Saber Fazer e Deixar Andar

Enquanto não chegam as tragédias que seduzem a cada esquina, aparece na sua nudez a iliteracia política que vai roendo tudo.

Sabemos e queremos fazer crer que não sabemos.

A um nível simples a iliteracia política revela-se na permanente indiferença perante o carácter sistémico-facilitista de resolução de todos os problemas: mantêm-se métodos obsoletos, incapazes de trabalhar em transformadas interfaces; em vez de se levar mais longe as exigências dos novos paradigmas, cai-se no vício escolástico de resolução de problemas e na tentativa de consenso/ dogma que o funda. Os ingredientes deste Consenso vão tornar-se o «Adquirido», vão sedimentar-se como normas instituídas e converter-se rapidamente em convenções sociais. O Consenso nas hostes é, assim, o caminho para a aceitação, reprodução e paralisação social.

Uma Democracia anquilosada, uma Autarquia viciada, etc…, que se perpetuam a si próprias são os regimes/ estádios que nascem daí.

Ora, a História das ideias revela, sem ambiguidades, que internamente a cada sociedade a acomodação é o caminho mais fácil. A complacência, harmonizadora e paralisante, é uma influência maligna que esgota as energias, entorpece as capacidades de reacção e provoca preguiça mental. O primeiro sintoma é a satisfação com as coisas tal como elas são; o segundo é a rejeição das coisas tal como elas poderiam e/ ou deveriam ser. «Está bem assim» torna-se a palavra de ordem de hoje e o modelo de amanhã. A complacência faz que as pessoas temam o desconhecido, desconfiem daquilo que não experimentaram e abominem o novo. Tal como a água, os complacentes seguem o caminho mais fácil: o que desce. Buscam falsas energias olhando para trás.

Lembro-me!!!!

Foi há alguns anos que a educação foi tomada como paixão.

Na análise de tal desígnio, questiono-me da consumação da mesma.

Presumo, olhando em meu redor (estou no concelho de Ansião), a avaliar pelas estruturas Marcoenses – qual A.F.T. -, cuja imprescindibilidade não questiono, que não se tenha ficado por meros assomos platónicos…

No reverso, interessante de conhecer seria o n.º de "Tijolos" a contar em cada um daqueles elefantes que vêm sendo criados e alimentados um pouco por todas as estações e apeadeiros deste nosso??? muito apetecido Município, a fim de permitir dotar alguns veículos de transporte dos munícipes frequentadores dos jardins de infância por aqui existentes com um mínimo de segurança.

É Vergonhoso, mas antes, e acima de tudo, de nobre Irresponsabilidade, que a entidade, legal e eticamente, incumbida de proporcionar as condições de frequência do ensino pré-escolar (Município de Ansião), incluída a segurança no transporte dos educandos, facilite há anos e no presente, pelas diversas freguesias do concelho, o transporte de crianças com idades compreendidas entre os – 3 anos (menos de 3) e seis anos de idade, em veículos seus, sem qualquer apetrecho de segurança, apenas fazendo presença de uma auxiliar de educação, que, naturalmente, em horas infelizes, pouco poderá.

Não descurando a responsabilidade dos pais e encarregados de educação, que, na complacência dos brandos costumes, permitiram que as coisas aqui chegassem, há, para começar, se o quisermos, pelo menos, que apelidar as coisas.

Por mim, e para última opinião, digo-vos: se o Código Penal não vos ajudar chamai-lhes o que quiserem.

Depois se verá.

                                                                                                                                                            Alfredo Marques Gonçalves