Conheça a Sua Terra
Por Manuel Augusto Dias
SANTIAGO DA GUARDA (7)
Residência Senhorial dos Condes Castelo Melhor (1.ª parte)
Nas duas edições anteriores divulgámos o Inquérito Paroquial de Nossa Senhora da Orada, que foi a resposta do Reverendo João Mendes Baptista ao Inquérito que o Marquês de Pombal determinou que fosse respondido por todas as Paróquias do Reino, a fim de conhecer em pormenor a destruição provocada pelo Terramoto de 1755, no resto do País. No artigo que foi publicado no passado mês de Maio, ao iniciarmos a divulgação da 1.ª parte do Inquérito, errámos ao transcrever a 2.ª resposta, pois como já então afirmávamos o Donatário da Igreja de Nossa Senhora da Orada era a Universidade Jesuíta de Évora, e não a Casa do Infantado como erroneamente se escreveu. Pelo facto as nossas desculpas. Segue-se, de novo, a transcrição da pergunta e da resposta, agora devidamente rectificada: «- Se é de el-Rei, ou de Donatário, e quem o é ao presente? Donatario he o Collegio do Espirito Santo da Cidade e universidade de Evora.»
Emendado o erro, passemos ao assunto de hoje: a Residência Senhorial dos Condes Castelo Melhor. Trata-se nada mais nada menos do que o único Monumento Nacional do concelho de Ansião. A sua classificação foi publicada no Diário da República de 12 Setembro 1978, sob o Decreto n.º 95/78, a páginas 1896 e 1897, cujo conteúdo é o seguinte:
«Em conformidade com os artigos 2.º, 24.º e 30.º do Decreto n.º 20985, de 7 de Março de 1932, do n.º 1 do § 1.º do artigo 19.º do Decreto n.º 46349, de 22 de Maio de 1965, e n.º 1 do artigo 1.º e n.º 1 do artigo 2.º do Decreto-Lei n.º 1/78, de 7 de Janeiro, o Governo decreta, nos termos da alínea g) do artigo 202.º da Constituição, o seguinte: / Artigo 1.º São classificados como monumentos nacionais os seguintes imóveis: (...) Distrito de Leiria / Concelho de Ansião / Residência senhorial dos Castelo Melhor, na freguesia de Santiago da Guarda».
Por agora, como principal fonte, para a sua descrição, utilizamos a que consta do Instituto do Património Arquitectónico (Monumento referenciado com o n.: 1003070004).
Aí se refere, relativamente ao enquadramento deste Monumento, o seguinte: «Rural. Rodeada por construções destoantes de má qualidade e deficiente conservação».
E a descrição que se faz do Monumento é a que se segue: «Torre quadrangular, coroada por restos de merlões, rasgada por frestas e pequenas janelas de arco quebrado. Interior de 3 pisos de sobrado, com acesso por escada exterior, construída no interior do pátio. À volta de um pátio fechado, rectangular, alinham-se construções de um piso, de planta bastante regular, com algumas portas e janelas de vergas golpeadas». Além da torre, e entre as construções abertas para o pátio interior, existem as ruínas de uma capela de estilo manuelino, ainda razoavelmente conservada no início do século XX.
A utilização inicial foi Residencial e a actual, do conjunto, é Residencial / Agrícola e Comercial, sendo actualmente propriedade da Câmara Municipal de Ansião. A construção da Torre remonta aos séculos XV e XVI. No portal de acesso ao pátio está assinalada a data de 1544, que estava sob o brasão esquartelado dos Vasconcelos, Ribeiros e Sousas do Prado, hoje já desaparecido.
Quanto à tipologia do antigo palacete senhorial refere-se o seguinte: «Arquitectura civil privada, manuelina. Casa torre com ala residencial adossada, abrindo-se para um pátio fechado, com portal de acesso junto à torre (hoje desaparecido); alguns vãos mostram ainda recorte manuelino».
Curiosas são as observações apontadas: «1989 - O proprietário pedia 100 mil contos pelo imóvel; 1994 - depois de reunião entre o IPPAR e a CMA, o primeiro manifestou interesse no processo tendente à recuperação, prometendo apoio técnico à elaboração do projecto de recuperação e à realização das obras de consolidação»; e os materiais utilizados foram: «Cantaria e alvenaria rebocada».
O aparecimento de materiais romanos, nomeadamente de moedas, nas proximidades do "Castelo de Santiago", como é popularmente conhecido, indiciam a remota presença humana neste local. Bem andou a edilidade municipal ao adquirir tão importante monumento, e ainda melhor esteve, ao iniciar obras de restauro sobre a supervisão de arqueólogos, que são os especialistas para este tipo de intervenções.