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Dr. Manuel Augusto Dias
Torre de Vale de Todos (4)
O Inquérito Paroquial de 1758 (2.ª parte]
Concluímos, nesta edição, a transcrição do Inquérito de 1758 que foi respondido pelo Pároco da Torre de Vale de Todos.
13 - Se tem algumas ermidas, e de que santos e se estão dentro, ou fora do lugar e a quem pertencem?
Tem quatro Ermidas toda a freguesia: uma no lugar de Figueiras Podres, dentro do lugar, a qual é da invocação de S. João Baptista, é particular, instituída por um sacerdote secular do referido lugar; outra no lugar do Curcialinho, também particular, instituída por outro sacerdote secular natural do mesmo lugar, o qual se chamava Simão da Silva, é esta capela da invocação da Senhora da Esperança, que também está na mesma capela; e o instituidor da outra se chamava João Freire (?);. Outra é de S. Jorge, no lugar de Vale de Todos; outra de Santo António, no lugar do Freixo, ambas do Povo.
14 - Se acodem a elas romagem sempre, ou em alguns dias do ano e quais são estes?
Somente à de S. Jorge; no seu dia vem gente em Romagem; também aí vêm todos os anos por antigo costume e obrigação, cujo princípio se ignora, no dia do Santo em procissão. O povo da Lagarteira, com sua cruz levantada, e o do Alvorge e também desta Paróquia, há a obrigação de lá ir em procissão com cruz levantada no dito dia.
15 - Quais são os frutos da terra que os moradores recolhem com mais abundância?
Os frutos da terra que recolhem os moradores deste lugar e freguesia em maior abundância são trigo, milho, alguma cevada e rabeira (muinha), vinho, azeite e bolota..
16 - Se tem juiz ordinário e câmara ou se está sujeita ao governo das justiças de outra terra e qual é esta?
Tem o Couto desta freguesia Juiz Ordinário; e um Escrivão, que também é Tabelião, um Vereador, um Procurador, e Alcaide e Almotacel.
17 - Se é couto, cabeça de concelho, honra ou beetria?
Cabeça é Couto.
18 - Se há memória de que florescessem ou dela saíssem alguns homens insignes por virtude das letras ou das armas?
Não há notícia nem memória, que florescessem, nem saíssem desta terra e freguesia homens insignes em letras e virtudes; somente consta, que deste lugar da Torre saíra um maltês chamado Fulano Antunes.
19 - Se tem feira e em que dias e quantos dura e se é franca ou cativa?
Não tem feira.
20 - Se tem correio e em que dias da semana chega e parte? e se o não tem de que correio se serve, e quanto dista a terra aonde ele chega?
Não tem correio.
21 - Quanto dista da cidade capital do Bispado e quanto de Lisboa capital do Reino?
Dista da cidade de Coimbra este lugar e freguesia cinco léguas; e da de Lisboa vinte e quatro.
22 - Se tem alguns privilégios, antiguidades ou outras cousas dignas de memória?
Não tem privilégios especiais; somente há algumas pessoas que gozam dalguns privilégios como são da Bula de Santo António; da Santíssima Trindade e da Universidade de Coimbra; por serem alguns moradores cabeças da Universidade.
23 - Se há na terra, ou perto dela, alguma fonte ou lagoa célebre, e se as suas águas têm alguma especial virtude?
Não há que dizer
24 - Se for porto de mar descreva-se o sítio, que tem por arte, ou por natureza; as embarcações que o frequentam, e que pode admitir?
Não há que dizer
25 - Se a terra for murada, diga-se a qualidade destes muros, se for praça de armas descreva-se a fortificação, se há nela ou no seu distrito algum castelo ou torre antiga em que estado se acha ao presente?
Não há que dizer
- Se padeceu alguma ruína no Terramoto de 1755 e em quê: e se está já reparada?
Não padeceu esta freguesia ruína considerável e que fosse necessária intervenção de reparo no Terramoto do primeiro de Novembro de Mil Setecentos e Cinquenta e Cinco
27 - E tudo mais que houver digno de memória de que não faça menção o presente interrogatório.
Há nesta freguesia um pequeno arroio a que se chama a Ribeira do Açor, o qual tem seu princípio numa moderada fonte chamada do Carvalho que nasce nesta freguesia; cuja fonte no Estio está seca, por que já no auge do Verão experimenta diminutas as suas correntes. Na sua corrente há moinhos, e também lagares, que andam no Inverno e parte do Verão; Vai-se este arroio meter na distância de três quartos de léguas, já com mais algum caudal mendigado, vague voluntariamente se lhe une na Ribeira chamada de Ansião, por correr junto daquela vila, aonde perde o nome e corre do Norte para o Sul.
E é o que tão somente se pode responder aos itens do papel incluso em observância do preceito do Reverendo Doutor Provisor do Bispado de Coimbra. E é o que na verdade sei e achei o que tudo atesto e me assino aos sete dias do mês de Abril de 1758. Eu, o Padre Manuel Caetano de Carvalho, Cura, que de presente sirvo nesta freguesia da Torre de Vale de Todos.
[assinatura] O Padre Cura Manoel Caetano de Carvalho