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Por Manuel Augusto Dias

SANTIAGO DA GUARDA (32)

A construção de uma nova igreja (6.ª parte)

Concluímos hoje a série de artigos dedicados à construção da nova Igreja de Santiago da Guarda, dando conta das obras finais, no decurso dos anos 1974 e 1975, e lembrando a Inauguração que, depois de adiada duas vezes, teve lugar no dia 17 de Agosto de 1975.

Durante o ano de 1974, mais concretamente no Verão, fez-se a instalação eléctrica, foram assentes as cantarias nas janelas e na entrada principal, procedeu-se a vários rebocos e iniciou-se a construção de acesso à Torre.

Entre Outubro e Dezembro de 1974, construiu-se a Torre da Igreja, cujo sino maior é o que já existia, depois de adaptado com um novo cabeçalho em ferro e limpo, em Braga. Assentaram-se as tijoleiras do pavimento, bem como na parte posterior e na frontaria da Igreja. Começaram a ser feitas as portas principais e o guarda-vento em madeira, e, em ferro, as grades de acesso ao Coro e parapeito do mesmo.

Já nos finais de 1974 e inícios de 1975 seriam colocadas as portas da frontaria e do guarda-vento, feitos vários acabamentos na Torre e reboco de paredes interiores, concluído o pavimento e demolida a parede transversal da primitiva Igreja.

Em Fevereiro de 1975 a Nova Igreja estava concluída e começava a pensar-se na sua Inauguração. Desde o princípio pensou-se na possibilidade dos emigrantes, que também contribuíram generosamente para a sua edificação, estarem presentes. Assim, Agosto era o único mês em que se poderia agendar o evento! Primeiro, esteve marcado para o dia 3 de Agosto, mas depois, achou-se, mais uma vez por causa dos emigrantes, que o dia 10 de Agosto seria melhor. Mas ainda não haveria de ser essa a data, para evitar coincidências com as Festas de Ansião. Assim, só podia ser no dia 17 de Agosto! E foi, faz no próximo dia 17, exactamente 30 anos! O jornal da Paróquia, Luz, edição n.º 112, sob o título "Bênção e inauguração da nova Igreja", traz a notícia e algumas interessantes notas sobre a Nova Igreja:

«Num ambiente de muita simplicidade, mas também de muita alegria e participação de toda a Paróquia, foi inaugurada e benzida a nossa Nova Igreja no dia 17 de Agosto.

Presidiu o Senhor D. João da Silva Saraiva, Bispo de Coimbra, estando presente o senhor D. Alberto Cosme do Amaral, Bispo de Leiria, que, em tempo, enquanto Bispo Auxiliar de Coimbra, acompanhou as obras da construção.

Depois da Bênção da Igreja e da Consagração do Altar, realizou-se uma concelebração Eucarística pelos senhores Bispos presentes, os Padres Dionísio, Perdigão, Anselmo e António Diogo, e o Pároco, tendo participado na mesma, comungando, muitas centenas de pessoas da Paróquia e arredores.

Na altura própria os dois Prelados presentes administraram o Sacramento da Confirmação a 258 pessoas, na sua totalidade jovens.

No final das cerimónias religiosas o adro foi pequeno para albergar todas as pessoas (toda a paróquia), que em mesas improvisadas participaram no convívio-merenda, a que presidiu o Senhor Bispo.

Abrilhantou a festa durante a tarde a Filarmónica de Ansião.

Algumas notas sobre a Nova Igreja

1 – Implantação / A Nova Igreja está implantada no local da Velha Igreja, integralmente demolida, pelo seu mau estado de conservação e suas reduzidas dimensões.

2 – Autores do Projecto / Foi autor do Projecto o sr. Arquitecto Armando Alves Martins, de Coimbra, que também desenhou as peças interiores.

Os vitrais foram executados sob a orientação e desenho do sr. Arquitecto Manuel Ramos Chaves, de Lisboa.

O Projecto da instalação eléctrica foi elaborado pelo sr. Eng. António Silva Abreu da Figueira da Foz e os cálculos da estrutura de ferro e betão foram feitos pelo sr. Eng. José Maria T. Alves Martins, de Lisboa.

3 – Construtores / A obra foi construída por administração directa da Comissão da Igreja e do Pároco.

Na sua quase totalidade os trabalhos foram executados por operários da freguesia. E justo será lembrar que todo o trabalho de orientação das obras, desde o seu início, foi feito pelo sr. Manuel Freire Bicho, do Graminhal.

O facto de a obra ter sido executada por administração directa, trouxe-nos grandes vantagens económicas pois se poupou todo o dinheiro que o possível Empreiteiro, muito justamente, teria de ganhar.

A obra foi orçamentada, há 6 anos em 2 685 234$50. Até esta data como adiante vai anotado gastou-se 2 600 670$50. Prevê-se que depois de tudo executado e pago, a despesa a pouco mais subirá além do orçamento citado.

E há a notar que se acrescentaram vários trabalhos previstos. (...)».