Mensagem do Papa para a Quaresma
A felicidade está mais em dar do que em receber
| É num "princípio óbvio por si mesmo" que se baseia a
mensagem do Papa para a Quaresma deste ano: "é necessário procurar não o bem de um
restrito círculo de privilegiados, mas a melhoria das condições de vida de todos".
Isso implica dar, propagando e testemunhando o "Evangelho da Caridade". Aí
está o fundamento da atitude que João Paulo II propõe aos cristãos para o Tempo
Quaresmal: "A felicidade está mais em dar do que em receber" (Act 20,35). "Não se trata de uma simples solicitação moral, nem de um imperativo externo ao homem", escreve João Paulo II na mensagem. Trata-se antes de inclinação que está inscrita "genuína e profundamente no coração humano: cada pessoa percebe o desejo de entrar em contacto com os outros, e realiza-se plenamente a si própria quando se dá livremente aos outros". |
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A cultura contemporânea, no entanto, "altera a inclinação
interior para o dom desinteressado de si mesmo aos outros, induzindo a satisfazer os
próprios interesses particulares", mesmo que, por ocasiões de calamidades ou
guerras e com a ajuda dos meios de comunicação social, se desenvolvam campanhas bem
sucedidas de solidariedade.
Mas "não é fácil promover a cultura da solidariedade". "O desejo de
possuir bens é sempre mais incentivado" e, por causa desta "ambição pelo
lucro", multiplicam-se situações de "exploração do homem, indiferença pelo
sofrimento alheio, violação das normas morais". "Diante desta constatação,
como não ver na Quaresma a ocasião propícia para corajosas opções de altruísmo e
generosidade?", questiona João Paulo II na sua Mensagem. E acrescenta:
"Privar-se não só do supérfluo, mas também de algo mais para distribuí-lo a quem
passa necessidade, contribui para aquele desprendimento de si próprio sem o qual não há
autêntica prática de vida cristã". Aos homens de hoje, o Papa propõe uma
realização plena, assente na doação aos outros, como o demonstra a vida dos
missionários, de consagrados e voluntários.
Porque "a felicidade está mais em dar do que em receber", João Paulo II
propõe caminhos de solidariedade rumo à Páscoa, inspirados no "amor de Deus
infundido em nossos corações". Para o cristão, o imperativo do dar e do dar-se
não se baseia em importantes transformações sociais ou políticas, antes e
exclusivamente na caridade de Cristo. "Todo o resultado seria efémero sem a
caridade", adverte o Papa.
Na sua Mensagem, João Paulo II deixa ainda uma proposta concreta, que dirige a todos os
crentes: "Desejo vivamente que a Quaresma seja para os crentes um período propício
para propagar e testemunhar o Evangelho da caridade em todo o lugar, pois a vocação à
caridade constitui o âmago de toda a autêntica evangelização".