Notícias eclesiais
Via Sacra
João Paulo II dedicará a Via Sacra de Sexta-Feira Santa - próximo dia 18 de abril -, às vítimas do conflito no Iraque.
"O Papa tentou evitar o conflito com a sua voz livre e forte e através de numerosas iniciativas diplomáticas. Desafortunadamente, o seu angustiado pedido não foi escutado. No dia 20 de Março, a guerra, com todas as suas devastações, começou", lamentou o Arcebispo Piero Marini, mestre de cerimónias das celebrações pontifícias.
Para a habitual celebração no Coliseu de Roma o Papa decidiu que sejam lidos os textos escritos por ele em por ocasião dos exercícios espirituais de Papa Paulo VI e da Cúria Romana na Quaresma daquele ano. As meditações referiam-se à guerra no Líbano, que causava então grandes temores no mundo; com o título "Sinal de contradição", as meditações foram publicadas em 1977 e já tiveram uma segunda edição em 2001.
"As meditações de 1976 conservam todo o seu valor e são tragicamente actuais: A terra transformou-se num cemitério. Há tantos homens como sepulcros. Um enorme planeta de túmulos", citou D. Marini.
"Os túmulos que se abriram pelo conflito no Iraque não poderão matar a esperança nem impedir a vitória de Cristo sobre a morte", concluiu.
Bispos de todo o mundo chamados
a socorrer os cristãos da Terra Santa
A Congregação vaticana para as Igrejas Orientais lançou um "apelo sentido" aos Bispos de todo o mundo para que colaborem no sustento dos cristãos da Terra Santa, mais necessitados desse apoio do que nunca por causa da crise que atravessa o Médio Oriente.
O prefeito deste Dicastério, o Cardeal Ignace Moussa Doud, recorda que "a comunidade católica, com a fidelidade da fraternidade eclesial, sempre demonstrou aos irmãos da Igreja em Jerusalém a sua proximidade, sustentando o testemunho único que ela está chamada a dar perante o mundo".
Este apelo do Cardeal Daoud tem em vista a Sexta-feira Santa, dia tradicionalmente dedicado à oração e à partilha com a comunidade católica da Terra Santa. "A dramática situação actual impõe um esforço especial, também em termos materiais", sublinhou.
Deus não abandona a história às mãos
dos perversos, recorda João Paulo II
O "Silêncio de Deus" não significa ausência da história, como se esta fosse deixada nas mãos dos perversos e o Senhor permanecesse indiferente, lembrou João Paulo II.
O Papa quis assim reconfortar os peregrinos presentes na audiência geral de hoje, 2 de Abril, e todos aqueles que rezaram e jejuaram pela paz e, apesar de tudo, viram surgir o conflito armado no Iraque.
"O silêncio divino é motivo de perplexidade e escândalo para o justo", constata o Papa, para quem "o juízo divino sobre o mal assume a imagem da aridez, da destruição e do deserto tendo como meta final um resultado vivo e fecundo".
João Paulo II recordou ainda aos fiéis que "o Senhor fará surgir um mundo novo, uma era de libertação e salvação. A esperança florescerá, tornando possível continuar a confiar em Deus e no seu futuro de paz e felicidade".