreja que é Corpo de Cristo e, conduzida pelo Espírito Santo, aspira à santidade.

Teremos, assim, como pano de fundo, a doutrina neo-testamentária sobre Cristo e a vida em Cristo. Dada a sua densidade, é aconselhável que a leitura deste texto seja acompanhada de pistas catequéticas, de modo particular para o seu estudo em grupo.

 

 

II. Jesus Cristo nosso Salvador e Redentor

 

5. A compreensão de Jesus Cristo e o aprofundamento da sua relação vital e amorosa com cada homem, tem de situar-se no contexto das relações de Deus com o homem: Deus que o criou, que o salvou, que o atrai para a plenitude da vida.

Presente no acto criador, enquanto Verbo eterno de Deus, – “Ele é a imagem do Deus invisível, primogénito de toda a criatura, porque n’Ele foram criadas todas as coisas” (Col. 1, 15-16) – na sua encarnação, é enviado como nosso salvador, reconduzindo o homem, enfraquecido pelo pecado, à plenitude da vida.

O conceito de salvação já não é muito familiar aos nossos contemporâneos. Teremos em conta vários aspectos do problema: o que é a salvação; a necessidade da salvação; quem é o salvador do homem.

 

O que é a salvação

 

6. O Santo Padre Paulo VI, ao definir o conceito de salvação que deve ser anunciada pela Igreja, diz: “Como núcleo e centro da sua Boa-Nova, Cristo anuncia a salvação, esse grande dom de Deus que é libertação de tudo aquilo que oprime o homem, sobretudo do pecado e do maligno, na alegria de conhecer a Deus e de ser por Ele conhecido, de O ver e de se entregar a Ele”.

Define a natureza da salvação, cuja razão de ser é permitir ao homem tornar-se íntimo de Deus e traça-lhe o percurso: anunciada pelos profetas, iniciada na vida terrena de Jesus, definitivamente realizada na Páscoa – na morte e ressurreição de Cristo – é continuada pelo Espírito Santo, na Igreja, até à sua plenitude, aquando da última vinda do Senhor (8).

 

Sentir a necessidade da salvação

 

7. O anúncio da salvação tem de aparecer como resposta a um problema sentido pelo homem. O acolhimento deste anúncio libertador é dificultado pelo facto de muitos dos nossos contemporâneos não sentirem necessidade de salvação.

O ambiente cultural em que vivemos foi marcado por uma excessiva exaltação do homem. Não é que, na consciência colectiva da Humanidade, não se sintam os perigos e as ameaças que pesam sobre muitos homens, porventura sobre a Humanidade inteira: a ameaça da guerra e da destruição colectiva; a subversão da harmonia da natureza e a poluição do ambiente; o desemprego; a pobreza, fruto de desequilíbrio dos sistemas económicos; a solidão e a instabilidade nas relações afectivas, etc.

Sente-se menos a ameaça da perversão do coração e da banalização da consciência. Ora, segundo a revelação cristã, essa é a primeira das alienações de que o homem precisa de ser salvo. “Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores” (1Tim. 1, 15).

O anúncio da salvação tem de despertar, no coração dos homens, a consciência da sua necessidade, pois só saboreia o dom inestimável de Deus, que é a salvação em Jesus Cristo, quem sente necessidade dela e a deseja.

 

De quem esperamos a salvação

 

8. Além de terem uma consciência incompleta da natureza dos males de que precisam de ser libertos, muitos homens esperam hoje a libertação apenas do esforço humano. O próprio ideal de vida e de felicidade fica reduzido àquilo que o homem é capaz de realizar, quando só Deus, em Jesus Cristo, pode reconstruir o nosso coração, enfraquecido pelo pecado, abrindo-o à plenitude da vida.

O homem pode contribuir para a libertação dos seus irmãos dos males sociais que os oprimem. Mas isso supõe que o seu coração esteja liberto e capaz de amar. E libertar o coração, só Deus o pode fazer, em Jesus Cristo.

Desejar e abrir-se à salvação supõe a humildade de reconhecer, na fé, que só em Deus e com a força de Deus, o homem atinge a plenitude da vida. E Deus realiza em nós essa obra de “nova criação”, por seu Filho Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Enquanto homem, Ele é o modelo do homem perfeito e definitivo e a fonte de toda a plenitude humana. “Cristo, Redentor do mundo, é Aquele que penetrou, de uma maneira particular e irrepetível, no mistério do homem e no seu coração”. Ele uniu-se, de uma forma definitiva, a todos os homens e a cada homem em particular (9). E, como já afirmara o Concílio Vaticano II, “só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente o mistério do homem” (10).

É esta relação decisiva com Jesus Cristo que muitos dos nossos contemporâneos esqueceram.

 

Pela Redenção, Deus adquire para Si um Povo

 

9. Nosso Senhor Jesus Cristo salva-nos, redimindo-nos. A redenção é um resgate, uma aquisição, uma compra com uma intenção amorosa. Deus resgata o seu Povo para o unir a Si, no mistério da Aliança. Liberta-nos para nos adquirir. O Povo redimido passa a ser propriedade de Deus. “Ou acaso não sabeis que o vosso corpo é um templo do Espírito Santo que está em vós e que vós recebeis de Deus? E que não vos pertenceis a vós mesmos? Fostes pura e simplesmente comprados. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (1 Cor. 6,19-20).

Este resgate, para nos adquirir, é uma compra cara: exigiu a entrega do próprio Filho de Deus à morte. De facto Jesus “não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgaste pela multidão” (Mt. 20,28). Um tal preço só se justifica pelo objectivo a atingir por Deus, no Seu amor misericordioso e eterno: ter um povo que lhe pertença e partilhe com Ele o Amor e a Vida. “Jesus Cristo, entregou-se por nós, a fim de nos resgatar de toda a iniquidade e de purificar um povo que seja propriedade sua e procure praticar o bem (Tit. 2, 14).

A Igreja é, assim, o Povo que Jesus Cristo adquiriu, resgatando-o, para a glória de Deus Pai: “Vós sois uma raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo resgatado, para anunciar o louvor d’Aquele que vos chamou das trevas à sua luz admirável” (1 Ped. 2, 9).

 

10. Que Jesus Cristo ressuscitado é o nosso Salvador e Redentor, faz parte do anúncio pascal dos apóstolos, à luz do Espírito Santo. Pela ressurreição, Deus estabeleceu Jesus como cabeça e salvador (Act. 5,31). A fé em Jesus ressuscitado dá à Igreja apostólica a experiência libertadora de se sentir salva; Deus considera-a, de tal modo, coisa sua, que a uniu para todo o sempre a Jesus Cristo, identificando-a com o seu corpo.

É a fé em Jesus ressuscitado que leva os apóstolos a mergulhar no mistério da Redenção. “Bendito seja Deus, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo: na sua grande misericórdia, regenerou-nos pela ressurreição de Jesus Cristo de entre os mortos, para uma esperança viva, para uma herança isenta de corrupção, que não pode contaminar-se, nem murchar, e que vos está reservada nos céus, a vós que o poder de Deus guarda, pela fé, para a salvação que está para se manifestar, nos últimos tempos” (1 Ped. 1,3).

A fé pascal é o ponto de partida de toda a experiência cristã. Só conduzidos pelo Espírito Santo, os apóstolos integram numa unidade com a ressurreição, não apenas a morte de Cristo, que faz parte da Páscoa de Jesus, mas toda a vida de Jesus e o Antigo Testamento (cf. Fil. 2,6-13).

 

A fé é o princípio da salvação

 

11. A fé em Jesus ressuscitado introduz o homem na salvação. O carcereiro pergunta a Paulo: “Senhor, que tenho de fazer para ser salvo? Ele respondeu-lhe: crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e os teus” (Act. 16,30). A fé é um encontro e uma opção por Jesus ressuscitado, que leva o crente a abandonar-se a Ele numa confiança sem limites, que o introduz na experiência da salvação. Quem acredita, entrega a sua vida a Jesus Cristo e não cessará de proclamar e confessar essa fé; essa confissão de fé é o anúncio da salvação. “Se os teus lábios confessam que Jesus é Senhor e se o teu coração acredita que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo. Porque a fé do coração obtém a justiça e a confissão com os lábios, a salvação” (Rom. 10,9-10).

 

12. A fé tem, assim, duas dimensões: a proclamação pública de Jesus ressuscitado, que é testemunho da salvação, e a fé do coração. Enquanto encontro pessoal com Cristo, a fé é uma atitude de confiança e de amor à pessoa de Jesus, que nos conduzirá ao Pai e nos introduzirá na intimidade da Santíssima Trindade.

É esta confiança da fé que leva o cristão a acolher a salvação como um dom de Deus, “que amou de tal maneira o mundo, que lhe deu o seu Filho único, para que todo o homem que acredita n’Ele, não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3,16), e uma expressão do amor infinito de Cristo por cada um de nós. “Nisto conhecemos o Amor: Ele deu a sua vida por nós” (1 Jo. 3,16).

É ao mergulhar no amor de Cristo que nos redimiu que percebemos que o amor salvífico de Deus é um amor misericordioso e gratuito. Deus “salvou-nos e chamou-nos com o seu santo chamamento, não em consideração das nossas obras, mas segundo o seu próprio desígnio e a sua graça” (2 Tim. 1,9). O amor misericordioso de Deus é um amor benevolente e gratuito, de um Deus que não está à espera de nos poder premiar pelo nosso esforço, mas se contenta com a abertura do nosso coração ao seu amor, na confiança da nossa fé.

 

 

III. O Encontro com Jesus Cristo

 

13. A fé estabelece uma relação pessoal com o Senhor Jesus; o crescimento da fé consiste no fortalecer desta relação, conhecendo cada vez mais profundamente a pessoa de Cristo, até à experiência de união com Ele, no amor. Como toda a relação entre pessoas, o encontro com Cristo começa numa atracção mútua. A atracção de Jesus Cristo por nós brota do próprio mistério da Encarnação. O Verbo fez-se Homem para se unir a nós de modo a que, unidos a Ele, tenhamos a mesma experiência da glória de Deus, no seio da Trindade. “Pai Santo, guarda no Teu nome aqueles que Me deste, para que eles sejam um como Nós (...) Eu neles e Tu em Mim, para que eles sejam perfeitamente um (...). Pai, aqueles que Me deste, quero que onde Eu estiver, eles estejam também comigo, para contemplarem a Tua Glória” (Jo. 17, 11. 23-24).

A nossa atracção por Jesus Cristo é obra de Deus no íntimo do nosso coração. O primeiro movimento que nos leva a Jesus Cristo parte da SS.Trindade: do Pai, no Espírito Santo. “Ninguém vem a Mim se o Pai não o atrair; Eu ressuscitá-lo-ei no último dia” (Jo .6, 44). A vida da fé passa por essa atracção, que pode ser tão forte, que parece voragem, para nos unirmos cada vez mais, conhecermos cada vez melhor, até sentirmos a experiência do amor mútuo. Desse mistério, S. Paulo dá-nos o seu testemunho pessoal: “Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada? Mas, em tudo isto, somos nós mais que vencedores por Aquele que nos amou. É que eu estou persuadido que nem a morte, nem a vida, nem os Anjos, nem os Principados, nem o presente, nem o futuro, nem as Potestades, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderão separar-nos do amor de Deus, manifestado em Cristo Jesus, Senhor nosso” (Rom. 8, 35. 37-39).

É esta atracção mútua que está na origem do discipulado. O discípulo é aquele que se deixou atrair pelo Senhor e O segue, numa confiança sem limites.

 

Reconhecer o Senhor

 

14. O discípulo de Cristo, seguindo-O na confiança e no amor, vai sendo sucessivamente surpreendido pela revelação, cada vez mais profunda, que o Senhor lhe faz do seu mistério. Um primeiro conhecimento de Cristo vai dar lugar a um “reconhecimento” contínuo, que surpreende e acentua a atracção primeira. O próprio Jesus, durante a sua missão apostólica, abre os discípulos para essa necessidade de um reconhecimento profundo. Que dizem as pessoas acerca do Filho do Homem? “E quem dizeis vós que Eu sou?” Responde Simão Pedro: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Há uma grande diferença entre o que se dizia de Jesus e a fé de Pedro, que Jesus atribui a uma revelação do Pai (Mt. 16, 13-20). É que “ninguém conhece o Filho, a não ser o Pai” (Mt. 11, 27). O conhecimento profundo de Jesus Cristo é sempre um dom de Deus: do Pai, no Espírito Santo.

Na vida dos primeiros discípulos há um momento em que o novo reconhecimento de Jesus significa quase uma ruptura com o conhecimento passado: o encontro com Jesus ressuscitado. Os discípulos de Emaús confundem-No com um viandante (Lc. 24,13ss.); Maria Madalena confunde-O com o jardineiro (Jo. 20, 11-18); os Apóstolos confundem-No com um espírito (Lc. 24, 36-37). Reconhecer o Ressuscitado é uma nova etapa da fé, o verdadeiro ponto de partida da fé da Igreja. Quem tiver um conhecimento apenas do Jesus histórico e nunca se tiver encontrado com Jesus ressuscitado, nunca perceberá a fé da Igreja e a relação desta com Jesus Cristo. Para Paulo é claro que não acreditar no Ressuscitado é acreditar em vão (1 Cor. 15,14).

Este é um problema de todos os tempos; é, no nosso tempo, um problema de grandes dimensões, a desafiar os caminhos e a qualidade da evangelização. A fé que nos introduz na salvação não pode assentar num conhecimento de Jesus Cristo baseado no “ouvir dizer”; tem de basear-se num encontro pessoal com Jesus glorioso.

Muitos se interessam, hoje, pela figura histórica de Jesus: literatos, artistas, o cidadão comum. Mas esse interesse e esse conhecimento dificilmente desabrocharão na fé da Igreja. Devemos, igualmente, interrogar-nos em que medida muitos cristãos não têm de Jesus Cristo esse conhecimento por ouvir falar, sem nunca terem tido a sua “estrada de Damasco”; isto é, sem terem feito a experiência do encontro com Jesus ressuscitado. Esta questão tem de estar no centro da preparação do Jubileu.

 

Reconhecer Jesus Cristo como nosso Senhor e nosso Deus

 

15. Muitos dos discípulos, a quem Jesus apareceu depois da ressurreição, ao reconhecerem-No, exclamam: é o Senhor! Quando, no lago de Tiberíades, Jesus realiza, de novo, perante os apóstolos, o sinal da pesca miraculosa, “o discípulo que Jesus amava diz a Pedro: é o Senhor” (Jo. 21, 7). Tomé, quando Jesus volta a aparecer-lhe, depois da sua incredulidade, exclama: “Meu Senhor e meu Deus” (Jo. 20, 27). Saulo, na estrada de Damasco, quando a luz do Ressuscitado o envolve, pergunta: “Quem és Tu, Senhor”? (Act. 9, 5).

Esta era a designação de Deus a que os judeus de cultura grega, depois que a primeira tradução da Bíblia em grego, chamada dos LXX (11), ousou traduzir o nome divino por Senhor, estavam habituados e torna-se, no Novo Testamento, na mais bela afirmação da divindade de Jesus. A senhoria de Cristo significa a sua exaltação à Glória divina, no seio da Trindade e é obra do amor de Deus seu Pai, como resposta fiel à sua fidelidade na obediência. “Deus exaltou-O e deu-lhe o nome que está acima de todo o nome, para que tudo, ao nome de Jesus se prostre, no mais alto dos Céus, na terra e nos infernos e que toda a língua proclame, acerca de Jesus Cristo, que Ele é Senhor, para Glória de Deus Pai” (Fil. 2, 8-11).

A partir da Ressurreição, a fé na divindade de Jesus Cristo tornou-se a base da fé da Igreja. Não admira, pois, que a primeira fórmula da confissão da fé da Igreja, fosse: “Cristo é Senhor” ou “Jesus é Senhor”. A aceitação da divindade de Jesus Cristo tornou-se o grande salto que nos faz passar da consideração da figura histórica de Cristo para a fé da Igreja, que reconhece n’Ele o Filho de Deus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, e por isso, essa fé é atribuida à acção do Espírito Santo no coração do crente. “Ninguém pode dizer “Jesus é Senhor”, a não ser pela acção do Espírito Santo” (1 Cor. 12, 13).

A Igreja apostólica debate-se com a utilização deste título de Senhor para designar outros deuses e até a pessoa do Imperador Romano que quer fazer-se passar por deus. A profissão de fé dos cristãos na senhoria de Jesus Cristo provoca, por vezes, rupturas culturais e até políticas e sociais e não foi, certamente, indiferente na primeira perseguição aos cristãos. É uma confissão de fé corajosa, como o é, no mundo de hoje, a confissão de fé da Igreja e dos cristãos na divindade de Jesus Cristo. S. Paulo refere esse contexto cultural da primeira confissão de fé dos cristãos: “Embora haja, quer no Céu, quer na terra, pretensos deuses – e de facto há uma quantidade de deuses e senhores – para nós há um só Deus, o Pai, de quem tudo provém e para quem fomos feitos; e um só Senhor, Jesus Cristo, por quem tudo existe e para quem nós somos” (1 Cor. 8, 3-6).

A designação “Senhor” evoca uma relação de amor e de vida. É meu Senhor aquele que me ama, de quem recebo vida e alento, a quem me entreguei totalmente, na confiança e na esperança. Perante um tal Senhor, sentimo-nos amados e protegidos, sabemos que recebemos d’Ele a força para nos abandonarmos a Ele, no amor.

 

A Igreja participa da plenitude de Cristo ressuscitado

 

16. Nosso Senhor, Ele é Senhor da Igreja, que recebe continuamente d’Ele a plenitude da vida. Cristo ama a Igreja como uma esposa; esta que é o seu corpo, abandona-se ao seu Senhor e Chefe, de quem recebe a vida e a salvação. “Cristo amou a Igreja, entregou-se por Ela, a fim de a santificar, purificando-a pelo banho de água que uma palavra acompanha, pois Ele quis apresentá-la a Si mesmo, toda esplendorosa, sem mancha nem nada que se pareça, mas santa e imaculada” (Ef. 5, 24. 26-27).

Esta glória divina do Senhor ressuscitado, deu-Lhe o poder de Deus para nos salvar e encher a sua Igreja da plenitude da vida nova, que brotando do mistério de Deus, a enche dessa plenitude e desse poder, tornando-a, a ela própria, capaz de comunicar a vida e a salvação.

A omnipotência divina, manifestada na ressurreição de Jesus Cristo, enche-O a Ele de poder e de glória que, como sua cabeça, comunica à Igreja, que é o seu corpo. Está aí o fundamento da nossa esperança (cf. Ef. 1, 17-23).

O hábito de chamar a Jesus Cristo “Nosso Senhor” é das expressões mais belas da linguagem cristã. Levar os cristãos a perceberem a riqueza desta designação pode ser, durante o Jubileu, um caminho de evangelização.

 

Reconhecer Jesus Cristo, na sacramentalidade da Igreja

 

17. O caminho normal para os cristãos reconhecerem, num encontro pessoal, o Senhor ressuscitado, é a Igreja, sacramento universal de salvação. Sacramento significa sinal, através do qual, pela graça do Espírito Santo, os crentes estabelecem comunhão com Cristo. Na Igreja, toda a sua realidade é sinal, mas são-no, de um modo particular, a Palavra e os sete sinais sacramentais. Neles e através deles, celebrados com fé, os cristãos unem-se a Cristo e recebem a sua força, nas diversas circunstâncias da vida.

Há, pois, uma união muito íntima e vital entre Cristo Ressuscitado e a Igreja. O Novo Testamento exprimiu esta união misteriosa em três categorias: a da identificação – a Igreja é o Corpo de Cristo; a da comunhão esponsal – Cristo ama a Igreja como uma esposa; a da dependência vital – Cristo é a cabeça da Igreja (12). Devido a esta união, é na Igreja e pela Igreja que os cristãos reconhecem, na fé e na caridade, o Senhor ressuscitado.

É hoje frequente encontrar pessoas, mesmo cristãs, que separam Cristo da Igreja. Afirmam-se admiradores, porventura seguidores, de Jesus Cristo, mas nada querem com a Igreja. Isso só é possível quando esse Cristo, de que se dizem seguidores, não é o Senhor ressuscitado, revestido de glória e do poder divino, pois Este só O podemos reconhecer na Igreja.

Já o Santo Padre Paulo VI denunciou esta dicotomia: “Convém recordar aqui, de passagem, momentos em que acontece nós ouvirmos, não sem mágoa, algumas pessoas - estamos em crer que bem intencionadas, mas com certeza desorientadas no seu espírito - a repetir que pretendem amar a Cristo, mas sem a Igreja, ouvir a Cristo mas não à Igreja, ser de Cristo mas fora da Igreja. O absurdo de uma semelhante dicotomia aparece com nitidez nesta palavra do Evangelho: “Quem vos rejeita é a Mim que rejeita”. Se Cristo “amou a Igreja e Se entregou a Si mesmo por ela” (Ef. 5, 25), como tentar separá-los? (13).

 

Reconhecer o Senhor na Palavra da Igreja

 

18. Nosso Senhor Jesus Cristo é a Palavra eterna de Deus, transformada, na Encarnação, em palavra humana. “Aquele que é a Palavra fez-se homem e veio morar no meio de nós, cheio de amor e de verdade” (Jo. 1, 14).

Todos nós sabemos que a palavra, dita com amor, é a que toca o coração e o ilumina. Porque o amor é a verdade. É na experiência do amor de Jesus Cristo que O reconhecemos como Palavra que interpela à mudança do coração. A sua Palavra é uma mensagem divina, transmite-nos o amor do Pai. Ele comunica-nos o que ouviu de seu Pai (Jo. 8, 28; 12, 50) e por isso as suas palavras são espírito e vida (Jo. 6, 63).

A Palavra de Jesus acolhe-se numa relação de fé e de amor, convida-nos a segui-lO. A própria Palavra estabelece uma relação com Ele e conduz a um conhecimento cada vez mais profundo.

A maneira normal de os cristãos escutarem a Palavra do Senhor e se encontrarem com Aquele, que é a Palavra de Deus, é escutar e acolher a palavra da Igreja. Antes de mais, a palavra da Igreja apostólica, inspirada pelo Espírito Santo e perpetuada no Novo Testamento. Ela é o ponto de partida de toda a palavra da Igreja. Ao longo dos séculos, a Igreja, corpo de Cristo, prolonga o seu ministério da Palavra, inspirada pelo Espírito Santo no dom da infalibilidade. Nunca se pode pôr em questão, em nome do Novo Testamento, a palavra do Magistério da Igreja.

Através da Palavra, Cristo convida-nos a uma adesão da inteligência e do coração. Na parábola do semeador, Jesus dá-nos a entender que todos ouviram a Palavra, mas só alguns a fizeram frutificar (Mt. 11, 23). Nestes ela é uma força de salvação, que os leva a praticar as obras do Reino e a crescer na intimidade com o Senhor.

Todos os que foram chamados ao ministério da Palavra, devem contar-se entre aqueles que a acolhem no seu coração, para a poderem proclamar aos outros como anúncio poderoso e eficaz do amor com que Deus nos ama.

 

Reconhecer o Senhor no Baptismo

 

19. Todos os sacramentos são acções da Igreja, possíveis por ela estar revestida da plenitude de Cristo. Por meio deles o Espírito Santo realiza no cristão a sua identificação com o Senhor e permite-lhe conhecê-lO e amá-lO cada vez melhor.

O Baptismo é o grande momento de encontro do crente com o Senhor ressuscitado, primeira expressão radical da redenção, de libertação do nosso pecado, momento em que Deus nos resgata para nos adquirir como membros do Corpo de Jesus Cristo, para constituir um novo Povo que Lhe pertença de uma maneira definitiva. A libertação do pecado dá, então, lugar à possibilidade de vivermos n’Ele. “Ou acaso ignorais que, baptizados em Cristo Jesus, foi na sua morte que todos fomos baptizados? Fomos, pois, sepultados com Ele, pelo Baptismo, na morte, para que, tal como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, assim nós vivamos uma vida nova” (Rom. 6, 3-4).

O Baptismo é um sacramento administrado aos crentes ou, no caso das crianças, pedido pelos crentes, pois supõe a fé pessoal, como participação na fé da Igreja. Mas ele radicaliza essa fé, tornando-a experiência de união e intimidade com o Senhor vivo. Toda a catequese preparatória do Baptismo, ou da Confirmação e da Eucaristia, no caso dos cristãos baptizados em criança, deve procurar, acima de tudo, este encontro pessoal com o Senhor ressuscitado, em ordem a despertar a fé e o amor e a fazer a experiência da salvação. Compreende-se que o Santo Padre, neste ano pré-jubilar dedicado a Jesus Cristo, aconselhe os cristãos a consciencializar e reviver toda a riqueza do seu Baptismo, como fundamento da existência cristã, segundo as palavras do Apóstolo: “Vós que fostes baptizados em Cristo, revestiste-vos de Cristo” (Gal. 3, 27).

 

A Eucaristia, lugar privilegiado do reconhecimento do Senhor

 

20. No Baptismo e na Confirmação, o crente, ao mergulhar na morte e ressurreição do Senhor e ao unir-se a Ele, é revestido de uma dignidade real e sacerdotal que lhe permite agir com Cristo no acto definitivo da Sua missão redentora: oferecer a Deus Pai o sacrifício de louvor perfeito e definitivo, em que Ele e nós com Ele somos o sacerdote oferente e a vítima oferecida. A Eucaristia corporiza a mais realística forma de o Senhor Ressuscitado estar presente e actuante na Igreja. E aí nós não somos apenas espectadores beneficiários, mas somos agentes do mistério da nossa Redenção. Por isso, a Eucaristia supõe necessariamente o encontro dinâmico e progressivo dos cristãos com o seu Senhor, que culmina, de cada vez, numa comunhão vital e em oferta de louvor à Santíssima Trindade.

Aos apóstolos e outros discípulos o Senhor ressuscitado apareceu miraculosamente; a Paulo, envolveu-o na sua luz divina e falou-lhe, na estrada de Damasco; aos cristãos, reunidos em Igreja, revela-se-lhes na Eucaristia. Aí O reconhecemos como sacerdote, escolhido de entre os homens, para oferecer a Deus o sacrifício de louvor, em que nós oferecemos e nos oferecemos com Ele, tornando-nos dignos de Deus. Percebemos, então, como o céu e a terra se tocam, num acto de amor trinitário, expresso também pela Humanidade redimida. Encontramos o Senhor na sua piedade e fidelidade filiais e participamos nelas.

Ao oferecermo-nos com Ele, tocamos o dom de Deus em nós, o dom da salvação, que nos torna hóstia pura de louvor. Aprendemos a humildade e a confiança para nos oferecermos, sendo ainda pecadores. Perdemos o medo de Deus. Ao participarmos no sacrifício oferecido por toda a humanidade, descobrimos a nossa solidariedade salvífica com todos os homens.

É na Eucaristia que encontramos o Senhor vivo, unidos a Ele num acto de amor redentor. É aí que Ele nos atrai de novo, nos convida para uma união com Ele, culminada na comunhão do seu Corpo de amor; é aí que O adoramos como nosso Deus, e aceitamos participar com Ele na missão salvífica, que continua actual e actuante, na Igreja. Na Eucaristia eu descubro a relação de Cristo com a Igreja e a minha união e compromisso com Ele e com a Igreja.

 

Na Eucaristia reconhecemos Cristo como Palavra eterna de Deus

 

21. A comunicação da Palavra viva de Deus esteve, no Povo da Aliança, ligada ao carisma profético. O profeta era um íntimo de Deus, alguém que Deus possuia para o fazer escutar, no seu íntimo, a Palavra do Senhor; assim, o profeta ousava falar em nome de Deus.

Jesus é considerado pelos seus contemporâneos um grande profeta. “Mostrou-se como profeta poderoso em obras e em palavras, diante de Deus e diante de todo o Povo” (Lc 24,19). Ele é um íntimo de Deus, é o Filho de Deus, intimidade que o Pai confirma: “Este é o Meu Filho muito amado, em quem ponho o meu enlevo; escutai-O” (Mt. 17, 5). Jesus, por sua vez, pode testemunhar que a sua união com o Pai é tal, que se limita a dizer as palavras que ouviu do Pai: “As palavras que eu digo, é como o Pai mo disse que eu as digo” (Jo. 12, 50). Ele não é apenas um profeta que fala em nome de Deus, é a Palavra eterna de Deus, que, encarnada, habitou entre nós (cf. Jo. 1, 1ss).

Para a Igreja, identificada com o seu Senhor, acolher a Palavra de Deus é, antes de mais, no seio dessa intimidade vivida, acolher o Verbo; isto é, captar a Palavra na sua fonte divina. E a Eucaristia é um momento privilegiado para essa escuta e para esse acolhimento. A palavra da Escritura e a palavra da Igreja são caminhos privilegiados para acolher a Palavra de Deus. Mas se nós as escutarmos no contexto da Eucaristia, em que, unidos a Cristo, mergulhamos no seio da Trindade, através da palavra humana, escutamos mais facilmente a Palavra eterna de Deus. Na Igreja, a Celebração eucaristica foi sempre o contexto natural para proclamar a palavra da Escritura.

 

Reconhecer Jesus Cristo nos irmãos

 

22. O Baptismo e a Eucaristia unem-nos de tal modo a Jesus Cristo, que nos identificam com Ele. É por isso que a Igreja é o Corpo de Cristo.

No diálogo entre Saulo e Cristo, na estrada de Damasco, o Senhor identifica-se com os cristãos que Saulo persegue. “Saulo, Saulo, porque Me persegues? E ele perguntou: quem és tu, Senhor? A voz respondeu-lhe: Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (Act. 9, 4-5).

Daí que o Senhor espere que nós amemos os irmãos com o mesmo amor com que O amamos. E disso nos pedirá contas no último julgamento: “Saibam que todas as vezes que fizeram isso a um destes Meus irmãos mais pequeninos, foi a Mim que o fizeram” (Mt. 52, 40).

Neste texto ressalta a predilecção de Jesus pelos mais pobres e desfavorecidos. Neles encontramos e amamos o Senhor. Esta identificação supõe que reconhecemos e encontrámos Jesus Cristo através dos meios sacramentais da Igreja, e brota expontaneamente da nossa comunhão com Ele.

A fé em Nosso Senhor Jesus Cristo ilumina-nos o coração e é essa luz que nos leva a reconhecê-lO nos irmãos. “Se caminharmos na luz, tal como Deus, que está na luz, estamos em comunhão uns com os outros” (1 Jo. 1, 7); “aquele que ama o seu irmão, permanece na luz” (1 Jo. 1, 10).

Para quem, conduzido pela luz da fé, é capaz deste reconhecimento, a presença de Cristo nas suas vidas é uma realidade contínua.

 

 

IV. Em Nosso Senhor Jesus Cristo reconhecemos

a autêntica dignidade do homem

 

23. O encontro com Jesus ressuscitado conduziu-nos àquele momento em que, no seio virginal de Maria, acolhido na sua fé e obediência, “o Verbo se fez homem e habitou entre nós”. E o evangelista acrescenta: e então “nós vimos a Sua glória, glória que Lhe vem do Pai, como Filho unigénito, cheio de graça e de verdade” (Jo. 1, 14). No homem Jesus, Encarnação do Verbo eterno de Deus, contemplamos simultaneamente a glorificação de Jesus e a glorificação do homem. Ora no processo da Encarnação redentora, a glória do Verbo encarnado manifesta-se plenamente na ressurreição; a glorificação do homem em Cristo começa a manifestar-se na graça baptismal e atingirá a sua plenitude quando, no fim dos tempos, ressuscitar com Cristo.

Sobre a referência à Encarnação do Verbo, no texto de S. João, paira o mistério da ressurreição, plenitude de Cristo e plenitude do homem. Ambos os momentos são fruto da obra criadora de Deus: no seio de Maria é o Espírito Santo que realiza a encarnação do Verbo (Lc. 1, 35); no sepulcro de Jesus é o Pai, através do Espírito Santo, que cria essa humanidade plena e definitiva, ressuscitando Jesus (Ef. 1, 23); no coração do homem crente é o Espírito Santo o autor da vida nova, em Cristo ressuscitado.

 

A grandeza da nova criação

 

24. No início de tudo, Deus criou a partir de Si mesmo (Gen. 1, 1 ); na plenitude do tempo, ao redimir o homem, Deus deu origem à nova criação. Apesar de manchada pelo pecado e reduzida à escravidão, Deus encontrou nela algo de virginal, que permitiu a Deus realizar a Sua obra recriadora.

Deus não poderia ter-se feito homem se no homem não permanecesse algo da sua dignidade original, a permitir radicalmente essa união misteriosa entre Deus e o homem: “Fizeste-O pouco inferior a um Deus, coroando-O de glória e esplendor” (Sl. 8, 6). É esta glória e esplendor que se manifestam na encarnação do Verbo de Deus. Deus nunca abandonou o homem ao pecado, antes com o seu amor preservou nele algo dessa virgindade original.

A virgindade é a pureza da criação como ela saiu das mãos de Deus; se se manifesta numa criatura, ela é disponibilidade total do coração para acolher a vontade e o amor de Deus. Referindo-se a Maria, S. Bernardo chama-lhe humildade, a atitude de total submissão a Deus e ao Seu desígnio (14). A segunda criação realiza-a Deus a partir dessa virgindade ou humildade que floriram em fidelidade e obediência. Em Maria, preservada de toda a mácula por singular predilecção do Pai, o Espírito de Deus cria, no seu seio virginal, a humanidade do Verbo encarnado, afirmando a exclusividade da sua iniciativa divina na nova criação. Em Maria voltaram a manifestar-se a glória e o esplendor do homem.

Na ressurreição de Jesus, é a partir da sua humanidade virginal, obra de Deus no seio de Maria e afirmada na sua obediência filial e redentora, que o Espírito Santo inaugura a humanidade definitiva, ressuscitando-O dos mortos. Nos cristãos, é a partir da sua humanidade purificada no baptismo, que o mesmo Espírito vai edificando a santidade, preparando-os para a glória final da ressurreição. O processo da redenção vai restituindo ao homem a sua dignidade original, manchada pelo pecado, até se revelar nele a glória dos filhos de Deus.

 

25. Jesus Cristo ressuscitado é a plena afirmação da dignidade do homem e o anúncio da sua glorificação definitiva. As culturas e as outras religiões podem e devem aproximar-se da consciência da dignidade do homem. Mas a qualidade e a grandeza dessa dignidade humana só se revelam em Jesus Cristo, Verbo encarnado, que revela o homem a si mesmo. “Em Jesus Cristo, Deus não só fala ao homem, mas procura-o. A Encarnação do Filho de Deus testemunha que Deus procura o homem. Jesus fala desta busca como sendo recuperação de uma ovelha tresmalhada (cf. Lc. 15, 1-7). É uma busca que nasce do íntimo de Deus e tem o seu ponto culminante na Encarnação do Verbo. Se Deus vai à procura do homem, criado à Sua imagem e semelhança, fá-lo porque o ama eternamente no Verbo, e em Cristo quer elevá-lo à dignidade de filho adoptivo. (...) Deus procura o homem, impelido pelo Seu coração de Pai” (15).

A dignidade do homem vai-se afirmando, abrindo-se a este amor solícito de Deus, permanecendo na intimidade com Ele, e abrindo-se à dignidade dos outros homens, amando-os como Deus os ama. Este é o ponto de partida da construção da fraternidade e da doutrina social da Igreja.

 

 

V. Jesus Cristo nossa promessa e nossa esperança

 

26. O acontecimento pascal é a semente da plenitude do homem. Essa plenitude encontra no Senhor Jesus a sua raiz fecunda; pode ser experimentada, desde já, ao ritmo da nossa fidelidade, mas é também um futuro prometido, objecto da nossa esperança, meta da nossa vida e da nossa história. “Nós sabemo-lo, de facto: toda a criação, até esse dia, geme em trabalhos de parto. E não apenas a criação: nós próprios, que já possuimos as primícias do Espírito, gememos, também nós, interiormente, na expectativa da redenção do nosso corpo. Porque a nossa salvação é objecto de esperança” (Rom. 8, 22-24).

Esta progressiva identificação com Cristo, até à participação final na glória da sua ressurreição, constitui o tempo da Igreja, em que a história da salvação continua, ao ritmo do Espírito. Nunca, como nestes tempos, que são os últimos, Jesus Cristo se afirma como centro e Senhor da História. O termo desta é marcado pela participação plena da Humanidade na glória de Jesus Cristo. “Depois será o fim, quando Ele entregar a realeza a Deus Pai, depois de ter destruido todo o principado, dominação ou potência. Porque é preciso que Ele reine até que tenha colocado todos os inimigos debaixo dos seus pés. (...) E quando todas as coisas lhe tiverem sido submetidas, então o próprio Filho se submeterá Àquele que tudo Lhe submeteu, para que Deus seja tudo em todos” (Rom. 15, 25-28).

Este momento será, simultaneamente, o triunfo de Cristo Redentor e o triunfo da Humanidade resgatada por Cristo.

 

À espera do Senhor que voltará

 

27. A Tradição Cristã, baseada no Novo Testamento, anunciou este triunfo final da Redenção, falando da última vinda de Cristo, que a Igreja espera e deseja, na mesma medida em que deseja e luta pela santidade. Simbolicamente relacionada com a Ascensão de Jesus ressuscitado ao Céu , – “Homens da Galileia (...) Aquele que vos foi tirado, este mesmo Jesus, voltará assim, da mesma maneira que O vistes partir para o Céu” (Act. 1, 11) – transforma-se na meta definitiva da salvação. S. Paulo fala dessa vinda do Senhor, coincidindo com a nossa ressurreição dos mortos, para estarmos, para sempre, com Ele (1 Tess. 4,13-18).

Neste tempo intermédio, o tempo da Igreja, os cristãos sabem que o Senhor glorioso está junto de Deus, nos céus, e a Sua presença na Igreja exprime-se na acção do Espírito Santo, na Palavra e nos Sacramentos, de modo particular na Eucaristia, no coração daqueles que, unidos a Ele, esperam pela Sua manifestação definitiva. Há, neste tempo da graça, uma tensão dolorosa, daqueles que, no Baptismo, foram introduzidos na Sua intimidade e anseiam por uma união definitiva. “Desejo partir e estar com Cristo” (Fil. 1, 23); “Estamos seguros e confiantes, preferimos deixar este corpo para ir morar junto do Senhor” (2 Cor. 5, 8).

 

28. Esta expectativa do encontro definitivo com o Senhor ressuscitado, para viver sempre com Ele, corresponde ao tempo da redenção, do arrependimento dos pecados e de uma união a Cristo, na fé, suficientemente forte para poder desejar o seu regresso. O anúncio da salvação, feito pelos apóstolos a seguir ao Pentecostes, inclui esta tensão: “No entanto, irmãos, eu sei que foi por ignorância que vós agistes, bem como os vossos chefes. Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que os vossos pecados sejam apagados e, assim, o Senhor faça vir o tempo da consolação. Ele enviará, então, Cristo que vos foi destinado, Jesus, Aquele que os céus devem guardar até ao tempo da ressurreição universal, de que Deus falou pela boca dos seus santos profetas” (Act. 3, 17-21).

Este Senhor, que os céus guardam, é a promessa da Igreja. O Povo de Deus viveu sempre a sua fé na tensão entre a aliança vivida e a promessa da aliança definitiva. Cristo ratificou a aliança definitiva com a Humanidade; a realização plena desta aliança é a promessa da Igreja e acontecerá na plenitude da Redenção.

A Igreja deseja esse momento, na medida mesma da autenticidade da sua fé em Jesus Cristo. O Senhor que esperamos, é o mesmo que encarnou no seio da Virgem Maria: “Eu sou o rebento da raça de David, a Estrela radiosa da manhã” (Apoc 22,16). A sua última vinda manifestará plenamente o sentido da Encarnação redentora, as núpcias definitivas entre a Humanidade e a Trindade Santíssima. A Igreja, com quem Jesus Cristo já celebrou essas núpcias eternas, só pode desejar a sua consumação. “O espírito e a esposa dizem: Vem! Que Aquele que escuta, diga: Vem! E que o homem ressequido se aproxime, que o homem que deseja receba gratuitamente a água da vida” (Ap. 22, 17). O próprio Cordeiro imolado, que é hoje o Senhor da Glória, o garante: “Sim, o meu regresso está próximo”. E a Igreja responde: “Oh, Sim! Vem Senhor Jesus”! (Ap. 22, 20).

 

29. Que durante este tempo jubilar, pela renovação da nossa fé, pela conversão do coração, nós possamos, no reencontro contínuo e surpreendente de Nosso Senhor Jesus Cristo, aumentar o desejo desse encontro definitivo. A Virgem Santa Maria, através de quem Deus deu ao mundo o Seu Filho encarnado, hoje gloriosa no Céu, conduzir-nos-à, pela atracção do coração, à festa do Reino dos Céus!.

 

 

VI. Interpelações pastorais

 

30. Toda a “Tertio Millenio Adveniente” é uma interpelação pastoral. Ao propor três anos de preparação próxima para o Jubileu e ao convidar a Igreja a aprofundar, durante o ano de 1997, o mistério de “Jesus Cristo, único salvador do mundo, ontem, hoje e sempre”, o Santo Padre convida-nos a um processo de renovação e de conversão.

De uma forma complementar às orientações pastorais emanadas da Comissão Nacional para o Jubileu, esta Carta Pastoral apresenta-nos algumas interpelações pastorais.

 

A cristianização do tempo

 

31. Celebrar jubileus é uma concretização do facto da acção salvífica de Deus atingir a sua plenitude na Encarnação redentora do Verbo eterno de Deus, na pessoa de Jesus Cristo. Ao assumir a nossa natureza, Ele dá sentido salvífico a toda a realidade humana, incluindo o tempo e a história. Com o nascimento de Jesus, o tempo humano, marcado pela relatividade da duração, toca o tempo divino, cuja qualidade é a intensidade da plenitude, vivida em cada momento. Essa intensidade do tempo divino constitui a experiência da eternidade.

Cristo sendo a plenitude da salvação, n’Ele, o tempo, em cuja duração acontece a salvação do homem, atingiu também o seu termo; isto é, tocou a eternidade, participando da plenitude de Deus.

Cada momento da nossa vida deve ser santificado pela união a Jesus Cristo. A relação do homem com o tempo foi profanizada, esquecendo que cada momento, cada data, cada festa, são etapas da caminhada para a salvação.

Não podemos esquecer que, durante o milénio que agora termina, cometeram-se vários atropelos à mensagem evangélica sobre o Homem. O Jubileu será, assim, desafio de conversão e arrependimeto, reconduzindo este espaço de tempo à verdade da salvação.

Procuremos dar, durante este tempo jubilar, um sentido cristão ao tempo em que vivemos a nossa vida.

 

Sagrada Escritura e pastoral da Fé

 

32. A fé brota do acolhimento da Palavra e significa a nossa adesão ao encontro pessoal com Jesus Cristo. Durante este tempo jubilar somos chamados a aprofundar a pastoral da fé, concebida como aceitação sincera da ressureição de Jesus e de encontro pessoal com o Senhor ressuscitado. Está aí o fundamento da vida cristã.

O caminho indicado pelo Santo Padre, para esta pastoral da fé, é o regresso à Sagrada Escritura, lida, estudada, acreditada, rezada e celebrada como caminho de encontro com Cristo, conduzidos por Maria, a Virgem Mãe (16).

As comunidades cristãs, lugar da vivência do Jubileu

 

33. A salvação, sendo pessoal, tem dimensão comunitária. O Santo Padre aconselha a valorizar, durante este tempo jubilar, todas as comunidades em que os cristãos procuram viver a sua fé.

É por isso que as dioceses, as comunidades, os movimentos, a família, serão lugares previligiados da vivência do jubileu. Aí os cristãos que buscam a santidade têm nome e os outros homens e mulheres que buscam a salvação são nossos amigos ou conhecidos, companheiros de trabalho, membros da nossa família. Tantas vezes a pobreza do nosso testemunho cristão é uma das causas da sua indecisão em buscarem o rosto do Senhor. No que respeita à família, é indicação expressa do Santo Padre: “É necessário que a preparação para o Grande Jubileu passe, em certo sentido, através de cada família” (17).

 

Amor dos irmãos e doutrina social da Igreja

 

34. A identificação com Nosso Senhor Jesus Cristo e com a sua Palavra, leva-nos a olhar o homem e a sociedade contemporânea, na complexidade da sua realidade, à luz da nossa fé. Somos, assim, convidados a conhecer melhor e a divulgar a doutrina da Igreja sobre o homem e a sociedade. A doutrina social da Igreja é o Evangelho aplicado às circunstâncias concretas do tempo e da história.

 

Uma catequese jubilar

 

35. A preparação do Jubileu sugere às comunidades um conjunto de temas para enriquecer a catequese, em todas as suas etapas e formas, proporcionando um aprofundamento dos motivos da fé. São muitos os cristãos que sabem pouco sobre Jesus Cristo. O que aprenderam, a respeito d’Ele, pode não os ter levado a um compromisso de vida com o Ressuscitado. É, pois, necessário privilegiar o aprofundamento da relação pessoal com o Senhor, descobrindo, através da oração, dos sacramentos e da Sagrada Escritura, o rosto humano do Filho de Deus.

Não poderá estar ausente da perspectiva catequética a busca do diálogo ecuménico em ordem à unidade da Igreja. Apesar das separações seculares, os cristãos católicos devem aprender a recohecer as sementes da fé, que existem nas outras comunidades cristãs, e a abrir-se à caridade.

Aliás, tendo em conta a pluralidade de tendências legítimas, dentro da própria Igreja Católica, a vivência da comunhão exigirá sempre tolerância e abertura à diferença.

O sacramento do Baptismo, como união à morte e ressurreição do Senhor, deve, durante este ano, ocupar um lugar central na catequese.

 

Celebrar a alegria da salvação

 

36. A palavra jubileu evoca a alegria da salvação. Este ano de graça é, pois, um convite a celebrar, pessoal e comunitariamente, a alegria que nos vem de Deus (18). Dois mil anos de história merecem que os cristãos façam festa e dêem ao mundo o testemunho sincero da alegria da salvação. Ela tem a sua fonte em Nosso Senhor Jesus Cristo, em Quem experimentamos o júbilo da intimidade com Deus, o alívio de um coração liberto, o conforto da força que nos torna capazes do humanamente impossível. É precioso o testemunho da alegria dos cristãos, mesmo na provação. É a experiência pascal do sofrimento transformado em alegria, prometida por Jesus aos discípulos (Jo. 16, 20).

Temos acesso a este dom através da oração, em que encontramos o Senhor Jesus na intimidade do seu amor misericordioso; na celebração da Penitência, em que a nossa consciência reconciliada encontra o dom da alegria e da paz; na Eucaristia, momento em que nos reconhecemos como Povo do Senhor, fazendo um só com Ele, na Sua qualidade de vítima e de sacerdote, vivendo aí o nosso encontro com o Ressuscitado, partilhando a alegria da Páscoa, antecipação da alegria definitiva da Parusia.

A Liturgia será, para a Igreja em jubileu, a grande manifestação comunitária da alegria da salvação. Mesmo o júbilo a que a Igreja é convidada “pretende ser uma grande oração de louvor e agradecimento, sobretudo pelo dom da Encarnação do Filho de Deus e da Redenção por Ele operada” (19).

Esta experiência da Igreja atrairá a ela aqueles que, embora seus membros, andam afastados. A Igreja experimentará, desde já, nesse encontro progressivo dos irmãos, a alegria do Reino dos Céus.

 

Sob a protecção maternal de Maria

 

37. Maria é o caminho certo para encontrarmos o seu Filho Jesus. Na sua missão maternal, ela deu-O ao mundo, dando-O à luz. Ofereceu-O, aos pés da cruz, para redenção da Humanidade, selando assim a plenitude da sua maternidade. Com a sua solicitude maternal, continua a conduzir-nos ao encontro de Jesus Cristo e segreda-nos, como em Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo. 2, 5).

O papel de Maria, na Igreja, não é separável de Jesus Cristo. Este tempo jubilar é propício para inculcar no nosso Povo, que tanto amor tem a Nossa Senhora, esta dimensão do seu mistério. Amar Nossa Senhora sem amar Jesus Cristo é amor que não a louva. Jesus Cristo e Maria são uma única manifestação da infinita ternura de Deus.

 

Lisboa, Solenidade de Jesus Cristo Rei e Senhor do Universo, 24 de Novembro de 1996

 

 

(1) Cf. Encíclica Redemptor Hominis (RH), nº 1.

(2Tertio millenio Adveniente (TMA), nº 40.

(3) TMA, nº 25.

(4TMA, nº 30.

(5TMA, nn. 10-11.

(6TMA, nn. 12-14.

(7RH, nº 7.

(8Evangelii nuntiandi (EN), nº 9.

(9RH, nº 8.

(10) Gaudium et Spes (GS), nº 22; cf. RH, nº 8.

(11) Tradução grega da Bíblia, surgida no séc. III, A.C. no contexto da comunidade judaica de Alexandria. O seu prestígio, entre outras traduções que existiram, veio-lhe do facto de ter sido utilizada pelo Novo Testamento e pela Igreja primitiva.

(12) Cf. 1 Cor. 12,27; Rom. 12,5; Ef. 5,21ss.; Ef. 1,22-23.

(13EN, nº 16.

(14) S. Bernardo. “In laudibus Virginis Matris”, in L. LECLERQ e H. ROCHAIS, S. Bernardi Opera. vol. IV, p.22.

(15TMA, nº 7.

(16TMA, nn. 40-43.

(17TMA, nº 28.

(18TMA, nº 16.

(19TMA, nº 32.

 

 

ÍNDICE

 

 

I. Introdução

– Preparação do Grande Jubileu do Ano 2000

– Jesus Cristo no centro das celebrações jubilares

– Destinatários e perspectiva da Carta Pastoral

 

II. Jesus Cristo nosso Salvador e Redentor

– O que é a salvação

– Sentir a necessidade da salvação

– De quem esperamos a salvação

– Pela redenção, Deus adquire para Si um Povo

– A fé é o princípio da salvação

 

III. O Encontro com Jesus Cristo

– Reconhecer o Senhor

– Reconhecer Jesus Cristo como nosso Senhor e nosso Deus

– A Igreja participa da plenitude de Cristo ressuscitado

– Reconhecer Jesus Cristo na sacramentalidade da Igreja

– Reconhecer o Senhor na Palavra da Igreja

– Reconhecer o Senhor no Baptismo

– A Eucaristia lugar previligiado do reconhecimento do Senhor

– Na Eucaristia reconhecemos Cristo como Palavra eterna de Deus  

– Reconhecer Jesus Cristo nos irmãos

 

IV. Em Nosso Senhor Jesus Cristo reconhecemos A autÊntica dignidade do homem

– A grandeza da nova criação

 

V. Jesus Cristo nossa promessa e nossa esperança

– À espera do Senhor que voltará

 

VI. Interpelações pastorais

– A cristianização do tempo

– Sagrada Escritura e pastoral da fé

– As comunidades cristãs, lugar da vivência do Jubileu

– Amor dos irmãos e doutrina social da Igreja

– Uma catequese jubilar

– Celebrar a alegria da salvação

– Sob a protecção maternal de Maria


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