Reuniram os Conselhos Presbiteral e Pastoral da Diocese de Coimbra

Esteve reunido, mais uma vez, o Conselho Presbiteral da Diocese de Coimbra, na Casa da Sagrada Família, na Praia de Mira, tendo debatido diversos temas que se prendem com a Eucaristia, cujo ano acaba de encerrar, a sua relação com a celebração do Domingo, os animadores das celebrações, e a prioridade para o ano pastoral em curso, no âmbito do Plano Pastoral Diocesano. Documento final e orientações pastorais serão apresentados oportunamente pelo Bispo da Diocese, e pelos representantes, ao restante Presbitério, bem como às comunidades cristãs. Importantíssimo será perceber que "a Eucaristia é o coração da Igreja, a sua relação com a celebração do Domingo, dia da ressurreição e dia dos cristãos", no dizer do Bispo da Diocese. Além disso, deve cuidar-se da boa formação dos animadores, pensar-se na criação dos Conselhos Pastorais, ao nível de arciprestado, e implementar-se o aparecimento de unidades pastorais de zona. Contudo, não se quer uma Igreja apenas voltada para dentro, administrando a crise; daí, outras apostas, como a do programa pastoral deste ano, que prevê a acções pastorais no mundo da cultura e da comunicação social, além de ter que pensar-se na pastoral da missão, para o que se requer uma pastoral de conjunto.

Reunião histórica

Teve lugar, a 1 de Dezembro, no Seminário Maior de Coimbra, a reunião conjunta dos Conselhos Presbiteral e Pastoral da Diocese, facto que aconteceu historicamente pela primeira vez. Estes Conselhos, tendo o objectivo de ajudar o Bispo da Diocese, em matérias pastorais e de governo da Igreja, dão o seu parecer, nalguns casos, e, noutros, o Bispo tem a obrigação de seguir as suas orientações. Embora ambos possam dar conselho, em assuntos semelhantes, o Conselho Presbiteral deve também assumir responsabilidades pastorais, em união com o Bispo.

Esta reunião serviu para uma reflexão conjunta sobre a função destes órgãos de corresponsabilidade eclesial, e permitiu também, para além do conhecimento mútuo dos seus membros, uma troca de impressões, tendentes a valorizar a consciência da missão actual da Igreja. Não se tendo avançado muito em matéria doutrinal, por impossibilidade de participação de um conferencista da Universidade Católica, que teve um acidente na auto-estrada, quando se dirigia para o encontro, foi avaliado como um passo muito positivo, como referiu à nossa reportagem o Dr. José Dias da Silva, membro do Conselho Pastoral Diocesano. "Há uma complementaridade entre os dois Conselhos, que são constituídos por diferentes pessoas, com sensibilidades diferentes, e que vêm os problemas duma forma diferente, e isso enriquece-nos mutuamente", referiu à nossa reportagem. "O facto de termos juntado os dois Conselhos, há uma complementaridade, que é bom partilhar de vez em quando", acrescentou. Mas, numa procura de abertura da Igreja à sociedade, numa missão mais vasta, afirmou: "a Igreja está confrontada com mentalidades que têm pouco a ver com o tempo de hoje; por exemplo o problema da linguagem, como falamos de Deus: se calar isso tem também a ver com o que é preciso renovar", respondeu o nosso interlocutor.

A coordenação do encontro esteve a cargo do Bispo da Diocese de Coimbra, D. Albino Cleto, que reflectiu sobre as raízes históricas e teológicas destes Conselhos. Entre outras linhas referiu a sua prática por Jesus Cristo, que entre os discípulos escolheu os Doze. Passou também pela Patrística, com especial destaque para o papel de Santo Inácio de Antioquia, até chegar ao Concílio Vaticano II. Nomeadamente, afirmou que "cada um de nós, como baptizado, tem esta tríplice função profética, sacerdotal e real, devendo participar activamente na missão da Igreja". Ainda, depois de se dialogar sobre a dificuldade de participação nestes órgãos de corresponsabilidade eclesial, foi dito que esse facto acompanha também o que se passa noutros campos, como a política, contudo, na Igreja existe uma especificidade, pois "o responsável é um, mas a responsabilidade é solidária", referiu D. Albino Cleto. Importa, por isso não desistir da criação destes Conselhos, mesmo a nível paroquial, começando mesmo por um pequeno grupo dinamizador, e que hoje se vai repensando também ao nível da sua criação nas novas unidades pastorais.

A. D.