Ano Novo – Vida Nova
É um lugar comum o que escolhemos como título, mas há razões de sobra para nos expressarmos desta forma. O que não iremos fazer, será entrar na repetição dos slogans e votos para o início de um novo ano. Porque nos motiva sempre a perspectiva do futuro, contudo sempre com os pés na terra, partimos dos acontecimentos e da realidade.
O primeiro motivo é jubiloso, pois fazemos 41 anos, e, revendo o editorial de há ano, verificamos que tentámos levar por diante alguns propósitos para o futuro, e temos consciência de que procurámos concretizá-los. Contudo, não cristalizamos, e havemos de conseguir ir mais longe, servindo cada vez melhor a comunidade, a região e todos aqueles a quem nos dedicamos.
Uma das novidades imediatas é a da substituição do Director-Adjunto, em virtude das mudanças pastorais. Queremos agradecer ao P. Paulo Filipe
a solidariedade com o nosso jornal, a que se ligou de uma forma muito breve, não havendo tempo para que pudéssemos usufruir de uma colaboração mais profunda. A dar-lhe continuidade, como nos vamos habituando a uma certa precariedade no tempo, irá ficar o P. Laudo Corrêa, pároco de Santiago da Guarda, ao que consta apenas um ano. Como o povo diz que"o futuro a Deus pertence", teremos depois outras alternativas. Vamos então viver com esperança.
Terei que dirigir um apelo muito importante e urgente aos amigos: aumentem voluntariamente o contributo no valor da assinatura anual, pois acabámos de receber a informação desagradável, de termos que suportar, já a partir deste número, os custos com os correios, no envio para o estrangeiro. É a anunciada decisão do Governo, em extinguir progressivamente o apoio, através do porte pago. A surpresa imediata não nos permitiu fazer contas, o que irá acontecer na próxima edição, mas sugerimos desde já a vossa generosidade.
Vida Nova é o nome da nossa rádio, que acrescenta à sua identificação a realidade. Se a persistência deste projecto radiofónico muitos frutos já deu, e levou a vencer grandes contrariedades, numa história rica de enormes contributos, que muita gente não conhecerá, e um dia valerá a pena tentar identificar, contudo, um passo decisivo acaba de acontecer. É a continuidade de um serviço inestimável à região, mormente de uma paróquia que comunica, e que, permitam a apropriação, continua a "dar novos mundos ao mundo". Ao serviço do concelho e da região, mesmo noutros concelhos que têm rádios, e manifestam pouco sentido de proximidade, foi decisiva para organizar e dinamizar as rádios de inspiração cristã do País, e depois do mundo lusófono, continuando a ser charneira para mobilizar a solidariedade em prol das rádios cristãs dos países de língua portuguesa, sobretudo em África. Se não fosse a rádio, o nosso jornal não teria voltado a publicar-se, e, muito menos, não se desenvolveria, como se tem verificado. Então, a grande novidade, que tenho todo o gosto em partilhar com os amigos leitores, de um modo especial os que se encontram mais longe, mesmo do outro lado do mundo, é que agora já poderão acompanhar as nossas emissões, conhecer em directo as notícias da região, eventualmente ter informações dos amigos e ouvir as suas dedicatórias, através das suas emissões on line. Quem tem acesso à Internet poderá aceder directamente à nossa programação. Deste modo, Ansião ficará à distância de um clique para qualquer conterrâneo ou amigo, que nos sentirá em sua casa. Para já, é um projecto para um ano, gratuitamente, com o apoio do programa FEDER, mas teremos de descobrir como suportar as despesas regulares, posteriormente àquele período. Rádio e jornal estarão ainda mais unidos, a entrar em casa dos amigos, em qualquer parte do mundo.
A mensagem para o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais, a ser divulgada pela Santa Sé no dia 24 de Janeiro, memória litúrgica de São Francisco de Sales e padroeiro dos jornalistas católicos, vai ter como tema "as crianças e os meios de comunicação social: um desafio para a educação". Nada mais a propósito. Temos um projecto de envolver as escolas, no aproveitamento e valorização do nosso jornal. Começámos já a fazer contactos nesse sentido, e algumas acções estão a ser agendadas.
Como afirmou João Paulo II, "os meios de comunicação social atingiram tal importância que, para muitos, são o instrumento principal que os guia e inspira nos seus comportamentos pessoais, familiares e sociais" (RD, 3). É, pois, urgente, "os pais e educadores compreenderem a importante influência formativa dos media na vida das crianças", sublinha uma nota da Santa Sé. A Igreja, ao serviço da Boa Nova, em todo o tempo e lugar, "questiona-se agora, como deve utilizar os meios de comunicação na sua missão", afirmava recentemente o Cardeal Bertone. É hora de "grande esforço de comunicar o Evangelho e os seus valores neste tempo", disse. E nós continuaremos a bradar a pastores e fiéis que "a Igreja viria a sentir-se culpável diante do seu Senhor, se não lançasse mão destes meios potentes que a inteligência humana torna cada dia mais aperfeiçoados" (EN, 45).
A. D.