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                                                     Por Manuel Augusto Dias

TORRE DE VALE DE TODOS (5)

A população da freguesia e o período da 1.ª República

A freguesia da Torre de Vale de Todos é, actualmente, a mais pequena e também a menos povoada freguesia do concelho de Ansião, com pouco mais de 450 habitantes.

Mas nem sempre foi assim. Relativamente ao período para que temos dados, apenas na primeira metade do século XVIII, e depois de 1930, é que a Torre se tornou de facto a freguesia menos habitada do concelho. Nos outros períodos (durante todo o século XIX e primeiras décadas do século XX), a Lagarteira tinha menos população residente que Torre de Vale de Todos.

Passemos então à divulgação dos dados disponíveis sobre a população que residiu na freguesia da Torre de Vale de Todos nos últimos 3 séculos: 1732 – 19 fogos, 86 pessoas; 1852 – 180 fogos, 702 pessoas; 1864 – 178 fogos, 761 pessoas; 1900 – 172 fogos, 830 pessoas; 1911 – 235 fogos, 789 pessoas; 1920 – 224 fogos, 865 pessoas; 1930 – 235 fogos, 760 pessoas; 1940 – 277 fogos, 789 pessoas; 1960 – 275 fogos, 705 pessoas; 1970 – 210 fogos, 583 pessoas.

Como se vê, esta freguesia, teve o seu máximo, em termos populacionais em 1920, a partir daí tem sido sempre a descer. As outras freguesias continuaram a crescer até meados do século XX, conhecendo, a partir daí, também uma curva descendente.

Em 1911, a população da freguesia da Torre de Vale de Todos, num total de 789 pessoas, distribuía-se, da seguinte forma, pelos lugares a seguir nomeados: Figueiras Podres (actualmente, a designação é Figueiras de S. João), 59 fogos, 180 habitantes; Freixo, 27 fogos, 84 habitantes; Torre de Vale de Todos, 20 fogos, 78 habitantes; Casal de João Bom, 19 fogos, 73 habitantes; Lindos, 16 fogos, 59 habitantes; Castelo, 14 fogos, 55 habitantes; Vale de Todos, 19 fogos, 53 habitantes; Casalinho, 10 fogos, 50 habitantes; Rua de Além, 15 fogos, 48 habitantes; Curcialinho, 7 fogos, 35 habitantes; Barreira, 5 fogos, 19 habitantes; Pragosa, 8 fogos, 18 habitantes; Estrada da Pragosa, 8 fogos, 16 habitantes; S. Jorge, 5 fogos, 13 habitantes; e população dispersa, 3 fogos, 8 habitantes.

O seu maior lugar não era, há quase 100 anos, a sede da freguesia, mas sim Figueiras de S. João, com mais do dobro da população que então habitava o lugar onde se situa a igreja paroquial, Torre de Vale de Todos.

Um outro aspecto interessante, ligado à população, na primeira década do século XX, é a esperança de vida. O concelho de Ansião era, naquele tempo, o que apresentava o maior índice de longevidade, no distrito de Leiria. Efectivamente, os chamados concelhos da serra eram os que tinham a maior proporção de indivíduos de 80 a 100 anos, ou mais, por cada mil habitantes.

Aí fica a listagem, concelho a concelho (os que existiam naquele tempo), do distrito de Leiria, no que respeita à longevidade, segundo o "Censo Populacional de 1911": Ansião (17,81%o), Alvaiázere (17,40 %o), Porto de Mós (16,62 %o), Figueiró dos Vinhos (14,50 %o), Alcobaça e Caldas da Rainha (11,51 %o), Óbidos (10,26 %o), Pederneira (10,05 %o, Pedrógão Grande (9,79 %o), Peniche (8,66 %o) e Pombal (7,29 %o).

Nesse tempo, o País tinha mudado de regime político: a Monarquia tinha sido abandonada para se colocar no poder um regime republicano.

Como já várias vezes escrevemos, os republicanos de Ansião mostraram-se particularmente dinâmicos na tentativa de republicanizar o seu concelho. Com essa finalidade, fundaram uma Associação de Propaganda e Defesa Republicana do Concelho de Ansião, que tinha um jornal próprio, O Cavador.

Esta Associação, para além de uma Comissão Central na sede do concelho, dispunha de Comissões Executivas Locais, em cada uma das freguesias.

Às Comissões Executivas Locais, eleitas na primeira Assembleia-Geral da Associação, competia: concretizar os objectivos da Associação de Propaganda e Defesa Republicana na respectiva freguesia; promover a realização da festa anual da paróquia que deveria revestir uma feição educativa; cobrar a quota mensal de 100 réis a cada associado (70 réis eram para as despesas da Comissão Executiva Local, 20 réis seriam para a Comissão Central e os restantes 10 réis para a Junta de Publicidade); dar conhecimento à Comissão Central, com uma antecedência mínima de três dias, de todas as festas e acções de propaganda que quisessem levar a efeito na sua freguesia.

A Comissão Executiva Local da Associação de Propaganda e Defesa Republicana do Concelho de Ansião, na freguesia da Torre de Vale de Todos teve a seguinte composição: Francisco Rodrigues Gato, António Maria, Manuel Pires Arnaut, José Pires Arnaut e António Mendes dos Santos.