Sinais de esperança
Ainda nem o Advento começou e já nos bombardeiam há semanas com propostas de despesas natalícias. Por aí se nota, também, a cada vez maior irrelevância do calendário litúrgico para o ritmo da vida social.
Do Menino Jesus e da esperança posta n'Ele, se quisermos que alguém repare, temos que nós os cristãos vivê-la e dar sinais dela. Seria ingénuo pensar que o comércio ou a comunicação social lhe dêem visibilidade que, aliás, será sempre efémera.
Que sinais? Esta época caracteriza-se também por uma maior disponibilidade interior para a atenção aos que sofrem, seja as mais variadas formas de pobreza, seja a doença ou o abandono ou a solidão. Dá-se, por isso, um pico de intensidade e variedade de iniciativas de partilha e serviço, as mais das vezes sem sequência, uma espécie de extasiamento com fogo de artifício que a rotina não deixará durar muito.
É sensato reconhecer que essa disponibilidade típica desta época tem um bom fundamento, é afinal de contas a expressão da nossa esperança instintiva que teimosamente persiste em mover-nos para os verdadeiros ideais por que todos aspiramos. Mas essa esperança natural está doente, deficiente, por aquilo a que a mensagem bíblica chama "pecado".
É por isso que nós os cristãos queremos que o fundamento da esperança seja Jesus, de maneira que, assim como para Ele a rotina foi dar-se ao Pai por nós, seja também essa a nossa rotina. A esperança não será então para nós um impulso momentâneo e fugaz mas a própria respiração.
Para alcançarmos isto é muito importante que o vivamos comunitariamente; muito mais dificilmente o alcançaremos individualmente.
Vale a pena, por isso, assumirmos nas nossas paróquias o desafio que o nosso bispo nos lança para executarmos o plano pastoral em que nos empenhamos desde há cinco anos: "Em consequência e na fidelidade ao que o Santo Padre Bento XVI afirma na sua Carta Encíclica Deus é Amor, tomamos como propósito e regra: "As comunidades cristãs deverão dedicar à pastoral do serviço aos que sofrem a mesma atenção que dedicam à catequese e à liturgia".
Se fizermos disto a nossa rotina comunitária, estaremos a dar sinal da autêntica esperança de que o Avento e o Natal são portadores.
Pe Pedro Miranda