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                                                                          Por Manuel Augusto Dias

 

SANTIAGO DA GUARDA (11)

Os Condes de Castelo Melhor (2.ª parte)

Como já vimos na edição anterior, o 2.º Conde de Castelo Melhor foi João Rodrigues de Vasconcelos e Sousa, segundo filho de Luís de Sousa e Vasconcelos, 4.º Alcaide-mor e Comendador de Pombal (trineto do já nosso conhecido Pero de Sousa Ribeiro) e de sua mulher, D. Maria de Moura (que era filha do Provedor da Casa da Índia, Fernão Rodrigues de Almada), dama da Rainha D. Margarida de Áustria. Para poder ser o 2.º Conde de Castelo Melhor teve de casar com D. Mariana de Lencastre que era neta do 1.º Conde e filha do 3.º Conde da Calheta, Simão Gonçalves da Câmara e de D. Maria de Meneses (filha do 1.º Conde de Castelo Melhor).

Confirmado o título e a posse de todos os senhorios que haviam sido do 1.º Conde e depois de larga demanda junto do Rei como se viu, D. João Rodrigues de Vasconcelos e Sousa seguiu, em 1638, numa armada para o Brasil, onde prestou relevantes serviços.

Já depois do 1.º de Dezembro de 1640, data da Restauração da independência de Portugal, achando-se o 2.º Conde de Castelo Melhor ao serviço da Coroa Espanhola em Cartagena de Índias, revoltou-se, juntamente com outros nobres portugueses que com ele estavam, nomeadamente D. Rodrigo Lobo, apreendeu vários galeões que ali se encontravam e propunha-se trazê-los para Portugal quando foi denunciado às autoridades espanholas locais. Preso e submetido às sevícias da tortura, para que identificasse os seus cúmplices, revelou uma enorme coragem, não conseguindo os seus algozes que delatasse qualquer nome. Permitiram-lhe então que embarcasse para Espanha, onde certamente seria submetido à implacável justiça real.

Mas, entretanto, o rei restaurador que teve conhecimento da sua vinda, ajustou com piratas holandeses o rapto do Conde de bordo do barco espanhol, o que, no meio de muitos perigos, acabou por concretizar-se tendo sido D. João Rodrigues de Vasconcelos e Sousa trazido são e salvo a Portugal. D. João IV, profundamente reconhecido pela sua evidenciada lealdade e provado patriotismo à Coroa Portuguesa, agraciou-o com grandes mercês e nomeou-o Governador de Armas da Província de Entre-Douro e Minho. No desempenho desse importante cargo, evidenciou repetidamente as suas qualidades de militar heróico, conseguindo tomar, por duas vezes e pela força das armas, a povoação espanhola de Salvaterra do Minho, e depois de a ter mandado fortificar, repeliu diversos ataques espanhóis.

Ainda no reinado de D. João IV, o 2.º Conde de Castelo Melhor, D. João Rodrigues de Vasconcelos e Sousa, foi nomeado Governador do Alentejo, Conselheiro de Guerra e Governador do Brasil. Neste último cargo, para o qual foi nomeado em 1649, mostrou, mais uma vez, toda a sua valentia e heroicidade, ao longo de quase quatro anos, combatendo tenazmente os holandeses que ocupavam o rico território de Pernambuco.

Regressado a Portugal em 1657, durante a Guerra da Aclamação, é nomeado, novamente, Governador de Entre-Douro e Minho, tendo falecido durante o exercício deste cargo, no dia 13 de Novembro de 1658, ficando sepultado em Ponte de Lima, no Convento de Santo António. Os feitos heróicos da sua vida, sobretudo os de Cartagena, foram imortalizados na obra de Teixeira de Vasconcelos, O Conde de Castelo Melhor (1869).

Também sua esposa, a Condessa D. Mariana de Lencastre, se revelou uma autêntica "mulher de armas". Efectivamente, aquando das guerras da Restauração, D. Mariana de Lencastre mostrou toda a sua heroicidade, em 1643, quando as forças espanholas cercaram a vila minhota de Monção. À falta de homens respondeu a Condessa com a mobilização das mulheres, que, heroicamente, sob a sua chefia, conseguiram evitar que os inimigos se apoderassem daquela importante praça. Depois da morte do marido, D. Mariana de Lencastre tornou-se camareira-mor da Rainha D. Maria Francisca de Sabóia, sendo-lhe atribuído o título de 1.ª Marquesa de Castelo Melhor.

Na próxima edição falaremos do proprietário do "Castelo de Santiago" que desempenhou os cargo públicos mais elevados junto da realeza: trata-se de Luís de Vasconcelos e Sousa que foi o 3.º Conde de Castelo Melhor e o 9.º Conde da Calheta.