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Por Manuel Augusto Dias
SANTIAGO DA GUARDA (27)
A construção de uma nova igreja (1.ª parte)
Nas últimas edições temos lembrado alguns melhoramentos que, nas últimas décadas do século XX, contribuíram para melhorar a qualidade de vida de quantos vivem na maior freguesia do concelho de Ansião. Desta vez, vamos recordar a construção da nova Igreja matriz que é, sem dúvida, a Igreja Paroquial mais recente em toda a área do concelho.
A antiga há muito que não oferecia condições de segurança, quer para quem celebrava o culto, quer para os muitos fiéis que ali se dirigiam vindos de todas as partes da freguesia. Apenas a mero título de curiosidade, e por vir a propósito do mau estado da antiga Igreja de Santiago da Guarda, recordo aqui parte de uma notícia, que saiu a público, no jornal O Radical (de Leiria), no dia 8 de Abril de 1915 (já lá vão quase 90 anos), na página 2:
«Na freguezia de S. Tiago da Guarda, concelho de Ancião, no momento em que o padre estava prégando, abateu o côro da egreja apinhado de ouvintes.
A confusão que se seguiu foi indiscriptivel. Organisados os serviços de socorros, foram retiradas de sob os escombros muitas pessoas gravemente feridas e outras com braços e pernas partidas (...)».
Para evitar episódios trágicos como o que se conta em O Radical, bem andou o Pároco de Santiago, ao tempo o Padre Manuel Ramos, que no princípio da década de 1970, resolveu pôr mãos à obra e iniciar a construção de majestoso templo que é um dos "ex-libris" da sede da freguesia de Santiago da Guarda.
O "Boletim Paroquial da Freguesia de S. Tiago da Guarda" – Luz, n.º 60, de Agosto de 1970, publicava na 1.ª página o desenho da fachada principal da nova Igreja e, num pequeno artigo intitulado "Os trabalhos estão em marcha", dava a notícia de que as obras, tendo em vista a construção do novo templo católico, se havia iniciado no dia 31 de Julho de 1970:
«Deu-se início aos trabalhos no dia 31 de Julho. Em dois dias uma potente máquina escavadora removeu as terras necessárias para se poder construir a dependência sob as sacristias, que ficará com a superfície de 98 m2.
Neste momento outra máquina procede à escavação para as sapatas dos pilares. Imediatamente a seguir se poderá iniciar a construção pròpriamente dita da estrutura em betão.
O facto de estarmos a construir a obra por administração directa vai exigir a melhor colaboração de todos na execução dos trabalhos.
Pede-se a quem possa prestar serviço para se entender com a Comissão da Igreja para se marcarem os dias em que possam trabalhar e o género de trabalho a fazer.
Não esperemos uns pelos outros. A obra é de todos. Preocupemo-nos todos pela sua execução».
O mesmo jornal, que acompanhava de perto a construção do novo Templo Sagrado, na sua edição seguinte, dava conta do andamento dos trabalhos, sob o título "Os trabalhos prosseguem":
«Estão já ultimados os serviços da abertura das fundações, que duas máquinas escavadoras fizeram em 3 dias.
E começam a subir as paredes interiores do salão-cripta.
Se os materiais não faltarem e a mão-de-obra for suficiente esperamos executar o betão armado das sapatas dos pilares em pouco tempo.
É muito urgente fazer este trabalho antes de chover, para que se evite que as fundações se venham a inundar.
E façamos desde já o voto, de que pelo menos daqui a um ano, em Agosto próximo, estejamos todos em festa, realizando outro Cortejo de Oferendas e a inaugurar as obras desta primeira fase. Porque não?!».
(continua na próxima edição)