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Por Manuel Augusto Dias
SANTIAGO DA GUARDA (41)
Coprorabaçal / Confraria do Queijo do Rabaçal (I)
O queijo do Rabaçal é um dos produtos endógenos desta região, apreciado há centenas de anos, cuja produção artesanal abrange algumas freguesias dos concelhos de Ansião, Penela, Alvaiázere, Soure, Condeixa-a-Nova e Pombal. Quem daqui é natural está habituado ao seu paladar desde a mais tenra idade.
Nos últimos anos, a protecção da sua qualidade e a divulgação do seu nome têm sido uma preocupação constante dos autarcas destes seis concelhos, com destaque para Ansião e para esta sua freguesia de Santiago da Guarda, que bem pode ser considerada a "capital do queijo do Rabaçal".
A Feira do Queijo do Rabaçal (que, ano a ano, vai rodando de concelho em concelho, desde a década de 1980), a constituição da CoproRabaçal (1993) e a fundação da Confraria do Queijo do Rabaçal (2002) são apenas algumas das mais relevantes iniciativas em prol deste afamado produto das Serras de Sicó e Ansião.
De quase todos os produtos com qualidade e fama, e, se calhar, por isso mesmo, há sempre quem desvirtue essa qualidade, para colocar no mercado, artigos com o mesmo rótulo, mas muito mais baratos e de qualidade sofrível. É precisamente o que acontece com este tipo de queijo, em quase todas as grandes superfícies comerciais, do Minho ao Algarve. E já antes do comércio ser praticado nos hipermercados se notava a falta de qualidade de algum queijo que se vendia, com o título de "Rabaçal" mas sem qualidade. É o que se depreende da conhecida quadra recolhida por José Leite de Vasconcelos e que aqui reproduzimos:
«O queijo do Rabaçal
Tem uma fama afamada:
À revelia d'elle
Vendem Queijos que não valem nada!»
Para contrariar esta tendência, um conjunto de pastores e produtores do "Queijo Rabaçal" constituiu, em Santiago da Guarda, há 13 anos, a CoproRabaçal que é ainda hoje a única entidade que fabrica este produto com "denominação de origem protegida" (D.O.P.).
Os seus Estatutos, naturalmente, orientam-se para a defesa da qualidade deste queijo artesanal, propondo, entre outras coisas, o seguinte:
Intervir na rendibilização desta actividade, promovendo a selecção dos animais mais indicados para a produção do leite, preferindo as raças "ampiniça e frísia";
Apoiar a promoção do consumo do Queijo Rabaçal, de carne de ovino e caprino e seus derivados, tanto no mercado interno, como no externo;
Criar serviços de apoio aos associados não só nos campos da sanidade animal e das pastagens como no crédito, nos seguros e outros.
A CoproRabaçal tem ainda outros objectivos, como por exemplo, os de estudar projectos de financiamento para programas de formação no âmbito do fabrico do tradicional "Queijo Rabaçal".
Uma nota do Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas descreve assim o "Queijo Rabaçal":
"É um queijo curado, de pasta semidura a dura, com poucos ou nenhuns olhos pequenos e irregulares distribuídos na massa, branca-mate e é obtido por esgotamento
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lento da coalhada, após a coagulação de leites de ovelha e cabra, por acção do coalho animal". Mantém a forma tradicional de fabrico e revela características atribuíveis ao leite e, portanto, à forma tradicional de maneio das ovelhas. O uso da Denominação de Origem obriga a que o queijo seja produzido de acordo com as regras estipuladas no caderno de especificações, o qual inclui, designadamente, as condições de produção do leite, higiene da ordenha, conservação do leite e fabrico do produto. A rotulagem deve cumprir os requisitos da legislação em vigor, mencionando também a Denominação de Origem. O Queijo Rabaçal deve ostentar a marca de certificação aposta pela respectiva entidade certificadora. Comercialmente pode apresentar-se com um peso compreendido entre 0,3 kg a 0,5 kg. |
(continua no própximo n.º)