SANTIAGO DA GUARDA (12)
Os Condes de Castelo Melhor (3.ª parte)
O
Solar dos Condes de Castelo Melhor, popularmente conhecido como “Castelo de
Santiago” e actualmente único Monumento Nacional do concelho de Ansião, teve no
3.º Conde de Castelo Melhor (e 6.º Conde da Calheta), Luís de Vasconcelos e Sousa, o seu proprietário mais importante em
termos políticos. Ele foi o famoso ministro todo-poderoso de D. Afonso VI.
Luís de
Vasconcelos e Sousa nasceu em 1636 e morreu no dia 15 de Agosto de 1720. Era
filho do 2.º Conde de Castelo Melhor, João Rodrigues de Vasconcelos e Sousa, e
de sua mulher, D. Mariana de Lencastre. Foi Reposteiro-Mor da Casa Real,
Escrivão da Puridade, Conselheiro de Estado de D. Afonso VI e, mais tarde, de
D. João V. Foi Senhor de Valhelhas, Almendra e Mouta Santa, Alcaide-Mor e
Comendador de Pombal.
Curiosamente, foi
no tempo em que o 3.º Conde de Castelo Melhor era o político mais influente do
País, que o rei D. Afonso VI elevou Ansião à categoria de vila.
D. Luís de
Vasconcelos e Sousa começou a sua carreira ao serviço de Portugal, tomando
parte na campanha de 1658, ao lado de seu pai, que, como já vimos, foi um dos
heróis das Guerras da Restauração. Também o 3.º Conde de Castelo Melhor revelou
dotes de grande bravura militar.
Mas seria na
carreira política, abraçada anos mais tarde, que D. Luís de Vasconcelos e Sousa
revelaria uma elevada inteligência e o seu grande sentido de Estado. Por
decisão da Regente D. Luísa de Gusmão, foi nomeado Gentil-Homem da Câmara do
jovem Rei D. Afonso VI, conquistando toda a sua confiança. A pouco e pouco foi
concentrando nas suas mãos cada vez mais poderes, ao mesmo tempo que ia
afastando do jogo do poder as mais gradas figuras da nobreza portuguesa, com destaque
para o Marquês de Marialva.
E o 3.º Conde de
Castelo Melhor não parou enquanto não arranjou maneira de pôr termo à regência
de D. Luísa de Gusmão. Foi em 1662. Na sequência destes “golpes palacianos” foi
nomeado Escrivão da Puridade A Rainha-Mãe entregou então todo o poder ao filho
(o mesmo é dizer a D. Luís de Vasconcelos e Sousa) e retirou-se para o Mosteiro
de Xabregas.
O Conde de Castelo
Melhor fez-se rodear de homens da sua inteira confiança e, a partir daí, o
destino político do país passa a estar nas suas mãos. Uma das suas principais
“batalhas políticas” foi tentar vencer os espanhóis em guerra connosco desde
1940, e que, naquele tempo, saíam reforçados para a guerra com os portugueses,
uma vez que há pouco tempo haviam celebrado a paz com França.
O poderosíssimo
exército espanhol, superiormente comandado por D. João de Áustria, invade
Portugal pelo Alentejo, cerca Évora e avança na direcção de Lisboa, por Alcácer
do Sal.
É então que se
revelam as qualidades políticas do Conde de Castelo Melhor, que graças à
heroicidade de pessoas para sempre ligadas à nossa região, como D. Sancho
Manuel ou o Conde de Ericeira, há-de vencer os espanhóis nas importantíssimas
batalhas do Ameixial (1663) e de Montes Claros (1665), pondo fim a uma luta que
se arrastava há 25 anos.
Na
próxima edição teremos oportunidade de tratar das interessantes (mas ainda
envoltas em mistério) ligações entre o nosso concelho e as guerras da
Restauração, tudo no tempo em que quem mandava no país era, nem mais nem menos,
que o 3.º Conde de Castelo Melhor, proprietário do Solar de Santiago da Guarda.