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Por Manuel Augusto Dias

SANTIAGO DA GUARDA (4)

Igreja de Nossa Senhora da Orada

Na última edição, falámos de Façalamim, como uma das mais antigas e importantes povoações na área da actual freguesia de Santiago da Guarda. Hoje iremos tratar da Capela de Nossa Senhora da Orada (antiga Igreja Paroquial da, então, Freguesia de Nossa Senhora da Orada, que se prolongou até ao século XIX) no lugar da Granja.

Como principal fonte utilizamos a descrição que consta do Instituto do Património Arquitectónico (Monumento referenciado com o n.: 1003070022).

Aí se refere, relativamente ao Enquadramento deste Monumento, o seguinte: «Urbano, isolado, com pequeno adro à frente; implanta-se num alto de um outeiro, sobranceiro à localidade».

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E a descrição que se faz do templo é a que se segue: «Planta longitudinal composta por nave, capela-mor e sacristia (a NO.). Massas dispostas na horizontalidade com cobertura homogénea em telhado de duas águas, prolongado-se em aba corrida sobre a sacristia. Frontispício voltado a SO., em empena angular, aberto por porta recta encimada por cornija e três mísulas, sob pequeno óculo oval; largo contraforte rematado por sineira completa a fachada que se prolonga por pequeno adro murado. Fachada SE., recta, rematada por cornija, composta por dois panos abertos por porta, fresta (nave) e fresta (capela-mor). Fachada NE. em empena angular, com o pano da abside delimitado por dois contrafortes diagonais prolongando-se em pano ligeiramente obliquo, aberta por janela, correspondente à sacristia. Fachada NO. marcada pela saliência do corpo da sacristia, aberta por porta recta e pano da nave, cego, com cornija saliente. INTERIOR: nave única de pavimento em grandes lages com sepulturas numeradas e cobertura em traves de madeira entrecruzadas, dispostas em três planos; do lado do Evangelho púlpito de base quadrangular elevado sobre coluna ornamentado com motivos geométricos pintados em duas faces do balcão, tendo a face a face lateral, junto à escada que lhe dá acesso a legenda: P.E CVRA / M.EL MENDES. M / ANDOV . FAZER. / ESTE PULPITO. / A SVA CVSTA. NO / ANNO. DE. 1702. Junto a este, abre-se uma capela lateral, interiormente decorada na face, intradorso e pé-direito do arco com motivos vegetalistas, águias coroadas, brasões (a ocres, verdes e preto) e legendas: HOIE MEV / AMENHA TEV, representando o painel setecentista de madeira São Miguel e as Almas do Purgatório, num registo inferior, tendo o 2º registo a representação da Santíssima Trindade. A ladear o arco pleno que acede à capela-mor os dois altares com os respectivos antipêndios revestidos a azulejos de aresta do início do século 16 formando nós de Salomão e esquemas geométricos radiais de estílo mudéjar, dispostos insequencialmente ([em observação final é dito que] os azulejos que presentemente revestem os antipêndios do altares laterais foram retirados da capela-mor, encontrando-se parte dos sobrantes na capela de Santo António (nos Casais) da Granja aí colocados aquando das obras do Século 18). Capela-mor com abóbada ogival integra altar com duas colunas estriadas entre pilastras que se prolongam em arco dobrado que guarda maquineta contendo imagem da Virgem com o Menino. À esquerda, junto à porta que acede à sacristia, pia de água benta com data 1729. Iluminação feita através de pequeno óculo do frontespício, frestas da nave e capela-mor, lado SE. e fresta da sacristia, a NO.».

A utilização inicial e a actual é cultual e devocional, sendo propriedade da Igreja Católica. A sua construção remonta ao século XVI.

A descrição que consta do Instituto do Património Arquitectónico, relativamente à Igreja de Nossa Senhora da Orada, é acompanhada do seguinte esclarecimento cronológico: «1141, Fevereiro - aparecimento dos primeiros casais do povoado de Façalamim, compreendido entre os limites de Alvorge, Torre de Vale de Todos e Ansião; 1259 - D. Afonso III confirma ao mosteiro de São Jorge a doação do padroado da Igreja de Nossa Senhora da Hora, de Façalamim, uma das sete igrejas de que ficou com o direito de padroado; Séc. 16 - tornar-se-á, este centro de culto, sede paroquial consagrada a Nossa Senhora da Orada no Campo da Granja, matriz da freguesia até ao séc. 19; 1702 - construção do púlpito, mandado fazer pelo Cura Manuel Mendes; 1729 - data incisa na pia de água benta na capela-mor, junto à sacristia; 1966, 28 de Agosto - restauro do templo».

Quanto à tipologia do antigo templo refere-se o seguinte: «Arquitectura religiosa quinhentista, vernacular. Igreja de uma só nave com tecto em traves de madeira entrecruzadas, com altares revestidos a azulejos hispano-mouriscos quinhentistas e altar lateral com tábuas policromas setecentistas, capela-mor de abóbada de cruzaria com retábulo de talha dourada setecentista».

Como características particulares são apontadas as seguintes: «Construção atarracada, com grossos contrafortes, aberta por frestas esguias interior e exteriormente chanfradas». Os dados técnicos referem: «paredes autoportantes e estrutura mista»; e os materiais utilizados foram: «cantaria, alvenaria, telha, azulejos, talha».

No Verão de 1966 o templo foi restaurado, tendo antes (Maio de 1966) sido inspeccionado por Monsenhor Nunes Pereira, na qualidade de Visitador, em representação da Comissão de Arte Sacra da Diocese de Coimbra, que, então, emitiu o seguinte parecer:

«NOSSA SENHORA DA ORADA é de construção quinhentista. O corpo da capela é separado da capela-mor por um arco de volta perfeita simples. A capela-mór é de abóbada, com dois arcos cruzados. Frestas esguias, chanfradas interior e exteriormente, iluminam os dois corpos da capela. O campanário não tem sino e carece de escadas, cujas pedras se encontram no local. A reparação é urgente e deve respeitar a traça antiga que as fotografias mostram. Seria bom que se rebaixasse um pouco o telhado da arrecadação anexa, do lado esquerdo, para deixar ver o beirado como se vê do lado direito».

Em despacho final, o Arcebispo-Bispo de Coimbra autorizou as obras «desde que se observem as condições postas pelo visitador». E assim se fez, na altura em que era Pároco de Santiago da Guarda, o Padre Manuel Ramos.