Conheça a Sua Terra

Por Manuel Augusto Dias

SANTIAGO DA GUARDA (38)

Dr. Artur Vieira da Mota

Embora tenhamos consciência de que fica muito incompleto este trabalho, vamos encerrar as notas biográficas de algumas das mais destacadas personalidades da freguesia de Santiago da Guarda, referindo um ou outro dado alusivo ao Dr. Artur Vieira da Mota, que foi um prestigiado médico que viveu e serviu Santiago da Guarda (e todo o concelho de Ansião), no fim do século XIX e nas primeiras três décadas do século XX.

Foto

Casa da Várzea, onde viveu o Dr. Artur Vieira da Mota

Vivia na Casa da Várzea, que todos conhecem, onde hoje existe um conceituado restaurante e também Lar de Idosos. Durante a Primeira República alinhou claramente ao lado dos mais destacados elementos republicanos do concelho, como Adolfo de Figueiredo ou o Visconde de Santiago, de quem era ainda parente.

O seu republicanismo ficou bem conhecido, quando em 1919, foi um dos que aceitou dirigir a Filarmónica de Ansião, numa conjuntura particularmente difícil porquanto havia sido "excomungada" por alguns sacerdotes da região, procurando debilitá-la, sem a convidarem para qualquer festa religiosa.

Entre os fundadores desta agora centenária colectividade ansianense destaca-se Adolfo Leopoldo de Figueiredo que, em 1919, voltou à sua Direcção. Acolitaram-no outros republicanos militantes, como foi o caso António Pereira Nogueira (tesoureiro), João Gomes dos Santos (secretário), Dr. Artur Vieira da Mota (vogal), José Adelino Medeiros (vogal), Paulo Brás de Medeiros (vogal), e José da Costa Ilharco (vogal).

No dia 3 de Novembro de 1919, ao ser escolhido, pela respectiva Assembleia Geral, para presidir à Direcção, Adolfo de Figueiredo declarou que «a filarmonica, por motivo de estar excomungada pelos padres cá do sitio, não acabaria nunca, muito pelo contrario dar-se-lhe ia cada vez maior impulso (...)» (O Imparcial, n.º 486, de 9.11.1919, pp. 2 e 3).

Sete anos mais tarde, fez parte do elenco municipal que administrava o concelho, quando se deu o Golpe Militar do 28 de Maio de 1926, tornando-se, mesmo, o Vice-Presidente da Comissão Executiva (o Presidente era o Visconde de Santiago – Alfredo César Lopes Vieira; e o 2.º vogal era o Pároco do Alvorge, ao tempo, o Padre José Nunes Matias).

Logo no dia da sua posse (2 de Janeiro de 1926), o Doutor Vieira da Mota mostrou a proficiência com que gostava de exercer as suas funções, com a intervenção, que é a única registada em acta, e que, a seguir, se transcreve:

«Em seguida pelo vogal Doutor Mota foi requerido o seguinte: Primeiro, que seja chamado o Tezoureiro desta Camara a informar o saldo provavel existente em cofre, no dia trinta e um de dezembro findo; Segundo, que pela secretaria da Camara seja extrahida do Diário uma nota autentica dos pagamentos feitos aos empregados desta Camara durante o ano findo, e motivo dos pagamentos; Terceiro, que o mesmo secretário certifique quantos autos de arrematação foram feitos n’esta Camara durante o ano findo, nome dos outorgantes e motivo das arrematações»

Concluímos este apontamento sobre o Dr. Artur Vieira da Mota com a notícia da sua morte, tal como saiu no jornal de Figueiró dos Vinhos, na edição de 10 de Fevereiro de 1954:

«ANSIÃO / Falecimento / Faleceu nesta vila o Sr. Dr. Artur Vieira da Mota, casado com a Sr. D. Conceição de Nápoles Mota e pai dos Srs. Dr. José Vieira da Mota e Fernando Vieira da Mota.

O extinto, que gozava de gerais simpatias na vila e região, desempenhou várias funções públicas, entre elas a de Presidente da Câmara Municipal.

A sua morte foi muito sentida. / Sentidas condolências à família enlutada».