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*Manuel Augusto DiasFreguesia de Pousaflores (28)
Salão Paroquial de Pousaflores
Nos meios rurais, como é o caso da sede da freguesia de Pousaflores, durante muitos anos, o único espaço coberto, capaz de proporcionar alguns momentos de divertimento à juventude, era o Salão Paroquial. Trata-se, conforme o nome indica, de uma obra ligada à Igreja, e, por isso, normalmente, parte da iniciativa do respectivo pároco.
Foi precisamente o que aconteceu em Pousaflores. O grande impulsionador da construção do Salão Paroquial, foi, sem qualquer dúvida, o Sr. Padre Melo. A primeira pedra foi benzida no dia 8 de Setembro (dia da Natividade de N.ª Senhora) de 1965, mas o incêndio da Igreja em 1969, e a prioridade na reconstrução da Capela-Mor, fizeram com que as obras do Salão Paroquial ficassem para 2.º plano.
Uma vez concluída a Capela-Mor, o Pároco mobilizou a comunidade paroquial para a continuação das obras do Salão Paroquial. O jornal "Voz das Cinco Vilas" informa que no Natal de 1970 um anónimo, certamente natural daquela Paróquia, enviou de Luanda um cheque no montante de 10 contos (10 000$00), que a somar a ofertas anteriores dessa mesma pessoa já somava a simpática quantia de 35 mil escudos. Era o pontapé de saída para a conclusão das obras.
No dia 8 de Maio de 1971, as obras do Salão Paroquial deram-se por concluídas. É mais uma vez o jornal "Voz das Cinco Vilas" que nos elucida, acrescentando: «Quase 6 anos de preocupações, à mistura, graças ao Senhor, com muitas boas vontades e dedicações. A sua conclusão precipitou-se, como já foi dito, devido à intervenção do nosso bom amigo sr. Dr. Serpa e Oliveira, distinto advogado de Alvaiázere, no "copo de água" servido no Salão pelo casamento em Abril de 1970, do também querido amigo José Caetano da Silva. Havia então em caixa a importância de 10.900$00 destinados a acabar as salas de catequese, no primeiro piso. Pelo Natal desse ano mais uma prenda do Menino Jesus enviada por um grande benfeitor de Luanda a reforçar a verba, ficando em nosso poder a quantia de 20.900$00.
Esperançados nos donativos que seriam angariados pelo sr. Dr. Serpa e Oliveira, lançámos mãos à obra em princípios de Fevereiro de 1971. O orçamento porém que fora organizado, tornara-se demasiadamente baixo devido ao aumento da mão de obra e materiais. Peço licença para apresentar o total das despesas desta última fase, incluindo a baixada para a electrificação e a instalação eléctrica e bem assim as escadas de mármore que não estavam previstas. Eis as contas: Em Fevereiro de 1971, como se disse, havia em caixa a importância de 20.900$00, sendo recebidos em Maio seguinte mais 700$00 de donativos, perfazendo assim a importância de 21.600$00. A despesa total foi de 44.019$00, havendo um saldo negativo de 22.419$00. Para fazer face às despesas, a igreja contraiu um empréstimo de 20.000$00.
Continuamos a confiar na generosidade das almas boas!».
O Salão Paroquial, autêntica "sala de visitas" de Pousaflores ficou formado por dois pisos: rés-do-chão e 1.º andar. O rés-do-chão, amplo, forma um espaçoso salão, dotado de palco, especialmente indicado para a realização de espectáculos de índole cultural, como sejam o teatro e o cinema, ou organização de convívios, reuniões, banquetes de casamentos, baptizados, jantares de aniversários, etc. O 1.º andar é constituído por uma sala maior, destinada a reuniões, e por sete mais pequenas, para servirem as várias classes de catequese. Além disso, o Salão Paroquial foi ainda dotado de cozinha, casa de copa e casas de banho.
A sua inauguração teve lugar no dia 25 de Setembro de 1971, pelas 3 horas da tarde, com a benção do Salão a que se seguiu a celebração da Eucaristia no próprio Salão que acabava de ser inaugurado, tendo sido descerrada, na ocasião, uma lápide alusiva ao evento, onde se manifesta a gratidão ao Pároco por mais esta importante obra para a Paróquia. Seguiu-se um espectáculo de variedades que envolveu a "prata da casa", tendo sido interpretadas canções, declamados poemas, levadas ao palco peças de teatro, e exibindo-se ainda, a contento de quantos assistiram, o rancho infantil.
A edição de Setembro de 1971, do jornal "Voz das Cinco Vilas", a propósito da obra inaugurada, refere, a certa altura, o seguinte: «Era uma obra que se exigia numa freguesia como a nossa, com desejo de seguir sempre em frente, procurando resolver as suas dificuldades da melhor maneira.
E por tudo isso não podíamos esquecer este dia - o da sua inauguração. Assim como não podíamos esquecer todos aqueles que para esta grandiosa obra contribuíram, na medida das suas posses.
Deste modo a juventude em especial, quis focar este dia realizando uma pequena festa que podemos dividir em duas partes: 1.ª parte - Acção de graças a Deus. 2.ª parte - gratidão para com todos os que ajudaram em especial ao nosso Pároco. Não podíamos deixar de lembrá-lo. Há mais de 30 anos que tem tido entre nós grande influência em todos os aspectos. Esta obra de hoje demonstra-o. Não podemos esquecê-lo! Esta foi uma das suas melhores obras que nos poderia dar, embora saibamos que lhe exigiu muitas canseiras».