Da missa à missão
O Domingo está a ser arrastado no processo de secularização e, actualmente, perdeu já muito da sua dimensão cultural e humanista em virtude de uma sociedade que reage mal à perenidade. É o Vice-Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa quem o defende justificando, assim, a importância especial das Jornadas Pastorais do Episcopado, que quiseram reflectir sobre a diminuição da prática dominical verificada nas paróquias de norte a sul do país.
D. António Marcelino reconhece "que não há receitas fáceis para inverter esta tendência" e que "cabe a cada diocese gerir a acção pastoral que vise valorizar a celebração dominical". Porém, como esta é uma questão que infelizmente diz respeito à quase totalidade das dioceses do país, o vice-presidente da CEP reconhece que o caminho passará por um "aprofundamento do significado teológico e de fé de que a Eucaristia se reveste". Importante será também saber projectar na vida os frutos da comunidade que se reúne: "é a passagem da Missa à Missão", afirmou D. António Marcelino citando João Paulo II.
Ter templos mais cheios implica também mudanças ao nível da catequese da infância e adolescência e cristãos mais empenhados na vivência da fé e não tanto em cumprirem um preceito. Nesta matéria os bispos manifestam também interesse em valorizar e incrementar as celebrações litúrgicas na ausência de presbítero. D. António Marcelino afirma que "alguma coisa" é sempre melhor que nada e que as comunidades não podem perder o hábito de se reunirem: "é um voltar aos primeiros tempos do cristianismo para escutar os textos litúrgicos e procederem à fracção do pão afirmou o vice-presidente da CEP".
Para reflectir com o Episcopado sobre estas questões, foram conferencistas destas Jornadas Marinho Antunes, Bento Domingues e D. Manuel Clemente. Em Declarações à RR, Marinho Antunes sublinhou que "o Bispo é mestre da fé, é aquele que deve indicar, anunciar as verdades que são caminho para o céu; a segunda tarefa dos Bispos é a de santificar e a terceira é a de guiar, de governar o povo cristão, de ser como um pastor que vai à frente e que indica o caminho a percorrer que é o caminho da salvação.