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Por Manuel Augusto Dias
SANTIAGO DA GUARDA (13)
Os Condes de Castelo Melhor (4.ª parte)
Começámos
a tratar, na última edição, de D. Luís de Vasconcelos e Sousa, 3.º Conde de
Castelo Melhor, sem dúvida, o mais importante proprietário do "Castelo de
Santiago". Prometemos para hoje, falar de algumas ligações entre as
Guerras da Restauração e a nossa região, ou de personalidades que se revelaram
naquele longo conflito e que ficaram para sempre ligadas às nossas Serras.
Comecemos
por D. Sancho Manuel, 1.º Conde de Vila Flor. Nasceu em Maçãs de D. Maria no
ano de 1607, tendo, no entanto, sido baptizado na Igreja de Nossa Senhora da
Vitória, em Lisboa. Em Portugal reinava D. Filipe III (IV de Espanha). Sancho
Manuel ter-se-á tornado um brilhante combatente nas hostes espanholas, donde
regressou em 1637, partindo para o Brasil, ainda incumbido em missão militar.
Ocorrida
a Revolução do 1.º de Dezembro de 1640, Sancho Manuel regressa a Portugal e
envolve-se, desde logo, nas Guerras contra os exércitos espanhóis, na defesa da
Pátria e do seu novo Monarca, D. João IV. Torna-se, de facto, um dos heróis da
Guerra que ensanguentou o Reino durante quase 30 anos. Durante o impiedoso
cerco que o exército espanhol fez à cidade de Elvas, Sancho Manuel, encarregado
por D. Afonso VI (ou, melhor, pelo Conde de Castelo Melhor) de organizar as
tropas que haviam de defender a província do Alentejo, de que ele havia
recebido o comando no ano de 1658, apesar dos poucos homens de que dispunha
prontos para o combate, conseguiu resistir durante três meses, o tempo
suficiente para a concentração de reforços em Estremoz. O ataque final deu-se
na madrugada de 14 de Janeiro de 1659, a batalha durou até à noite, mas os
espanhóis viram-se obrigados a bater em retirada.
Mas
não desistiram. Quatro anos mais tarde (1663) os espanhóis ocuparam a cidade de
Évora. D. Sancho voltou a entrar em acção, defrontando o inimigo, em campo
aberto, próximo do Ameixial, tendo, mais uma vez, vencido os espanhóis, e,
pouco depois, esteve também envolvido na reconquista de Évora. Assinada a Paz
com Portugal, já no tempo do Regente D. Pedro, D. Sancho Manuel foi feito 1.º
Conde de Vila Flor e ainda seria nomeado Vice-Rei do Brasil. Só não chegou a
exercer o cargo porque, entretanto, faleceu, a 3 de Fevereiro de 1677. Consta
em Maçãs de D. Maria, um dos antigos concelhos das Cinco Vilas, que uma das
suas principais ruas, aquela onde se acredita ter nascido D. Sancho Manuel,
ostentou durante muito tempo o seu nome.
Outro
dos heróis das Guerras da Restauração foi 1.º Senhor de Ansião, D. Luís de
Meneses, 3.° Conde de Ericeira. Nasceu no dia 22 de Julho de 1632, em Lisboa,
tendo casado com sua sobrinha, D. Joana Josefa de Meneses, filha e herdeira de
seu irmão D. Fernando, 2.° Conde de Ericeira.
Destacou-se
como militar valoroso em algumas das mais importantes batalhas da Guerra da
Restauração, designadamente nas Batalhas de S. Miguel (1658) e, ao lado de D.
Sancho Manuel, nas de Linhas de Elvas (1659) e, sobretudo, no comando da
artilharia nas Batalhas do Ameixial e Montes Claros. Aliás, Ansião foi elevada
à categoria de Vila, para o seu Senhorio lhe ter sido concedido como justo
prémio pelos seus notáveis valimentos militares, nas Guerras da Restauração. A
confirmá-lo existe ainda hoje em Ansião (no Fundo da Rua) o Padrão que o Senado
de Ansião fez erigir no ano de 1686, com dizeres latinos (a que já aludimos em
algumas das nossas obras já publicadas), onde se homenageia a heroicidade
bélica de D. Luís de Meneses.
Mais
tarde, notabilizar-se-ia como político, tendo sido nomeado Vedor da Fazenda de
D. Pedro II. Nessa altura, e num contexto de crise económica, pôs em prática
uma política mercantilista baseada na doutrina de Duarte Ribeiro de Macedo,
tendo, por isso, ficado conhecido como o Colbert
Português.
No campo das Letras é autor, entre outras obras, da História de Portugal Restaurado, onde relata os episódios político-militares das Guerras da Restauração, que conheceu de perto. Faleceu no dia 26 de Maio de 1690.