Igreja e comunicação:
a divagar... se vai ao longe
Vivemos tempos de permanente desassossego. Tanta
liberdade, tanto desenvolvimento, tanta tecnologia, tanta razão e ao mesmo
tempo tanta inquietação. Vivemos tempos em que os filhos pródigos, leia-se as nações
e as pessoas, continuam a afastar-se de Deus. A liberdade parece ser cada vez
mais o exercício de interesses egoístas ou de imposições de quem tem mais
poder. A liberdade não tem nada a ver com esta arquitectura. A liberdade é um
verdadeiro exercício de esperança e de procura da verdade.
Falar de
Esperança significa ajudar a encontrar o SENTIDO DO FUTURO. É esta a tarefa que
tem que ser cumprida por todos as pessoas de boa vontade. É esta missão de
esperança e de procura da verdade que a comunicação social da Igreja tem que
fazer presente às pessoas de hoje.
E para que
algo possa vir a ser diferente alguma coisa terá que ir mudando pois só assim
será possivel responder aos desafios do futuro e criar uma cultura cristã e uma
opinião pública cristã. Dir-se-ia que o futuro parece pouco risonho. Mas, é
precisamente das situações que não entendemos, ou até condenamos, que se pode
olhar a Esperança como o caminho alternativo às nossas inquietações.
O caminho a seguir só poderá ter um sentido, o da
busca permanente da perfeição das pessoas, pois só assim será possivel sair da
indiferença, olhar o mundo com outros olhos, os da palavra de Deus, e tomar
posições sobre o que nele vaI acontecendo. Só assim será possivel fomentar a
Verdade, a Justiça e a Paz.
Vale a pena relembrar Goethe quando dizia: ”Que Deus
me conceda a inteligência suficiente para não me tornar um obstáculo para mim
mesmo”. O desafio que se nos coloca é o de irmos caminhando dentro do nevoeiro
dos aconteci-memtos. E é aqui que entram as “minhas escolhas” traduzidas em
quatro vectores de actuação. O primeiro vector passa pelo desenvolvimento do
Projecto ECCLESIA, traduzido na criação do jornal ”On-line”- “Ecclesia Digital”
e na colocação de conteúdos informativos e formativos noutros públicos,
nomeadamente nas paróquias, apoiando a criação de Boletins Paroquiais, ou seja
fazer reviver ou iniciar aquilo a que se pode chamar “comunicação de
vizinhança”.
Este Jornalismo de vizinhança é o segundo vector e
visa de forma simples e directa ajudar o povo de Deus a fazer a leitura cristã
dos sinais dos tempos e a saber entender que a “Palavra do Senhor” e a “Palavra
de Salvação” tem lugar na vida de cada dia. Estes Boletins Paroquiais podem ser
um importante meio de comunicação ao serviço da Nova Evangelização.
O terceiro
vector passa pelo desenvolvimento daquilo a que podemos chamar “comunicação de
proximidade”, traduzido em “Projectos de Jornais Diocesanos”, capazes de dar
voz a nível regional/local aos valores do Evangelho e da Tradição Cristã manifestados
na vida, na alegria, no sofrimento, na esperança e em tantas situações da vida
humana... Afinal pretende-se que cada jornal saiba traduzir no seu conteúdo as
propostas que Jesus Cristo nos apresenta no Seu “livro de estilo” quando
afirma: -”Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”.
Um quarto vector passa pela clarificação de muita
publicação directa ou indirectamente ligada à Igreja, sabendo discernir a que
interessa da que está a mais. Na esfera de acção da Igreja continuo a dizer que
há jornais a mais e a menos, ou seja, há jornais que continuam na sua pacata
rotina sem qualidade e com conteúdos que nada acrescentam à vida das pessoas e
das comunidades. Por outro lado falta alguma coisa, leia-se jornal ou revista,
aquilo a que se poderá chamar “comunicação de globali-dade” capaz de dar voz
activa, em termos de universalidade e catolicidade, de forma sistemática,
periódica e em tempo oportuno ao “Rápido Desenvolvimento”.
De facto, os tempos não estão fáceis, mas por isso
mesmo são propícios ao esclarecimento das consciências e ao gosto pelo
conhecimento. É nos tempos difíceis que se aguça a imaginação e se pode ver
para além do temporal. Continuo a ser um homem de Esperança e por isso acredito
num futuro onde os valores do espírito saberão “Abrir as portas ao Redentor” e
ajudar a construir uma outra sociedade mais feliz.
José Vicente Ferreira