Em tempo pascal, a Igreja

vive o dinamismo da comunicação

 

  Cristo ressuscitou. Aleluia! Esta é a boa notícia, fundamento da nossa fé, que a Igreja proclama aos quatro cantos do universo. Para além do testemunho pessoal e comunitário, usa os melhores meios, que a cultura e as novas condições possibilitam, nomeadamente os meios de comunicação social. Incluindo a própria transmissão da Eucaristia, para me apoiar no documento mais recente do Papa, embora sem cumprir o preceito dominical, porque a linguagem representa a realidade, mas não a reproduz, eles “oferecem novas possibilidades, inclusivamente quanto à celebração eucarística” (SC 57). Porque a Eucaristia é centro e cume da vida cristã, dela brota o dinamismo da missão que faz de nós testemunhas. “Verdadeiramente, não há nada de mais belo do que encontrar e comunicar Cristo a todos” (SC 84).

  Recentemente publiquei no Correio de Coimbra um artigo com o título “Examinar-se diante do desafio de comunicar”, a propósito da Assembleia Plenária do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais. Nela interveio também o Papa Bento XVI que tinha já afirmado ser o trabalho com os media “um apostolado de vanguarda”. Agora advertiu que “não se pode subestimar a importância do apostolado da comunicação social” (L’Osservatore Romano). Além disso, já Paulo VI tinha chamado a atenção de que a Igreja viria a sentir-se culpável diante do seu Senhor, se não lançasse mão destes meios potentes que a inteligência humana possibilita (EN 45). Também Mons. John Foley, presidente do Conselho Pontifício, adiantou que “somos culpados de pecados, ou ao menos de faltas por omissão, ao não utilizar as «mirifica» - as maravilhas que Deus permitiu que os seres humanos descobrissem – para comunicar ao mundo da melhor forma possível o seu amor e a sua bondade” (Ag. Ecclesia).

  Não ignoramos as dificuldades acrescidas que os meios de inspiração cristã enfrentam, porque não exploram a sensibilidade, não servem o poder económico, não idolatram os grandes deste mundo, não andam ao sabor das conveniências consumistas e hedonistas... Contudo, precisam de afirmar-se, com projectos coerentes, autónomos, emancipados. O Governo acaba de publicar no dia 3 de Abril um Decreto-Lei, que prevê extinguir progressivamente, até ao dia 1 de Janeiro de 2009, o apoio do porte pago. Apesar de ser uma verdadeira machadada, vai obrigar à procura de alternativas, manifestas já numa reunião da Associação da Imprensa de Inspiração Cristã (AIC). Também eu comecei a levantar o problema junto das paróquias da Diocese, propondo a criação duma entidade de apoio à comunicação social.

  Os nossos leitores têm também uma palavra a dizer. Para poder receber o jornal em sua casa, como boa notícia, o mínimo que se espera é o pagamento da assinatura, “no início da respectiva vigência”, segundo o citado Decreto-Lei, artº 7º, nº1. O Governo pretende mesmo fixar por portaria “preços mínimos de assinatura” (nº 4). Por isso, de novo, renovo encarecidamente aos nossos assinantes uma atenção redobrada, mesmo com um suplemento de generosidade, para não nos expormos a situações muito mais graves. Como facilmente se percebe, a seu tempo, teremos que deixar de enviar o jornal, com muita pena nossa, aos leitores mais desleixados em cumprir as regras que a lei obriga. Mas, o importante é saber que seremos sempre boa notícia para os amigos que nos apreciam, e por isso o manifestam também no cumprimento do vínculo que connosco contraem.

  Votos de santa Páscoa para todos. Que a Feliz Notícia do Senhor Ressuscitado nos inunde de alegria e paz!

                                                                                                                                                                   P. Armando Duarte