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Por Manuel Augusto Dias

SANTIAGO DA GUARDA (14)

Os Condes de Castelo Melhor (6.ª parte)

Depois de nos termos referido, mais desenvolvidamente, ao 3.º Conde de Castelo Melhor, D. Luís de Vasconcelos e Sousa, sem dúvida um dos mais importantes estadistas portugueses no período das Guerras da Restauração, vamos tratar hoje dos seus sucessores, igualmente proprietários do Solar de
Santiago da Guarda.
Foi 4.º Conde de Castelo Melhor (por Carta de D. João V, de 7 de Agosto de 1728), 1.º Marquês de Castelo Melhor (por Carta de D. José I, de 10 de Outubro de 1766) e 8.º Conde da Calheta, José de Vasconcelos e Sousa Caminha da Câmara Faro e Veiga, neto do 3.º Conde de Castelo Melhor, que nasceu em 1706, e foi filho primogénito de Afonso de Vasconcelos e Sousa (7.º Conde da Calheta) e de sua segunda esposa, a Princesa Pelágia Sinfrânia de Rohan. Foi Reposteiro-Mor da Casa Real, Alcaide-Mor e Donatário das Ilhas de Santa Maria e Porto Santo, da cidade do Funchal e de todos os restantes bens e senhorios das casas cuja representação acumulou na sua pessoa. O marquesado foi-lhe concedido por D. José como compensação da cessão que fez à coroa de alguns dos seus direitos. O título de 1.º Marquês de Castelo Melhor foi-lhe
confirmado por D. Maria I, através do Decreto de 21 de Junho de 1785. Em 1728, casou com D. Maria Rosa de Noronha, filha dos 2.os marqueses de Angeja, de quem teve vários filhos. O 1.º Marquês de Castelo Melhor faleceu em 1769.

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Foi 2.º Marquês de Castelo Melhor (por Decreto de 14 de Abril de 1795) e 9.º Conde da Calheta, António José de Vasconcelos e Sousa da Câmara Caminha Faro e Veiga, segundo filho do 1.º Marquês (uma vez que o primogénito morreu ainda criança). Nasceu no dia 15 de Fevereiro de 1738 e faleceu no dia 6 de
Junho de 1801. Foi Reposteiro-Mor da Casa Real, Mordomo-Mor da Rainha D. Carlota Joaquina (esposa de D. João VI), Presidente do Senado da Câmara de Lisboa, Grã-Cruz da Ordem de Cristo, Alcaide-Mor e Capitão-Mor da cidade do Funchal e da ilha de Santa Maria, por sucessão a seus pais, de quem herdou
todos os demais senhorios e vínculos. Foi casado com a filha dos 3.os Condes de Óbidos, D. Mariana de Assis Mascarenhas, de quem teve vários filhos.
Foi 3.º Marquês de Castelo Melhor (por Decreto de 17 de Fevereiro de 1802) e 10.º Conde da Calheta (desde 24 de Maio de 1793), Afonso de Vasconcelos e Sousa da Câmara Caminha Faro e Veiga, filho dos 2.os marqueses. Nasceu no dia 23 de Junho de 1783 e faleceu no dia 27 de Agosto de 1827. Herdou todos
os títulos e vínculos de seu pai, tendo sido Reposteiro-Mor da Casa Real e Par do Reino, por Carta Régia de 31 de Outubro de 1826 (embora não tenha chegado a tomar posse), Grã-Cruz das Ordens de D. Carlos III, de Espanha, de Leopoldo da Áustria, Mordomo-Mor de D. Maria Leopoldina de Áustria (1.ª Mulher de D. Pedro IV, 1.º Imperador do Brasil), tendo sido encarregado de a acompanhar na 1.ª viagem para o Rio de Janeiro. Em 1814, foi enviado como Embaixador Extraordinário a Madrid, para felicitar o regresso de D. Fernando
VII. Em 1811, casou com D. Francisca Xavier Teles da Gama, filha dos 7.os marqueses de Niza, tendo tido vários filhos.
O 1.º deles, António de Vasconcelos e Sousa Câmara Caminha Faro e Veiga foi o 4.º Marquês de Castelo Melhor (por Decreto de 8 de Setembro de 1833) e 11.º Conde da Calheta (desde 2 de Novembro de 1827). Nasceu no dia 13 de Março de 1816 e faleceu no dia 26 de Julho de 1858. Foi Reposteiro-Mor vitalício da Casa Real, Par do Reino, por sucessão a seu pai, 15.º Senhor da Calheta, 13.º Senhor de Castelo Melhor. Seguiu a carreira militar, participando nas guerras liberais, ao lado do Duque da Terceira, como seu Ajudante de Ordens. No dia 2 de Julho de 1835 casou com D. Helena Luísa Xavier de Lima, filha dos 2.os marqueses de Ponte de Lima e 16.os Viscondes de Vila Nova de Cerveira, de quem teve vários filhos.
Embora sem certezas, por falta de elementos, pensamos ter sido este o último proprietário do Solar de Santiago da Guarda. Do marquesado de Castelo Melhor houve sucessão até aos tempos actuais, mas não se tratando de proprietários do único monumento nacional do concelho (“Castelo de Santiago da Guarda”),
não vale a pena fazer a sua identificação.