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Por Manuel Augusto Dias
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TORRE DE VALE DE TODOS (17)
PADRE ANTÓNIO LOPES DO REGO O Padre António Lopes do Rego nasceu no lugar de Lindos, da freguesia da Torre de Vale de Todos, no dia 19 de Outubro de 1847, e faleceu no mesmo lugar, no dia 13 de Outubro de 1913, com quase 66 anos de idade, estando sepultado no Cemitério da Torre de Vale de Todos, em campa rasa. Filho de António Lopes do Rego e de Ana Emília de Santa Rita, foram seus avós paternos António Lopes do Rego e Maria Teodora de Jesus, ambos naturais do Avelar, e seus avós maternos António Magro e Maria Angelina de Santa Rita, do lugar de Lindos (Torre de Vale de Todos). O Padre Lopes do Rego esteve na Paróquia da Marinha Grande na última década do século XIX (a partir de 1889). Aí se revelou um excelente orador sagrado, um bom político, e um zeloso Pároco. |
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Quanto aos seus dotes políticos, pô-los bem em evidência, na qualidade de Presidente da Junta da Paróquia da Marinha Grande, ao aderir ao movimento restauracionista do Concelho da Marinha Grande, então ainda integrada no Concelho de Leiria, e, sobretudo, ao liderar a representação que em 10 de Setembro de 1890, foi enviada ao Ministério do Reino a solicitar a restauração do Concelho da Marinha Grande (que já o havia sido, efemeramente, no período do "Setembrismo", entre 1836 e 1838). Porém, esta luta pela emancipação administrativa só daria resultados em 1917, quando o actual Concelho da Marinha Grande foi criado, com as freguesias da sede do Concelho e de Vieira de Leiria. No tempo do Padre António Lopes do Rego, o melhor que a povoação conseguiu foi a elevação a Vila, em 1892.
Por mais de uma vez, tomou a luta dos operários como sua, e foi portador das suas justas reivindicações junto das entidades competentes e até da própria Casa Real. Comprou várias imagens para a sua Igreja Matriz, sendo a primeira a de Nossa Senhora das Dores, também denominada, nalguma bibliografia, "Nossa Senhora dos Operários", por ser a padroeira dos operários vidreiros.
Durante a sua actividade pastoral, enquanto Pároco da Marinha Grande, o ano de 1892 ficou particularmente assinalado pelas obras de alargamento do Cemitério e, sobretudo, pela recepção à família real, na Igreja Matriz, por ocasião da elevação da Marinha Grande a Vila, no dia 21 de Agosto de 1892.
Ainda antes dos 50 anos de idade, o Padre António Lopes do Rego começou a sofrer de fortes crises de reumatismo o que o obrigava a longos períodos de descanso, situação que era incompatível com a responsabilidade por uma Paróquia como era a da Marinha Grande. Certamente, por isso, tratou-se da sua transferência para uma Paróquia mais pequena, o que veio a ocorrer por despacho régio, datado de Agosto de 1901, passando então a ser Pároco da Torre de Vale de Todos, freguesia onde nasceu, e onde se manteve até à data da sua morte, no dia 13 de Outubro de 1913.
Entretanto, foi proclamada a República (a 5 de Outubro de 1910), Ansião tornou-se um centro de grande dinamismo e propaganda ao novo regime (vejam-se as nossas publicações O Município de Ansião na Primeira República - 1998, e A Republicanização no Concelho de Ansião - 1999) e o Padre António Lopes do Rego deve ter aderido ao novo regime (talvez influenciado pelo seu envolvimento na luta dos operários vidreiros da Marinha Grande, no período em que foi seu Pároco), tal como alguns dos seus parentes supracitados, pois ele foi um dos Párocos do Arciprestado de Ansião que aceitou a pensão instituída pela República (os outros Párocos deste Arciprestado que também requereram. a referida pensão foram: José Rodrigues Portela, Pároco colado de Ansião; José Maria Nunes, Pároco encomendado do Alvorge; Augusto Lourenço das Neves, Pároco encomendado do Avelar; e António Simões de Faria, Pároco encomendado da Lagarteira).
Pela imprensa do tempo, favorável aos republicanos, não se verifica a mais pequena queixa ao Padre da Torre de Vale de Todos, António Lopes do Rego. O mesmo não se verifica relativamente ao seu sucessor, Padre Joaquim de Almeida Pinto, que se sujeitou a várias críticas pelo seu comportamento avesso aos republicanos.
Já na etapa final da sua vida, o Padre Lopes do Rego, segundo as palavras de Hermínio de Freitas Nunes, «a maioria das vezes celebrava sentado, por não conseguir manter-se de pé, já completamente tolhido do reumatismo. O povo da sua Freguesia natal recorda-o ainda pela alcunha de "Padre Jacob", pelo facto de se deslocar da sua casa para a Igreja Paroquial montado num jumento».
Depois de muitos anos de doloroso sofrimento faleceu no lugar onde nasceu, no dia 13 de Outubro de 1913, tendo sido sepultado em campa rasa no Cemitério da Torre de Vale de Todos.