Notícias eclesiais

Pré-Seminário

Começámos em força

No fim-de-semana de 14 e 15 de Outubro o Pré-Seminário realizou o primeiro encontro deste novo ano pastoral. O encontro decorreu no Seminário da Figueira da Foz e contou com a presença de 21 adolescentes e jovens (sem contar com os elementos da equipa).

Neste grupo estiveram pessoas vindas de terras tão dispares como Lagares da Beira, Ervedal da Beira, Cernache, Torre de Vilela, Penela, São Martinho do Bispo, Arganil, Liceia, Quiaios, Mortágua, Seixo de Mira, Cerdeira, Oliveira do Hospital, Póvoa de Midões, Barcouço, Almalaguês e Miranda do Corvo. Muitas destas presenças se devem ao empenho das famílias e dos párocos, que podem ser determinativos no apelo e no discernimento vocacional.

Neste encontro tivemos a oportunidade de apresentar a temática e as actividades para este novo ano. Deste modo, o tema escolhido é o «Doa-te», fundamentado numa releitura actualizada das obras de misericórdia. Tivemos ainda oportunidade de conhecer e partilhar a fé com a comunidade eclesial de Buarcos, onde celebrámos a Eucaristia. Nesta comunidade, acolhidos com muita amizade pelo Pe. Carlos, podemos reler a arte numa perspectiva catequética.

Terminou o encontro com um compromisso de todos os pré-seminaristas com o tempo dedicado ao estudo, com o empenho nas actividades das suas paróquias e com o valorizar da oração pessoal diária.

P.e Nuno Santos

VIII Fórum Ecuménico Jovem

Vivendo desde já a III Assembleia Ecuménica Europeia

Quase três centenas de jovens, oriundos de diversas partes do país e de distintas confissões cristãs reuniram-se, no Seminário Maior da Guarda, no passado dia 28 de Outubro, por ocasião da celebração do VIII Fórum Ecuménico Jovem. Assumindo como objecto de reflexão o tema "A Luz de Cristo ilumina a todos. Esperança para a renovação e unidade da Europa", proposto para a III Asssembleia Ecuménica Europeia, a decorrer na cidade romena de Sibiu, de 4 a 9 de Setembro de 2007, procurou-se, desde já, envolver os jovens cristãos na dinâmica da preparação deste grande evento.

D. Manuel Felício, bispo da diocese da Guarda e vogal da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé e Ecumenismo, falando os jovens presentes no início dos trabalhos, convidou a um recentrar da atenção de todos na pessoa de Cristo, numa relação cada vez mais profunda com o Senhor da Igreja una. O esforço que desde há muito as diversas confissões cristãs veem desenvolvendo no sentido de procurarem conjuntamente os caminhos da reconciliação e da unidade, na fidelidade ao desejo de Cristo e às exigências do testemunho que são chamadas a dar no mundo actual, funda-se, de facto, na procura da crescente identificação com o próprio Cristo, no discernimento da Sua vontade, na leitura sempre renovada dos sinais dos tempos à luz do seu Evangelho. Remetendo para a Carta Ecuménica para a Europa, incitou também as diversas confissões cristãs a tomarem a sério o ecumenismo como tarefa pastoral e caminho a percorrer pelas suas comunidades, desafiando ainda os jovens a entenderem a III Assembleia Ecuménica Europeia, não como um evento distante, participado apenas por um pequeno grupo de delegados, mas como um dinamismo e uma vivência que acontece desde já. Mais do que preparada, a Assembleia deverá ser vivida pelos cristãos das diversas confissões como um desafio renovado à procura de novas ocasiões de trabalho conjunto, de oração em comum, de empenho em causas que, para todos, decorrem do assumir pleno de uma vivência coerente do Evangelho.

O VIII FEJ procurou ser uma resposta a este desafio, propondo, na parte da tarde, uma leitura, em pequenos grupos, da Carta Ecuménica. Reflectindo em conjunto sobre temas tão diversos como a luta pela justiça e pela paz, a defesa da criação, a busca da unidade e de uma verdadeira espiritualidade ou os desafios colocados pelas migrações no interior da Europa ou pela relação com outros sistemas religiosos, os jovens procuraram interrogar-se perante uma realidade em mudança e lê-la à luz do Evangelho, apontando possíveis caminhos de testemunho passíveis também de uma vivência ecuménica.

Por último, o VIII FEJ marcou também o arranque de uma "peregrinação de esperança" que se prolongará até à Assembleia Ecuménica. Um grande círio, sinal da luz de Cristo, acompanhado da cruz presente nos Fóruns Ecuménicos, daí partiram para Vila Real, dando início a um périplo que, ao longo do ano, atravessará as diversas dioceses e regiões do país, estimulando encontros e tempos de oração ecuménicos entre outros jovens (itinerário em http://dnpj.blogspot.com). Um "diário de bordo" permitirá aos seus participantes o registo de mensagens que, no final, serão levadas até Sibiu pela delegação ecuménica portuguesa que aí for enviada pelas diferentes confissões cristãs. Após esta, o IX FEJ, agendado para Outubro do próximo ano em Viana do Castelo, procurará dar a necessária continuidade ao muito que, em Sibiu, se reflectirá e assumirá neste desafiante caminho de procura da reconciliação e da unidade.

João Luís Fontes

(Membro do Grupo Ecuménico Juvenil Nacional)

A vida de Deus em mim

 

Hoje fala-se muito de Deus. Hoje na sociedade laicizada fala-se muito de Deus. Para louvar ou para negar, para pedir ou para blasfemar. Seja acerca do terrorismo islâmico ou das peregrinações a Fátima, sobre as obras de misericórdia ou a diplomacia do Vaticano, a propósito do Natal ou do aborto, da Maçonaria ou da arte sacra, passamos a vida a falar de Deus.

Mas, para lá disso tudo, há também Ele. Ele mesmo, o próprio Deus que passa discretamente ao lado do barulho que fazemos, e vem directo ao âmago da nossa vida. Hoje na sociedade laicizada vê-se muito Deus.

Acaba de ser publicada A História de Deus Comigo, do padre António Vaz Pinto S. J. (Aletheia, 2006).

Os livros de memórias são raros na literatura portuguesa, e os livros de memórias sacerdotes são quase inexistentes na nossa edição contemporânea.

A vida que este relata é sem dúvida excepcional, não só no seu sentido profundo, mas até segundo os critérios tacanhos da cultura mediática. Fundador do Banco Alimentar contra a Fome e dos Leigos para o Desenvolvimento ("a ONGD portuguesa com mais voluntários no terreno", p. 273), foi o primeiro alto-comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, de 2002 a 2005, e é uma personagem conhecida pelas suas frequentes intervenções na rádio e televisão. Relatando todas estas iniciativas, e tantas outras actividades de padre jesuíta, num tom coloquial e aberto, constitui um livro encantador e divertido.

Mas o centro da história não é o homem de 64 anos, aluno do colégio de São João de Brito e da Faculdade de Direito, que abandonou as festas da Lisboa burguesa para se lançar na aventura de entrar no noviciado da Companhia de Jesus aos 22 anos. O tema do livro não é o percurso que o leva de Soutelo, perto de Braga, (cap. 6) até Frankfurt (cap. 9), Coimbra (cap. 12), África e Timor (cap. 13 a 15), de aluno a professor e conferencista, de construtor civil a armazenista de géneros alimentícios. Não são sequer as conversas, palestras, confissões, retiros, missas. O centro e o tema deste livro "não assentam em eu ser católico, padre jesuíta, celebrar todos os dias a missa e comungar, procurar ajudar os outros, etc... Tudo isso seria ainda confiar em mim, nas minhas obras, na minha justiça... Confio e vivo confiado, porque confio no amor e misericórdia de Deus que se manifestou definitivamente na morte e ressurreição do Seu Filho Jesus Cristo; confio e vivo confiado, não porque eu sou bom, mas porque Ele é bom." (p. 161-2).
Porque a grande surpresa, a única Boa Nova que o mundo recebe é que Deus vem pessoalmente viver aqui, no meio de nós. Nasceu como um bebé, viveu como um jovem e um homem, andou pelas nossas ruas, foi morto, mas ressuscitou.

Acima de tudo, garantiu: "Eis que eu estou convosco, todos os dias, até o fim do mundo" (Mt 28, 20). No sacrário, na oração, na comunidade cristã, em toda a Criação, em cada um dos nossos gestos que Ele acompanha minucioso e amoroso.

Por isso acontece-nos a nós, a cada um de nós, encontrá-lo numa curva do caminho, passando na margem do lago (Jo 1, 35), sentado num poço (Jo 4, 7) ou preso na cadeia. Ele vem continuamente ter connosco, em cada canto da nossa existência, que quer mudar radicalmente. "Eis que Eu estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu entrarei na sua casa e cearei com ele e ele comigo." (Ap 3, 20).

Essa ceia pode ser a vida inteira. Viver centrado noutro é a única forma de viver. A vida é para se dar. Mas só atinge a plenitude quando se dá ao Senhor do universo, que se dispõe a ser "caminho, verdade e vida" (Jo 14, 6) no quotidiano concreto de cada um de nós.
Não apenas dos padres e bispos, não apenas dos santos e sábios, mas de mim, de si, de todos, sobretudo dos pequenos, dos pecadores. Viver a vida como um aventura permanente, que Deus concebe connosco, chamando, atraindo, desafiando, construindo. Em geral pacientemente esperando que abandonemos as nossas tolices e concordemos com Ele, seguindo o caminho para a Verdade e a Vida.

Hoje na sociedade laicizada fala-se muito de Deus. Mas "Deus não é para mim uma simples coisa, um princípio, uma teoria, uma abstracção, uma força cósmica, mas um Alguém, com Quem, apesar de todas as minhas falhas e imperfeições, tenho uma relação real, viva, experimentada, permanente, de amizade, de confiança, relação que afasta e expulsa o deserto e o vazio..." (p. 412).

Como é que se pode viver de outra maneira?

João César das Neves
Professor universitário

 

Referendo em debate

Em boa hora a sociedade portuguesa tomou conhecimento de dois textos que afirmam a posição da Conferência Episcopal Portuguesa e do Sr. Cardeal Patriarca de Lisboa sobre o previsível referendo ao Aborto a que seremos chamados todos. Depois do que se fez publicar neste país sobre a Igreja e o Aborto, havia a expectativa do conforto que estes documentos trouxeram a todos os homens de boa-vontade.

Num tempo em que o niilismo e o relativismo parecem dominar a consciência dos homens, tornar clara a Verdade é um imperativo de quem constrói a História. Ora, estes documentos vêm precisamente apontar para a decisão civilizacional a que seremos chamados. Por isso, constroem História.

De facto, no aborto concorrem duas realidades, a decisão de consciência e a decisão política, no seu sentido mais nobre. Isto é, qual o futuro desta comunidade a que pertenço, a que pertencem os meus filhos ou netos. Que legado deixarei?

Por isso é preciso formar e informar as consciências, e aí o papel inalienável da Igreja. Mas, é também necessário apontar um caminho que conduz a uma lei e, esta é a política. Por isso, se apontam três planos de acção.

O primeiro: "…todos os membros da Igreja e todos os que defendem a vida são chamados a participar neste debate esclarecedor das consciências." (in Nota Cardeal Patriarca de Lisboa).

O segundo plano de intervenção - a intervenção política e do debate público, onde o papel determinante há-de ser dos leigos, porque a estes cabe a condução dos destinos políticos, de fazer as leis desta comunidade de homens.

Mas, há ainda um terceiro plano de intervenção que notamos - "Mas os leigos poderão contar com todo o nosso apoio nesta luta por uma lei que respeite a vida"(in Ibidem)

Estes são documentos que fazem História com Verdade.

Isilda Pegado

 

20º Aniversário da Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau – APARF

A Associação está a celebrar 20 anos de vida ao serviço dos últimos da sociedade - os doentes de lepra, e de outras vítimas de exclusão social.

A sua criação deve-se à iniciativa e motivação dos Missionários Combonianos que, em 1986, desenvolveram as diligências necessárias, para lhe dar nascimento jurídico o que aconteceu em 20 de Janeiro de 1987.

A celebração deste aniversário começou com uma visita aos Projectos de Moçam-bique onde, com a colaboração da Logomédia, se realizou uma reportagem televisiva sobre os Projectos da APARF naquele país. A integrar a celebração da data há também o VII Encontro Nacional de 4 e 5 de Novembro em Fátima.

A APARF é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, Pessoa Colectiva de Utilidade Pública.

De natureza civil, é independente de qualquer credo político ou religioso. O seu objecto é a luta contra a lepra e todas as formas de exclusão social, vendo em cada ser humano, um irmão digno de respeito e amor. Valores de inspiração cristã vividos pelo seu inspirador e pelos que a representam.

É uma instituição que congrega e integra as energias e a generosidade de muitos portugueses com o projecto de solidariedade humana e universal de Follereau. A APARF mantem um carinho muito especial pelos doentes de lepra, pobres entre os pobres.

A lepra, pelos seus sinais exteriores, não obstante um trabalho persistente de mentalização, continua a ser a doença mais estigmatizante do mundo.

A vida da APARF nestes 20 anos testemunha o valor de quanto bem fazem as pessoas que se organizam e vivem ideais de solidariedade em torno de uma causa que se concretiza em actos de justiça, de paz, de amor. Participam na cura e reabilitação de milhares de leprosos, na construção de Centros de Saúde, em habitações para doentes pobres, na alimentação de crianças desnutridas, na formação de agentes de saúde em países subdesenvolvidos, etc.

A prioridade que a APARF dá à cura e reabilitação de doentes de lepra é muito abrangente. O mapa da lepra coincide com o da fome. Estes doentes, além dos fármacos, precisam de alimentos, água potável e condições de higiene. Por isso, Raoul Follereau chamou à lepra a filha primogénita da fome. Não admira pois que surjam 2.000 novos casos de lepra por dia, no mundo.

A Associação executa Projectos Anti-Lepra em todos os países endémicos, a começar pelos países de expressão portuguesa. Uns, a solo, outros, em colaboração com as suas congéneres na qualidade de membro efectivo da União Internacional das Associações Raoul Follereau - UIARF, criada ao tempo e por iniciativa do próprio Raoul Follereau. Mantém também projectos em Portugal onde, apesar de não se tratar de um problema de saúde pública, há bolsas de pobreza profunda, consequência de membros de família afectados pela doença.

A pedido de Raoul Follereau, a ONU criou o Dia Mundial dos Leprosos que a APARF celebra cada ano em todo o País com a colaboração de milhares de voluntários e benfeitores, passando a mensagem de amor pelos doentes e recolhendo fundos para a sua cura.

A APARF lança um apelo: Precisa-se de Voluntários que partam com coragem e amor para países onde a lepra constitui problema de saúde pública. Os doentes anseiam curar-se. Hoje há medicamentos eficazes; é preciso pessoas que se entreguem a esta nobre missão.

O amor com que os Voluntários os tratam, fazem-nos passar da noite para o dia. Diz quem tem experiência que não há felicidade maior que dizer a um leproso "estás curado".

Bem diz Follereau que ser feliz é fazer os outros felizes.

Bem hajam a todos os que trabalham para construir a civilização do amor.

Rosa Celeste Ferreira

Directora do "O Amigo dos Leprosos"

Bibliotecas de Deus

Um poema bem conhecido de Fernando Pessoa lembra que Jesus não tinha biblioteca. O que é só meia-verdade. Pois a compreensão de Jesus não se pode fazer, por exemplo, sem referência à tradição de escritos sagrados que certamente conhecia, e com a qual dialogava. Nem sequer da riquíssima e plural literatura a que vai dar origem.

Com o título "Bibliotecas de Deus", o Centro de Estudos de Religiões e Culturas da Universidade Católica Portuguesa (UCP) está a realizar um Seminário de Estudos Avançados.

Até 9 de Janeiro, na Biblioteca Universitária João Paulo II da UCP realizar-se-ão cinco sessões. A primeira, a realizar hoje das 17 às 20 horas, é subordinada ao tema "Moisés, Jesus, Maomé" e será orientada por Joaquim Carreira das Neves. No próximo mês, dia 14, João Lourenço falará "exegeses judaicas" e Tolentino Mendonça, no dia 28, abordará o tema "Fronteiras dos escritos Neotesta-mentários". "A sedução apócrifa" será a temática que Armindo Vaz colocará em destaque no dia 12 de Dezembro. A última sessão (9 de Janeiro) deste seminário de estudos avançados será sobre "o Conhecimento de Deus que vem pela leitura" e terá como oradora Luisa Almendra. Nos dias 16 de Janeiro e 6 de Fevereiro do próximo ano realizar-se-ão ateliers e a sessão final está marcada para o dia 13 de Fevereiro.

Existem Bibliotecas de Deus. Têm uma inscrição central nas três religiões monoteístas, e desenvolvem uma incontornável função identitária, embora diferenciada. Abordá-las é penetrar num território complexo e privilegiado de análise, onde se joga tanto o impacto das questões de origem, como a pertinência das interrogações formuladas pelo nosso presente histórico e seu debate cultural.

O Centro de Estudos de Religiões e Culturas Cardeal Höffner (CERC) é uma instituição científica da UCP, integrada na Faculdade de Teologia e tem como finalidade a investigação científica, a formação e prestação de serviços no domínio do estudo das religiões e dos fenómenos religiosos.

Mais informações sobre esta iniciativa através do telefone 217214135 ou email secretariado.cerc@cerc.ucp.pt

 

Reabilitação Psicossocial

Nas comemorações dos 125 anos da Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus

O II Seminário de Reabilitação Psicossocial vai debater, durante dois dias, a importância de várias abordagens à recuperação física, mental e comunitária das populações portadoras de deficiência. Seja através de psicogeriatria ou através das modernas técnicas do snoezelen, são vários os contributos que se pretendem debater e praticar no encontro marcado para os dias 9 e 10 de Novembro.

"(Re)Nascer Para a Vida" é o tema do II Seminário de Reabilitação Psicossocial que vai realizar-se nos dias 9 e 10 de Novembro.

Promovido pela Casa de Saúde do Espírito Santo, Angra do Heroísmo (Açores) o encontro vai realizar-se nas instalações desta instituição no âmbito das comemorações dos 125 anos da Congregação das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus.

A organização "realça a importância desta realização pelos temas a tratar para a comunidade em geral e para os que desenvolvem o seu estudo ou a sua actividade na área da reabilitação".

São vários os temas que serão abordados no II Seminário de Reabilitação Psicossocial, que vão desde os contributos da enfermagem, ao apoio espiritual, passando pela psicogeriatria até às inovadoras técnicas do snoezelen ou da hipoterapia.

 

Santa Sé elogia Tratado sobre comércio de armas

A Santa Sé expressou a sua satisfação pela aprovação, a 26 de Outubro passado, na sede das Nações Unidas de Nova York, com uma grande maioria, de um projecto de resolução para a redacção de um Tratado sobre o controle do comércio internacional de armas convencionais, adianta a Agência Zenit.

As sessões de trabalho aconteceram no âmbito da Comissão para o desarmamento e a segurança: 139 países votaram a favor do projecto; contra ele votaram apenas os Estados Unidos, enquanto 26 países se abstiveram, entre os quais se encontram a China, a Rússia, a Índia e o Paquistão.

"É verdade que o caminho ainda é muito longo. Não é mais uma resolução que dá ao secretário-geral da ONU a possibilidade de preparar uma informação sobre o comércio de armas convencionais antes de um ano: depois um grupo de trabalho começará a trabalhar sobre esta questão" reflectiu Celestino Migliore, observador permanente da Santa Sé na ONU, acrescentando ser no entanto "uma vitória importantíssima do ponto de vista humano, sobretudo se considerarmos a dimensão humana de todas as vítimas causadas pelas armas".

"A Santa Sé foi muito activa no apoio a esta iniciativa" acrescenta.

O arcebispo explica que «entre os 139 países que votaram a favor, muitos são produtores, grandes produtores de armas convencionais, pois este tratado não proíbe a produção e o comércio de armas, mas antes regulariza-as.

Pelo que se refere à questão das armas não convencionais, como as armas nucleares, radiológicas e químicas, "a Santa Sé apoia com muita força os Estados e as organizações da sociedade civil que lutam para que entre finalmente em vigor o tratado que proíbe os testes nucleares e que proíbe um Estado com capacidade nuclear de atacar com armas nucleares um Estado que não tem essa capacidade, e para que se chegue o quanto antes a um tratando sobre o material míssil" conclui, manifestando haver "motivos de esperança, com esta votação na ONU, para que nos animam a seguir com esta causa".

 

Nascimento de uma nova cultura vocacional

"É importante que na paróquia seja sempre muito forte a consciência vocacional de todos os fieis" – disse Amedeo Cencini, professor de Pastoral Vocacional na Universidade Salesiana, no III Fórum Nacional de Vocações, realizado em Fátima.

Durante dois (27 e 28 de Outubro), os participantes reflectiram sobre «A paróquia como lugar vocacional» e nas palavras de abertura desta iniciativa, o Presidente da Comissão Episcopal das Vocações Ministérios, D. António Francisco Santos, sublinhou que a causa que "aqui nos congrega é de importância relevante para a Igreja de Portugal". As razões que levaram a um tão grande número de participantes realçam "de modo claro e inequívoco que não faltam trabalhadores dedicados e generosos neste campo da vanguarda da missão: a pastoral vocacional nas nossas Igrejas Diocesanas e em todos os Institutos de vida consagrada".

"A paróquia tem sempre a abundância dos dons, de carismas, de ministérios, de tudo o que o Espírito Santo dá à sua Igreja, em ordem à salvação de todos" – referiu o Pe. Amedeo Cencini que orientou quatro conferências: "Pedagogia Vocacional na Paróquia"; "Dinamismos da fé e pastoral vocacional"; "Itinerários Vocacionais" "e Testemunhos/Mediações Vocacionais".

Na sua mensagem para a XLIII Jornada Mundial de Oração pelas Vocações, em Maio passado, D. António Francisco dos Santos, presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios, referia que "a Pastoral Vocacional pode e deve ser o motor da mudança cultural e da renovação pastoral das Paróquias". "O processo de desvalorização cultural e eclesial das vocações empobrecem as Paróquias e os Movimentos Apostólicos. Urge reencontrar esta natural correlação entre o dinamismo vocacional de uma Comunidade e o seu crescimento na fé" - escreveu o prelado.

A crise vocacional mais grave é a ausência da perspectiva cristã nas diferentes realizações profissionais. Nesta linha, Amedeo Cencini sublinha que é necessário que nasça uma "nova cultura vocacional". Na Pastoral Vocacional, "não faz sentido trabalhar em busca de uma só vocação" porque "todos os viventes são chamados".

A Paróquia é na realidade um verdadeiro lugar vocacional e fonte de dinamismos de fé e de vocação. "Nasceram na Paróquia e na Família muitos dos itinerários vocacionais de todos nós" – afirmou D. António Francisco Santos. E finaliza: "importa ter um olhar novo e diferente para todos os agentes da pastoral que são sempre agentes de pastoral vocacional".

 

Evangelizar através da Música

Em Avanca, no festival da canção de mensagem cristã

O grupo "Jovens em Movimento", grupo de jovens cristãos da paróquia de Avanca, (diocese de Aveiro) vai organizar um festival da canção de mensagem cristã, onde estarão presentes, o grupo anfitrião, o grupo de jovens da Gafanha da Nazaré e o grupo "Paz Inquieta", este último já profissional. Este evento terá lugar no Auditório do Centro Paroquial de Avanca, no dia 11 de Novembro, pelas 21H30.

O grupo Jovens em Movimento e o Grupo de Jovens da Gafanha participaram no festival da canção mensagem na Diocese de Aveiro.

Como a música é uma grande forma de influência sobre as pessoas, o objectivo deste espectáculo é divulgar a música como forma de evangelização. "Música que pode ser de qualquer estilo, que pode ser ouvida em qualquer lugar e neste caso mesmo vivida num concerto, tendo sempre em comum o facto de as letras falarem dos valores cristãos. Esperamos também com este evento, motivar, para que mais gente aposte também na música para levar Cristo ao mundo" – refere um comunicado deste grupo.

 

Encenação do «Filho Pródigo»

No Santuário de Fátima

A conhecida Parábola do Filho Pródigo vai ser apresentada no Santuário de Fátima em várias datas e durante próximos meses, até Abril de 2007.

Pretendendo com a celebração do 90 anos das Aparições de Fátima (2006-2007) enaltecer-se e louvar-se o amor de misericordioso de Deus – "Celebremos a Misericórdia do Senhor" –, nada melhor que a Parábola do Filho Pródigo para simbolizar a misericórdia de Deus, e a misericórdia enquanto valor cristão e humano que cada pessoa deve praticar e promover.

Continuando a apostar na cultura, nas mais diversas áreas, para ajudar à vivência das celebrações dos 90 anos, o Santuário, através da Comissão Coordenadora do Programa dos 90 Anos, apresenta a peça teatral "O Filho Pródigo", encenada por Andraej Kowalski e a levar ao palco pelo grupo teatral de Leiria "O Nariz - Teatro de Grupo".

A partir da Parábola do Filho Pródigo, a peça teatral transporta para a cena uma leitura mais actualizada, com base num texto inédito de Hélder Wasterlain e João Maria André.

O texto sublinha a misericórdia, mas nele também estão contidas vivências de tristeza, amargura e solidão, e, por outro lado, de busca incessante, esperança e amor.

O encenador, nascido na Polónia e residente em Portugal desde 1976, afirma-se optimista em relação ao trabalho. A respeito do tema, considera-o "comum a toda a gente".

Em entrevista à Sala de Imprensa do Santuário, Andraej Kowalski refere que o convite do Santuário, ao encomendar-lhe uma peça sobre a Parábola do Filho Pródigo, foi "logo à partida um desafio, porque tratou-se de um tema imposto". A partir da resposta positiva dada ao Santuário, Andraej Kowalski seleccionou de seguida os escritores para o texto e um grupo de teatro para o representar.

"Pedi aos escritores Hélder Wasterlain e João Maria André um texto em escrita simples, a partir de uma situação comum, que não fosse rebuscado", refere o encenador, acrescentando que a escolha da companhia de teatro recaiu imediatamente para ‘O Nariz - Teatro de Grupo’, "pela proximidade (geográfica) e por aquilo que conheço do trabalho deles, por aquilo que valem, pela qualidade com que trabalham".

Assim, em cenários simples, no salão da Casa de Nossa Senhora do Carmo, no Santuário de Fátima, oito actores vão levar à cena, em seis sessões, "O Filho Pródigo", uma peça onde se evidencia o amor do pai e que dá um destaque especial à figura da mãe.

"(Dar destaque à figura da mãe) Foi uma opção imposta por mim aos autores do texto. Acho que a figura da mãe é incontornável na vida de qualquer um. Sendo nós filhos pródigos, quando pensamos no regresso, pensamos na mãe, no carinho, no aconchego. Na nossa cultura ocidental, e também na oriental, a figura da mãe está em segundo plano. Eu quis (com este trabalho) reabilitar a figura materna", explica Kowalski.

Em relação à leitura que cada espectador possa vir a fazer da peça, o encenador afirma "que a dimensão religiosa terá de ser dada pelo espectador, nós nunca podemos saber antecipadamente". Kowalski prefere sublinhar a "universalidade das parábolas" e que "todos somos filhos pródigos, tendo fé ou não tendo fé. É humano".

Estando a apresentação da peça agendada para a primeira noite de cada Retiro de Oração que o Santuário está a organizar até Abril de 2007, a assistência à peça é no entanto aberta a todos os interessados, mesmo que não pretendam participar nos retiros.

Em todo o caso, quem pretenda assistir à peça deverá proceder a inscrição prévia, para reserva de lugar. As entradas são gratuitas.

A apresentação de "O Filho Pródigo" será sempre feita na noite do primeiro dia do retiro de oração, às 21h00, na Casa de Nossa Senhora do Carmo, nas seguintes datas: 9 de Novembro e 7 de Dezembro de 2006, e, em 2007, a 11 de Janeiro, 8 de Fevereiro, 8 de Março e 12 de Abril.