Igreja em Portugal e no mundo
Acompanhamento espiritual é direito dos doentes
Cerca de 70 Capelães, Assistentes Espirituais e Animadores Pastorais de todo o país
reuniram-se em Fátima, na I Assembleia Nacional, para análise da "qualidade, da formação e do futuro". A aposta na qualidade e na formação foi um dos objectivos do encontro, numa altura em que se discute o futuro do acompanhamento e da assistência religiosa nos Hospitais.
Novos modelos de gestão, entre outros motivos, muitas vezes de cariz ideológico, acabam por, em muitas circunstâncias, impedir a assistência espiritual. "O acompanhamento espiritual e religioso é um direito inquestionável de todas as pessoas doentes, qualquer que seja o seu credo ou opção espiritual", referem as conclusões do evento.
"O respeito por este direito da pessoa doente, dimensão essencial dos cuidados de saúde cada vez mais unanimemente reconhecida, deve estar acima de quaisquer critérios económicos, ideológicos ou outros", acrescentam os participantes.
A formação dos agentes para o acompanhamento nas Instituições de Saúde contará, no próximo ano, com um Curso de Mestrado ou Pós-graduação – "Ética, Espiritualidade e Saúde" - que terá início na Universidade Católica Portuguesa em Fevereiro.
Os participantes na Assembleia pedem ao Ministério da Saúde para que "o estatuto desta dimensão dos cuidados e dos seus prestadores seja claramente definido legislativamente, de modo a evitar as situações de recusa ou omissão por parte das Instituições Hospitalares".
A preocupação estende-se "às pessoas doentes que perfilhem outros credos ou opções espirituais, através da regulamentação da Lei da Liberdade Religiosa, sem ignorar a realidade sociológica e cultural portuguesa".
Vocações: uma questão de marketing?
A primeira Escola Prática de Marketing para agentes da Pastoral das Vocações da Vida Consagrada arrancou a 23 de Novemrbo, para terminar só a meio do próximo ano. Dinamizada pela Comissão de Pastoral das Vocações dos Institutos Religiosos, a iniciativa vem no seguimento de encontros anteriores, onde tentaram reflectir sobre como o Marketing influenciaria a questão vocacional.
A transmissão da mensagem é o mais importante, tanto no Marketing como na Evangelização, pelo que estas técnicas aplicadas à Igreja e às vocações poderiam trazer vantagens. Isso mesmo explica a Irmã Margarida Ribeirinha, da Comissão de Pastoral das Vocações da CIRP.
As regras e ideias que se associam ao Marketing estão ligadas ao consumo e a técnicas de vendas. Mas antes de concretizar este objectivo, o Marketing é acima de tudo um conjunto de técnicas que permitem aproximar a oferta e a procura. Uma relação que se pretende eficaz, através da mensagem que se quer dirigir ao consumidor.
Aos conceitos teóricos, juntam-se questões mais práticas. "Aprender a realizar um estudo do meio, a trabalhar a mensagem e melhorar o serviço" aponta a Irmã Margarida. A teoria apresentada por especialistas na matéria é reflectida nas manhãs do encontro. À tarde, Carlos Liz, especialista em Marketing e assessor da Comissão de Pastoral das Vocações da CIRP, faz a ponte para a vida consagrada.
A procura tem o papel principal. O trabalho vocacional ou mesmo o desenvolvido em Igreja, também é uma relação, entre a mensagem do Evangelho e as pessoas a quem se pretende transmitir a mensagem. O marketing é uma disciplina desenvolvida na sociedade contemporânea, o Marketing social incluído. "Nas vocações temos muito a ideia de que se trata de uma relação entre Deus e cada pessoa individualmente" dá conta Carlos Liz, mas é também necessário "criar condições para que a voz de Deus se ouça melhor", através de técnicas relacionais. "O Marketing pode simplificar nesta relação", através de uma melhor qualidade de comunicação.
O encontro começou com a melhor forma de conhecer a procura, ou os outros, "por exemplo nos jovens, tentando perceber porque é que se aproximam das estruturas da Igreja, mas depois desmotivam e acabam por se afastar" aponta. O segundo passo é dado a partir da qualidade nas relações humanas, nomeadamente qualidade na relação de cada pessoa consigo próprio e com os outros. O saber comunicar é o último passo. Ter em conta diferentes públicos e adequar as mensagens aos diferentes grupos. No fundo, "conhecer os outros, partir da sua realidade, aplicando regras de qualidade objectiva mas comunicando eficazmente" resume Carlos Liz. Porque para comunicar bem "é preciso ter regras e sentir o tempo" ou seja, adequar a linguagem evangélica ao tempo actual.
Dando agora os primeiros passos nesta escola prática de marketing, "seria possível aplicar estas técnicas a todo o trabalho desenvolvido em Igreja" não apenas às vocações e também passível de ser reflectida não apenas entre religiosos mas "proporcionar a todos os que se comprometem com a evangelização".
"Pretendemos chegar ao maior número de pessoas" esclarece a Irmã Margarida. A escola vai andar por Lisboa e pelo Porto, para facilitar que neste momento "mais animadores da pastoral vocacional possam reflectir sobre este tema".
Cáritas apresenta operação «10 milhões de estrelas» para este Natal
A Cáritas Portuguesa apresentou, a 28 de Novembro, a Operação "10 Milhões de Estrelas – Um Gesto Pela Paz", para o Natal de 2006.
O objectivo desta operação é motivar cada cidadão para a aquisição de uma vela que, quando acesa (dia 6 de Dezembro em manifestação pública e dia 24 por iniciativa de cada pessoa ou família), simbolize a adesão de toda a população portuguesa à causa da Paz.
"Neste Natal, contrariando as tendências consumistas que desvirtuam o seu verdadeiro sentido, a Caritas Portuguesa lança um desafio a todos os cidadãos, independentemente das suas convicções religiosas ou políticas: vamos, juntos, acender uma vela, símbolo do nosso desejo de paz para o mundo", refere um comunicado enviado à Agência ECCLESIA.
Das verbas recolhidas pela campanha, 30% ficarão para a Cáritas Portuguesa e serão aplicadas no apoio a um país em vias de desenvolvimento, (este ano será o Brasil) apoiando um projecto da Cáritas Brasileira especialmente pensado para dar resposta às necessidades/urgências de idosos carenciados. Os restantes 70% ficarão para cada Cáritas Diocesana, sendo já certo que todas elas irão igualmente apoiar projectos nacionais no âmbito desta temática.
"10 Milhões de Estrelas" teve a sua origem na operação "Velas", lançada em 1984, em Annecy (França), pela respectiva Cáritas Diocesana. Durante o tempo do Advento, as pessoas foram convidadas a acender velas, um gesto simbólico de alerta para a necessidade de construção da paz. Em 1991, a campanha tornou-se nacional, adoptou o nome "10 Milhões de Estrelas" e passou para o período do Natal.
Por proposta da Cáritas Portuguesa, várias Cáritas Diocesanas responderam ao desafio de implementar esta operação, cujo principal propósito é sensibilizar toda a população para a importância dos valores da paz, da solidariedade e da reconciliação.
Procurar o «Menino» que é Natal
«Um Menino chamado Natal» foi lançado a 23 de Novembro, em Lisboa, e pretende "recuperar o verdadeiro sentido do Natal" – disse à Agência ECCLESIA Joaquim Franco, autor da obra projectada por duas editoras – Lucerna e Sociedade Bíblica – com uma mensagem de motivação ecuménica, vocacionada para toda a sociedade. Como existe uma mensagem sublime na narrativa do Natal – algo transversal ao Ser Humano – o "Natal é sempre o culminar de uma procura". Neste caminho existem momentos que nos "confrontamos com a procura" e "há sempre momentos que temos de enfrentar dificuldades" – salientou o autor.
Para recuperar o verdadeiro sentido da Natividade "nada melhor do que dar ao Menino que o explica o nome que se assinala" – sublinha. Um trabalho que reflecte também o labor jornalístico do autor. "Aqui está o Joaquim Franco que exerce jornalismo, mas também aquele que é pai e um filho" – disse.
Apesar de faltar mais de um mês para a celebração do Natal, "o mistério da Natividade está inerente ao Ser Humano". E acentua: "entranhou-se nas culturas que vão orientando a vida". Há o risco de "banalizar o verdadeiro sentido do Natal cristão" até porque, actualmente, se vive mais o Natal da árvore e das luzes. E avança: "O Natal é muito mais que isso".
Com cerca de oitenta páginas, o livro divide-se em três partes: 33 presépios de todo o mundo (da colecção particular de Frei Lopes Morgado; da colecção Museu de Arte Sacra e Etnologia dos Missionários da Consolata; Presépio oferecido pelo Presidente da Autoridade Palestiniana, Yasser Arafat, ao Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio e um presépio desenhado pela pintora timorense Fátima Guterres para ilustrar um poema escrito, em 1999, em Timor-Leste), Textos bíblicos referentes à Natividade (praticamente todos do Novo Testamento) e textos de autor em vários estilos narrativos. "Três partes que se juntam num todo com o objectivo de fazer presente esta mensagem" – realçou Joaquim Franco.
De que falamos, afinal?
Vem ao nosso encontro e não podemos detê-lo. Amando o que de sublime traz e recusando o que repete de já visto e ouvido. O que nos cansa e enternece. O que humaniza e gera indiferença na estonteante roleta do comprar e vender. E uma sequência de símbolos híbridos e esvaziados. Ao mesmo tempo, um compêndio do que poderíamos ser em humanidade, liberta de todos os conflitos. Mil sorrisos, mil ternuras e um desfecho inesperado como todos os discursos publicitários. Remetendo-nos sempre para a loja dos trezentos com mau negócio certo, na astúcia de vender e na pressa de comprar. E, todavia, a sedução do inatingível e do perfeito. Não passa duma rotina cultural, dizem uns. É um momento privilegiado para o homem reconhecer o melhor e o pior que é, e quanto poderia ser. O fascínio das crianças manchado pelo desatino dos embrulhos e desembrulhos. E o tempo da grande explosão de alegria em família.
É o Natal, concreto, que Deus envia e nós burilamos com a nossa infantilidade e com os velhos truques que só nos enganam a nós mesmos.
Vem aí. Vem ao nosso encontro. Este Natal de rosto duplo mas onde pode brilhar o rosto de Deus nos luzeiros do mercado, à mistura com um paganismo trauteado em melodias ternas onde não se descobre o endereço do presépio.
Silêncio semelhante acompanhou os passos perplexos de José e Maria na sua caminhada até Belém. Afinal era o Filho de Deus que estava a caminho. Para simplificar, chamemos ao ontem e ao hoje o mistério do Infinito de Deus no espaço estreito do homem.
António Rego
Taizé: dezenas de milhares de jovens de toda a Europa em Zagreb
Dezenas de milhares de jovens de toda a Europa vão encontrar-se em Zagreb, de 28 de Dezembro de 2006 a 1 de Janeiro de 2007, para o 29° Encontro Europeu de Jovens animado pela Comunidade de Taizé. De Portugal são esperados mais de 500 jovens que, do Minho ao Algarve, se preparam para mais esta Peregrinação de Confiança.
Há mais de 30 anos que são numerosos os Croatas que participam nos encontros em Taizé, na Borgonha, e nos encontros de final de ano nas cidades europeias. «Estão muito contentes por poderem acolher jovens de toda a Europa no seu próprio país», comenta um dos irmãos de Taizé que está em Zagreb desde Setembro. A equipa de preparação de que este irmão faz parte está confiante que todos os jovens serão alojados em famílias.
«Chegou o momento para darmos novos passos na construção de um futuro de paz, com jovens Croatas, com os seus vizinhos e com jovens de toda a Europa», diz o irmão Alois, o prior de Taizé. O irmão Alois vai falar todas as noites no Parque de Exposições de Zagreb que, durante 4 dias, se tornará num amplo espaço de oração e reflexão.
O irmão Alois vai publicar uma carta dirigida aos jovens, por ocasião deste Encontro. Será chamada «Carta de Calcutá», dando seguimento ao encontro de Taizé que reuniu em Outubro vários milhares de jovens nesta cidade da Índia. A «Carta de Calcutá» e o programa do Encontro de Zagreb estarão disponíveis no site de Taizé (www.taize.fr) uns dias antes do Natal.
A fim de prepararem os jovens para o Encontro de Zagreb, alguns irmãos de Taizé viajam na Europa ao longo de todo o Outono. Na Alemanha, durante todo o mês de Novembro, uma centena de «noites de luz» reuniu milhares de jovens em muitas cidades alemãs. Outras viagens têm lugar na Ucrânia, na Bulgária, na Polónia, na Sérvia, na Bósnia, em Itália e em várias regiões de França.
Uma missa com a Comunidade de Taizé e milhares de jovens reunidos na Catedral de Zagreb será retransmitida em directo por alguns canais de televisão no dia 31 de Dezembro a partir das 10h57m.
Referendo sobre o aborto será a 11 de Fevereiro de 2007
O Presidente da República, Cavaco Silva, marcou para 11 de Fevereiro de 2007 o referendo sobre o aborto. Nesta data, os portugueses residentes no território nacional serão chamados a dizer se concordam ou não "com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado".
Cavaco Silva recordou o referendo sobre a mesma matéria em 1998 e sublinhou que o debate permaneceu na ordem do dia, "constituindo um tema que recorrentemente é objecto de discussão no plano político, nos meios de comunicação social e no seio da sociedade civil".
O Presidente da República defendeu que "é imprescindível que o debate sobre uma questão deste alcance decorra com a maior serenidade e elevação." Um debate que deseja "sério, informativo e esclarecedor".
Bento XVI condena divisões entre cristãos
Papa disponível para estudar outros «caminhos» para o exercício do primado universal
Bento XVI manifestou na manhã do dia 30 de Novembro, em Istambul, a sua tristeza pelas divisões que existem entre milhões de cristãos de diversas confissões, considerando que as mesmas "são um escândalo para o mundo e um obstáculo para a proclamação do Evangelho".
No discurso que proferiu após a Divina Liturgia na igreja ortodoxa de São Jorge, por ocasião da Festa de Santo André, o Papa apelou a um compromisso comum no caminho "rumo à plena comunhão entre a Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla".
"Posso assegurar que a Igreja de Roma está pronta a fazer todos os possíveis para superar os obstáculos", apontou. O testemunho comum, frisou, é fundamental perante o processo de secularização que, na Europa, "enfraqueceu" a tradição cristã.
O Papa foi directo a um dos temas que mais divide as duas Igrejas, o primado universal de Pedro e dos seus sucessores, para referi que o mesmo é um "serviço" que, lamentavelmente, "deu origem às nossas diferenças, que esperamos superar graças, também, ao diálogo teológico que foi retomado recentemente".
Neste sentido, Bento XVI retomou palavras de João Paulo II, indicando a "misericórdia" como elemento chave da missão do Papa e renovando a disponibilidade para "identificar caminhos em que o ministério petrino possa ser exercido, respeitando a sua natureza e essência". O objectivo seria "realizar um serviço de amor reconhecido por uns e outros".
Do Fanar de Istambul, sede do Patriarcado Ortodoxo, o Papa renovou o pedido a todos os líderes do mundo para que respeitem a liberdade religiosa "como um direito humano fundamental".
Aqui teve lugar mais uma prova de diálogo e unidade, quando Bento XVI e Bartolomeu I se debruçaram sobre a varanda do Fanar para uma bênção comum, seguida de um gesto de amizade do Patriarca, que tomou a mão do Papa, levantando-a para o céu.
José Sócrates elogia o Papa
O Primeiro-Ministro, José Sócrates, diz que a visita do Papa à Turquia "é uma boa notícia para o mundo".
José Sócrates diz que o Papa Bento XVI "fez muito bem em visitar a Turquia", dando, desta forma, "um sinal claro de tolerância religiosa e de diálogo".
O Primeiro-Ministro olha ainda para a visita do Papa como um exemplo que pode ter repercussões políticas, afirmando ser "absolutamente indispensável, para que haja uma melhor relação entre o mundo ocidental e o mundo islâmico" de modo a que "o diálogo entre a União Europeia e a Turquia se faça com respeito pela lealdade negocial e sem preconceitos".
Património religioso é do melhor que há em Portugal
D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra, acompanha há muitos anos as questões do Património da Igreja. Em entrevista, confessa que cada vez mais pessoas se apercebem da sua importância.
Agência ECCLESIA (AE) - Qual a importância do Património Religioso para a Igreja, Poder Estatal e Poder Local?
D. Albino Cleto (AC) - É muito grande e, em Portugal, muito maior que noutros países. Já ouvi dizer, das entidades estatais que o património religioso e artístico no nosso país rondará entre os 70% e os 80%. O património religioso (arquitectura, pintura, ourivesaria, paramentaria e estatuária) é do melhor que há em Portugal.
AE - Como está o relacionamento entre a Igreja e as entidades civis que "guardam" este património?
AC - Ao nível local, na maioria dos casos está bom. Embora com alguns perigos tais como o facilitismo. A nível médio, entre as dioceses e as organizações distritais, depende porque muitas vezes há bom diálogo mas também desconfiança mútua e justificada. Nem sempre há entendimento entre os critérios da Igreja e os do IPPAR. A nível superior estamos a sentir um certo distanciamento a que não estávamos acostumados, concretamente com o Ministério da Cultura. Notamos um silêncio que nos preocupa e não sabemos explicar.
AE - Para quando a melhoria de relações?
AC - Esperamos que seja para breve. A concretização daquilo que a Concordata dispõe - a constituição de uma Comissão Bilateral - verificamos que não tem havido - da parte do Estado - resposta.
AE - A Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa aprovou, em Abril de 2002, a criação da Associação Portuguesa dos Museus da Igreja Católica. Já está a funcionar em pleno?
AC - Ainda está a dar os primeiros passos. Recentemente, foi homologada a segunda direcção que está a lançar-se nas primeiras iniciativas.
AE - Há critérios uniformes para avaliar e descrever o Património Religioso?
AC - Os critérios não são necessariamente eclesiásticos. São critérios europeus. Pertence ao Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja dar orientações e temo-las dado. Pertence a cada diocese orientar-se ou não por essas sugestões dadas. Há 20 anos pedia-se que se cuidasse e inventariasse o que havia de melhor mas neste momento considera-se património notável - mesmo apenas para efeitos históricos - uma peça de cerâmica, peças de vidro e também restos de paramentos que não são usados.
Outrora a inventariação era feita em papel. Actualmente, procuramos que seja informatizada. Felizmente que temos dioceses que estão a fazer essa informatização.
AE - Quando é que este património religioso passa a ser também um meio evangelizador?
AC - Já é evangelizador. Algumas exposições feitas foram grandes catequeses visitadas por milhares de pessoas. As visitas guiadas feitas a estes eventos não eram somente de teor artístico-histórico. Fazia-se sempre uma catequese.
AE - Então não há o perigo destas peças serem "mudas" para quem as visita?
AC - Felizmente que em muitas dioceses estamos a "interpretar" as peças. E cito um exemplo: em Beja, o património fala. Fala da história da Igreja, fala do esforço feito e também da devoção popular. As exposições feitas falam da fé de um povo.
AE - Para quando a internacionalização dessa linguagem com as peregrinações vindas do exterior?
AC - Já existe. Embora tenha que confessar que não está a ser feito - pela Igreja que acolhe e pelas agências turísticas - como gostaria. O património arquitectónico já tem essa vertente. Lembre-se a Batalha, Alcobaça e Jerónimos. Posso citar também o exemplo de Coimbra visto que quando os turistas estrangeiros vêm a esta cidade não se ficam apenas na História de Inês de Castro mas vão visitar, sobretudo, a velha Sé e ficam abismados com a Sé Nova. A estes turistas também lhes é mostrado o Mosteiro de Santa Cruz.
Excluindo o caso de Fátima, aí temos peregrinos por motivos religiosos mas também uma grande oferta de património: os museus de Fátima.
AE - A comunidade dos crentes tem consciência e está desperta para o património que a sua paróquia possui?
AC - Vamos caminhando. Há 20/30 anos poucas eram as comunidades que tinham consciência de toda a riqueza patrimonial que possuíam. Neste momento, de modo geral, a comunidade cristã - seja na mais pequena aldeia ou na cidade - tem consciência da riqueza patrimonial. Têm consciência disso para defender e conservar porque não há paróquia que permita que o padre venda uma imagem. Aí do pároco que fizer isso... mas ainda vamos a meio do caminho. Muitos não sabem aproveitá-la catequeticamente. Outras vezes, o povo não deixa que a peça saia da sua paróquia.
Conselho das Conferências Episcopais da Europa reúne em Fátima no próximo ano
Fátima vai receber, entre 04 e 07 de Outubro de 2007, uma reunião do Conselho das Conferências Episcopais da Europa, que congrega as hierarquias da Igreja Católica de 34 países.
O anúncio foi no dia 14 de Outubro, em Fátima, pelo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Jorge Ortiga, no final do VII Encontro das Igrejas Lusófonas, que decorreu em Fátima de de 10 a 14 de Outubro.
Recorde-se que, participaram no VII Encontro das Igrejas Lusófonas catorze prelados dos seguintes países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, S. Tomé e Príncipe, Macau e Timor-Leste. Na ocasião, o Santo Padre Bento XVI associou-se ao Encontro com uma mensagem de afecto e proximidade espiritual, que foi lida pelo Núncio Apostólico em Portugal, que esteve presente na sessão de abertura, à qual presidiu.
Reitores de Santuários de França reúnem em Fátima
A Associação de Reitores de Santuários Franceses (Association des Recteurs de Sanctuaires – ARS) realizará em Fátima a 27ª edição do Congresso Anual da associação, que terá lugar nos dias 15 a 18 de Janeiro de 2007.
Para além dos 130 reitores de Santuários de França, está também prevista a presença neste congresso de D. Jorge Ortiga, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, de D. José da Cruz Policarpo, Cardeal-Patriarca de Lisboa, e de D. António Marto, Bispo de Leiria-Fátima.
A ideia da organização do congresso em Fátima nasceu do convite formulado pelo Reitor do Santuário de Fátima, Mons. Luciano Guerra, à Associação de Reitores de Santuários Franceses.
"Esta realização (em Fátima) é devida a um convite meu, não só por ocasião do ano do 90º aniversário das aparições de Fátima, mas também como sinal de reconhecimento pelo acolhimento fraterno que esta associação me dispensa no seu congresso anual, no qual participo desde há 23 anos", afirma Monsenhor Luciano Guerra.
Relativamente ao programa, ainda em elaboração, este incluirá a realização de mesas redondas e a apresentação de conferências, visitas aos locais das aparições e a vários espaços do Santuário de Fátima e também a deslocação a vários locais turísticos integrados na Região de Turismo de Leiria-Fátima. Em termos de celebração religiosa, serão celebradas várias Eucaristias durante este congresso, no qual será terá ainda lugar a Assembleia-geral da ARS.
«Pastorinhos» ajudam a pagar igreja
Um pasteleiro de Alverca do Ribatejo encontrou uma solução original para ajudar a pagar as dívidas da igreja da paróquia, a primeira igreja do mundo consagrada a Francisco e Jacinta. "Os pastorinhos" são um doce conventual que adoçam a boca dos fiéis mais gulosos e geram receitas.
"A ideia veio do senhor padre José Maria Cortes, que há cerca de dois anos sugeriu-me que criasse um doce conventual". Domingos Barreto aceitou o repto e, como "não tinha experiência" na confecção daquele tipo de doçaria, foi "de tentativa em tentativa", desenvolvendo o bolo "por fases".
"A primeira amostra dei a provar a familiares, que não ficaram muito agradados com o sabor", relembra. No entanto, o pasteleiro não foi de desistir e, entre tachos e panelas, foi adicionando "mais açúcar aos ingredientes". Por fim, recebeu a aprovação de todos, não só dos familiares, como também dos clientes da sua pastelaria.
"A gila e amêndoa são dois dos ingredientes do queque, ao qual acrescento açúcar e gemas de ovos", revelou o pasteleiro. "O resto não posso dizer. Está no segredo dos deuses", rematou.
Em Janeiro, será criada uma página na Internet dedicada ao referido doce conventual. E será assegurado o fornecimento do doce a seis pontos da região. E será uma ajuda preciosa para pagar a dívida que ficou da construção da igreja.
4 milhões de visitantes passaram pelos Museus do Vaticano
Mais de quatro milhões de pessoas já visitaram os Museus Vaticanos em 2006, ano em que se assinala o 500º aniversário da sua fundação. Com esse número, o Vaticano reforça sua posição entre os museus mais visitados do mundo.
O ano passado mais de 3,82 milhões de pessoas tinham passado por estes espaços, para apreciar um dos espólios mais interessantes e ricos do mundo, abrangendo obras de arte que representam não só a arte grega e romana do período clássico, como a das sociedades primitivas, e contam toda a história da cultura europeia até à actualidade. Estas obras de arte foram acumuladas através de ofertas e aquisições dos Papas que sempre foram grandes patronos de arte.
As comemorações dos 500 anos dos Museus Vaticanos, inaugurados em 1506, no pontificado do Papa Júlio II culminam com uma exposição da estátua de Laocoonte, uma das esculturas mais célebres da história da arte. A mostra, que documenta a descoberta da escultura, ficará aberta ao público até 28 de Fevereiro de 2007.
História
Os Museus vaticanos nasceram com uma pequena colecção privada de esculturas pertencentes a Júlio II (Papa de 1503 a 1513), situada no chamado "Pátio das Estátuas do Belbedere", hoje "Pátio Octogonal".
Os Museus, 12 ao todo, ocupam no conjunto uma área de cerca de 40 mil metros quadrados e recebem todos os anos perto de três milhões de visitantes. Na sua forma actual, os Museus Vaticanos são um conjunto de monumentos, galerias e palácios pontifícios que começaram a ser construídos durante o século XVIII, nos pontificados de Clemente XIV e Pio VI.
O circuito fundamental deste que é o maior museu de frescos do mundo começa no Pátio da Pinha, segue pela Galeria dos Candelabros (apresentando esculturas gregas e romanas, e com uma bela vista para os Jardins do Vaticano), a Galeria das Tapeçarias (onde estão expostas tapeçarias feitas a partir de desenhos de Rafael e Leonardo da Vinci), a Galeria dos Mapas, os Quartos de Rafael (decorados com frescos do famoso pintor, onde se destaca o inspirador A Escola de Atenas), passando pela Biblioteca Apostólica em direcção à Capela Sixtina.
É possível ainda visitar o Museu Pio-Clementino, o Etrusco e o Egípcio, o Gregoriano, Profano, Pio-Cristão e Missionário Etnológico, a Pinacoteca (onde se podem encontrar obras de Leonardo, Ticiano eVeronese, entre outros), o Pavilhão dos Coches ou o Museu de Arte Contemporânea.
Desde o início do ano 2000, os Museus Vaticanos recebem os seus visitantes numa nova e espaçosa entrada, onde se encontram os serviços destinados ao público, decorados com diversas obras de arte, algumas das quais expressamente realizadas para o lugar.
Os Museus podem ser ainda visitados através da Internet, a partir da página da Santa Sé (www.vatican.va). De ligação em ligação, é possível visitar vários sectores dos museus, como as áreas dedicadas à arte egípcia e etrusca, a Capela Sixtina, a Pinacoteca e o Museu Missionário de Etnologia.
Em cada sector encontram-se imagens, algumas com a possibilidade de serem vistas a 360º, plantas e explicações sucintas, de forma a que o visitante virtual possa fazer uma ideia mais aproximada da riqueza artística destas dependências do Vaticano.