Foi inaugurada Casa-Museu de Fósseis de Sicó

A população da Granja, em Santiago da Guarda, presenciou, no passado dia 26 de Maio, a um importante momento, que certamente ficará marcado na história desta localidade – a inauguração da Casa-Museu de Fósseis de Sicó.

Trata-se da abertura de um espaço, à sociedade civil, propriedade da Igreja Paroquial de São Tiago da Guarda, e que teve como principal dinamizador o pároco, P. Armando Duarte, com o apoio do Centro de Juventude de Santiago da Guarda. A presidir aos objectivos desta realização esteve o desejo de conhecer um pouco melhor a pré-história da região, com este valioso espólio paleontológico e contribuir para a cultura e desenvolvimento das potencialidades da comunidade.

A Casa-Museu de Fósseis de Sicó permite que os visitantes tenham um contacto mais directo com alguns fósseis marinhos, existentes em abundância na região de Sicó. Para além dos fósseis, os visitantes podem ainda apreciar peças de artesanato confeccionadas na região, assim como tomar conhecimento, através da visualização de um vídeo, de história, potencialidades e locais turísticos do concelho de Ansião.

De referir que todo este espólio está patente numa casa datada de fins do século XVII, que foi recentemente recuperada ao abrigo do programa Leader +, da "Terras de Sicó", tendo contado ainda com o apoio do Município de Ansião e da Junta de Freguesia de Santiago da Guarda, estimando-se que o investimento na obra ronde os 80 mil euros.

A cerimónia de inauguração foi presidida por D. Albino Cleto, Bispo de Coimbra, e contou com a presença de diversas individualidades, nomeadamente: João Oliveira, da Universidade de Coimbra, Fernando Marques, presidente do Município de Ansião, e dos vereadores: Rui Rocha, Célia Freire e Jorge Fazenda, Rui Benzinho, da "Terras de Sicó", Artur Ramalho, presidente da Junta de Freguesia de Santiago da Guarda, e do Vigário Episcopal da Região Pastoral Sul, P.e Pedro Miranda.

Nessa ocasião, o P.e Armando Duarte considerou que os fósseis "são um convite a descobrir não apenas a beleza da criação, mas, ao mesmo tempo, também, a grande dignidade da natureza humana", realçando que a recuperação e valorização destes vestígios conduzem à descoberta de "um sentido mais belo para a nossa existência".

O principal dinamizador desta iniciativa referiu ainda que esta obra, a Casa/ Museu de Fósseis de Sicó, "se insere no plano da nossa diocese", nomeadamente no capítulo do "diálogo da fé com a cultura", que segundo o documento tinha como objectivo: "estimular os cristãos a assumirem, de acordo com as capacidades e talentos, as suas responsabilidades nos meios da cultura, da informação e da acção social como contributo importante para a construção do reino de Deus".

Intervindo na sessão, Fernando Marques felicitou o P.e Armando Duarte pela excelente recuperação da casa. O edil recordou que foi "vencendo algum cepticismo", que a autarquia deu um apoio para a aquisição do imóvel, no entanto afirmou ainda constatar que este investimento "valeu a pena porque está aqui, de facto, uma recuperação notável".

O autarca referiu ainda tratar-se de "mais um belíssimo equipamento que se vai juntar a outros que existem nesta zona e a toda a riqueza do eixo da romanização, Conimbriga-Rabaçal-Santiago da Guarda, e que, agora, passará a ser também o eixo da fossilização", dada a existência deste museu e que, certamente, servirá também para atrair turistas.

Já D. Albino Cleto, afirmou-se alegre com a inauguração desta obra "porque sendo uma actividade cultural, mostra que a Igreja está atenta, não apenas esteve, mas continua a estar a tudo aquilo que é valor humano".

De referir que no futuro se espera que esta Casa-Museu de Fósseis proporcione a oportunidade de estudos científicos para melhor identificação e catalogação dos fósseis expostos.