A Igreja vive da ressurreição e renova-se
O tempo pascal proporciona à comunidade cristã um dinamismo que brota da ressurreição de Jesus Cristo. Não irei entrar no aprofundamento da celebração do Tríduo Pascal, em que tudo começa, com toda a riqueza litúrgica, catequética e pastoral, que a Igreja vem desenvolvendo na sua história multissecular. Muito haveria que reflectir sobre o Baptismo, a Eucaristia e os outros sacramentos. Apenas sublinho dois aspectos, entre tantos importantes, que se me apresentam como fundamentais:
Primeiramente, é essencial que os cristãos continuem a aprofundar a participação nas suas assembleias, que expressam um verdadeiro fruto da ressurreição de Jesus Cristo. No dia da ressurreição, os discípulos estavam reunidos, quando o Ressuscitado lhes apareceu à tarde. Não esqueçamos os que seguiam desanimados, a caminho de Emaús, com quem o Senhor fez caminhada, cujos olhos e coração se abriram ao sinal do pão. Voltaram alegremente para junto dos outros, e Tomé não estava, quando veio o Ressuscitado. Oito dias mais tarde, de novo domingo, estavam reunidos, já com a presença do apóstolo que precisou de ver para crer. Outro domingo, 50 dias mais tarde, estavam também reunidos, com as portas fechadas, por medo dos judeus, e o Senhor, que tinha subido para o Pai, cumpre a promessa, e envia o Espírito, que espalha e assiste os discípulos por toda a terra. Já nos primeiros séculos do cristianismo, os cristãos da Abitínia, norte de África, afirmavam: "Não podemos viver sem o domingo", o que significa que não eram capazes de passar o domingo sem se reunir em assembleia.
Tudo isto quer dizer que os cristãos precisam de continuar a celebrar a presença do Ressuscitado, em cada domingo. Precisam de que o seu coração se aqueça, se abra aos sinais, se renovem pelo poder da ressurreição e pela força do Espírito. A comunidade reunida é sinal do Ressuscitado. Hoje, não somos melhores que Tomé. Não vemos o Senhor, mas vemos o Seu Corpo, que é a Igreja. Não pomos as mãos no seu lado, mas experimentamos o amor. Como é possível, pois, afastar-se da Igreja, passar o domingo sem a Eucaristia, não escutar a Palavra e beneficiar do dinamismo pascal?
Na actualidade, esta mesma comunidade continua a necessitar do dinamismo da renovação, a quem Bento XVI aponta "caminhos para uma Igreja de comunhão, para uma reorganização eclesiástica e também para uma mudança de mentalidade". Lembrou-o D. Jorge Ortiga, reeleito Presidente da Conferência Episcopal, em que importa "preparar agentes e promover a corresponsabilidade consciente nos leigos, e os Bispos se dispõem a incentivar a sua formação", como refere o comunicado final da Assembleia Plenária da CEP. Assim, a Igreja em Portugal deve apostar na iniciação cristã. Tal como foi possível vencer o desafio para uma catequese organizada, em que o projecto de dez anos, para a infância e adolescência, é hoje praticamente assumido, também se está a pensar nos adultos, em que "o actual enquadramento social, cultural e eclesial, vivido pelas comunidades cristãs, requer a revisão dos percursos de iniciação cristã, bem como a renovação das estruturas de serviço pastoral", afirma o comunicado.
Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre. A Igreja, impulsionada pelo Espírito, prolonga o dinamismo do Ressuscitado. "Ao longo da história, soube encontrar modos para formar os seus cristãos perante contextos diversificados", referiram ainda os Bispos.
Evangelização de sempre e nova evangelização. Novo ardor, novos métodos e conteúdos. Novos desafios, num mundo novo, a exigir transformação da vida, pelo poder do Ressuscitado e pela acção do Espírito Santo.
É tempo de ressurreição. É tempo de ser Igreja. É tempo de renovação. É tempo de viver e testemunhar.
P. Armando