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Por Manuel Augusto Dias
SANTIAGO DA GUARDA (33)
O Visconde de Santiago (1.ª parte)
| Depois
de, nas últimas edições, nos termos dedicado à divulgação de alguns melhoramentos
ocorridos nesta freguesia, durante o século XX, vamos, a partir deste número, tratar de
algumas das personalidades mais marcantes de Santiago da Guarda. Começamos pelo seu
Visconde, que ainda anda na memória de muitos dos que vivem.
Alfredo
César Lopes Vieira, de seu nome completo, nasceu, viveu e morreu na freguesia de Santiago
da Guarda. O seu falecimento, segundo a imprensa, ocorreu em sua casa, no dia 19 de
Fevereiro de 1936, com apenas 63 anos de idade. Viveu intensamente as últimas décadas da
Monarquia, e o período da Primeira República. Próximo, em termos políticos, do
estadista Conselheiro João Franco e do seu amigo, o ansianense Conselheiro António José
da Silva, assumiu, várias vezes, o poder local ao mais alto nível, quer como Vereador,
quer como Presidente da Câmara, quer ainda como Administrador.
Depois da implantação da República, viria a aderir ao Partido Republicano, voltando à cadeira do poder no Município, como Presidente do Senado Municipal, da Comissão Executiva e Administrador. |
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Quando se deu a Revolução Nacionalista de 28 de Maio de 1926, com que terminou a 1.ª República e se implantou a Ditadura Militar em Portugal, ele era o Presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Ansião. Depois desta data abdicaria de toda a actividade política.
Em termos políticos, Alfredo César Lopes Vieira desempenhou cargos importantes, quer no tempo da Monarquia, quer no tempo da República: foi, além de Vereador ainda no séc. XIX, Administrador do Concelho de Ansião de 1901 a 1902, de 1906 a 1908 e em 1922; Presidente da Câmara de Ansião de 1905 a 1907, 1908 (de 24 de Fevereiro a 30 de Novembro) e em 1923 (de Janeiro a Novembro); e Presidente da Comissão Executiva do Concelho de Ansião de 1919 a 1922 e em 1926.
No tempo da Monarquia, serviu o Partido Regenerador, e como Vereador por esse Partido, aos 23 anos integrou a Câmara de Ansião, empossada no dia 1 de Janeiro de 1896, quando o concelho de Ansião conheceu a sua maior dimensão de sempre, com 13 freguesias (Almoster, Alvaiázere, Alvorge, Ansião, Avelar, Chão de Couce, Lagarteira, Maçãs de Caminho, Maçãs de D. Maria, Pombalinho, Pousaflores, Santiago da Guarda e Torre de Vale de Todos).
Mas antes disso, Alfredo César Lopes Vieira era já uma personalidade de destaque na vida pública ansianense, pese embora a juventude da sua idade. Isso mesmo se pode constatar, ao vermos o seu nome, fazer parte da Comissão que, em 25 de Maio de 1895, se constituiu nos Paços do Concelho, para angariar fundos tendo em vista a construção do Hospital da Misericórdia de Ansião.
A amizade com o Conselheiro António José da Silva (bem demonstrada logo após o seu falecimento com a homenagem póstuma organizada pela Câmara, então presidida precisamente pelo Visconde) e com o Conselheiro João Franco, bem como a militância activa no mesmo Partido daqueles, aliadas a alguns actos de benemerência terão estado na origem da concessão do Título de Visconde.
Por despacho de 28 de Julho de 1906, do Ministério dos Negócios do Reino, Direcção Geral de Administração Política e Civil, 1.ª Repartição, viu ser-lhe concedido o título de Visconde de Santiago da Guarda único título nobiliárquico dado a cidadãos do concelho, no século XX.
Veja-se o Diário do Governo, de Quarta-feira, 26 de Setembro de 1906,n.º 217, 1.ª página, fl.3389 1.ª coluna:
«Ministério dos Negócios do Reino / Direcção Geral de Administração Política e Civil / 1.ª repartição
Para os devidos effeitos se publicam os seguintes despachos:
Julho 28 / Titulo de Visconde de S. Tiago da Guarda, em sua vida / Alfredo Cesar Lopes Vieira, proprietario».
(continua no próximo número)