| O Padre Pedro Luís tomou posse no dia 1 de
Dezembro como novo pároco das freguesias de Torre de Vale de Todos e Alvorge,
substituindo nestas funções o Padre Henrique Maçarico. Natural de Chainça - Penela, o
Padre Pedro vem desempenhando, e continua a acumular, as funções de responsável
diocesano pelo pré-Seminário. É um dos padres mais novos da Diocese, revelando naturais
qualidades para trabalhar com a juventude. A entrada na paróquia de Torre de Vale de Todos realizou-se numa Eucaristia celebrada às 10H00, tendo dado posse o anterior Pároco, em virtude da ocupação pastoral a essa hora doutros responsáveis diocesanos. |
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Às 15H00 celebrou-se a Eucaristia paroquial no Alvorge, durante a qual o senhor Vigário Episcopal do Sul da Diocese lhe deu posse como pároco desta freguesia. A leitura do decreto de nomeação foi feita no início da celebração, tendo no final o novo pároco apresentado algumas linhas de acção para a sua actuação pastoral.
Durante a homilia, o representante do Sr Bispo referiu-se à nomeação do P. Pedro, observando que as paróquias não podem agarrar-se ao pároco como se fosse sua propriedade, mas as condições de hoje exigem que acumule com a responsabilidade de outras paróquias, e outros serviços pastorais, como é o caso do P. Pedro, responsável pelo Pré-Seminário e pastoral das vocações.
No final da celebração o novo pároco dirigiu-se à assembleia, fazendo referência ao sentido da celebração, bem como aos párocos antecessores. Fez ainda ligação ao trabalho que mantém na pastoral das vocações. Naturalmente não esqueceu amigos, conterrâneos, familiares e seminaristas, que o acompanharam. Quanto às disposições concretas, como linhas de acção para o seu trabalho pastoral na Torre e Alvorge, por nos parecerem importantes, apresentamo-las, com destaque, em caixa alta.
Aos microfones do Vida Nova FM, o novo pároco afirmou que esta situação é vantajosa, "por um lado, para continuar a pastoral das vocações, por outro, para ser pároco, porque assim tenho mais possibilidade de por os pré seminaristas em contacto com a vida paroquial", referiu. "Outra linha de acção vai ser a própria comunidade, em que pretendo, a seu tempo, instituir aquilo que se chama a escola dominical, em que todas as idades possam ter a sua formação cristã", continuou. "Outra preocupação vai ser com aqueles que se afastaram um pouco das celebrações e da Igreja, para que possam descobrir melhor a sua fé", disse em conclusão.
Antes de terminar, agradeceu igualmente a confiança do senhor Bispo em conceder-lhe esta missão, bem como a participação dos conterrâneos e amigos que o acompanharam. Estiveram presentes também vários sacerdotes da região, pré-seminaristas, membros das comunidades de Penela, além da população da freguesia.
Seguiu-se um convívio, participado com a presença do novo e anterior párocos, outros colegas, entidades locais, população residente e convidados. A chuva abundante da tarde daquele domingo não foi impedimento para uma participação numerosa e alegre convívio.
Em tempo de tantas dificuldades para o aparecimento de vocações consagradas, em particular ao sacerdócio, e obtenção de novos párocos, as paróquias da Torre e Alvorge bem podem, e devem, erguer as mão0s para Deus em agradecimento pelo dom que lhes foi concedido no dia 1 de Dezembro.
A. D.
Marinha Grande unida a Torre de Vale de Todos
Foi inaugurado o núcleo museulógico
P. Lopes do Rego
Preservar e patentear a riqueza da arte sacra, em grande parte adquirida pelo P. António Lopes do Rego foi o motivo que levou à inauguração do núcleo museológico da Paróquia da Marinha Grande, que recebeu o nome do P. Lopes do Rego, seu antigo prior, natural de Lindos - Torre de Vale de Todos. O nosso jornal tinha já "levantado o véu" na sua edição de Setembro último, que teve no passado dia 5 de Outubro o acto inaugural, na igreja paroquial da capital do vidro. |
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Presentes, além dos responsáveis autárquicos e da paróquia local, uma delegação autárquica da Torre de Vale de Todos, o Bispo de Leiria - Fátima e o Vigário Geral, membros da família Lopes do Rego, residentes na região de Lisboa, o pároco de Santiago da Guarda em representação dos sacerdotes do arciprestado de Ansião.
Antes da abertura oficial do pequeno museu, presidida por D. Serafim Ferreira e Silva, teve lugar uma conferência, proferida pelo principal animador deste evento, Sr. Herminio Nunes. Por nos parecer de grande importância, inclusive porque revela traços da personalidade de um ilustre sacerdote desta terra, fazemos um breve resumo desta palestra e que partilhamos com os nossos leitores, foi o trabalho de síntese que pedimos ao nosso colaborador, perito no mundo da História, Dr. Manuel Augusto Dias, a quem agradecemos o resumo do trabalho de Hermínio Nunes.
PADRE ANTÓNIO LOPES DO REGO
O Padre António Lopes do Rego nasceu no lugar de Lindos, da freguesia da Torre de Vale de Todos, no dia 19 de Outubro de 1847, e faleceu no mesmo lugar, no dia 13 de Outubro de 1913, com quase 66 anos de idade, estando sepultado no Cemitério da Torre de Vale de Todos, em campa rasa. Filho de António Lopes do Rego e de Ana Emília de Santa Rita, foram seus avós paternos António Lopes do Rego e Maria Teodora de Jesus, ambos naturais do Avelar, e seus avós maternos António Magro e Maria Angelina de Santa Rita, do lugar de Lindos (Torre de Vale de Todos). No concelho de Ansião, e particularmente nas antigas Cinco Vilas, as famílias Lopes do Rego e Rego foram, ao longo dos séculos XIX e XX, das mais prestigiadas. A título de exemplo, e apenas com base em algumas das nossas anteriores investigações e publicações, indicamos, a seguir, uma dúzia de nomes que, muito provavelmente, têm relações de parentesco com o Padre António Lopes do Rego, e muitos deles são mesmo seus contemporâneos: |
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António Lopes do Rego foi Sargento-Mor das antigas Ordenanças da Comarca das Cinco Vilas e Cavaleiro da Ordem de Cristo; os Padres Francisco e Manuel Lopes do Rego (Párocos de Chão de Couce) foram irmãos do supracitado Cavaleiro da Ordem de Cristo António Lopes do Rego; Francisco Lopes do Rego (Capitão) foi sobrinho do Cavaleiro da Ordem de Cristo, António Lopes do Rego, e este deixou-lhe o usufruto da Quinta de Cima; Dr. João Lopes da Costa Rego foi advogado e recebeu a propriedade da Quinta de Cima de seu tio-avô António Lopes do Rego e exerceu, por mais de uma vez, o cargo de Presidente da Câmara de Ansião; Dr. Augusto Lopes da Costa Rego foi médico e o 1.º Administrador do Hospital do Avelar; Dr. Alberto Simões da Costa Rego foi sobrinho dos anteriores Drs. João e Augusto Lopes da Costa Rego, herdou do 1.º a propriedade da Quinta de Cima e aí recebeu as figuras mais gradas (a nível nacional) da música, da medicina, da política, da literatura, da poesia e da pintura; Maria Elvira de Castro e Rego, prima e esposa do Dr. Alberto Simões da Costa Rego, revelou-se uma profunda admiradora de arte e de música de que também foi uma excelente executante; Dr. Adriano Augusto de Barros e Rego primo e contemporâneo dos anteriores, foi médico e, depois do casamento, passou a viver em Ansião, tendo exercido, por mais de uma vez, já no período do Estado Novo, o cargo de Presidente da Câmara de Ansião; Abílio Lopes do Rego foi um importante colonialista, empresário e benemérito, tendo fundado e dirigido o famoso diário de Luanda "A Província de Angola"; José Augusto Lopes do Rego nasceu em Chão de Couce, em 1872, e aí faleceu em 1955, foi farmacêutico prestigiado em Chão de Couce (Farmácia Rego), foi Administrador do Concelho de Ansião, Vice-Presidente da Câmara e Presidente da Junta de Freguesia de Chão de Couce; Padre Higino Lopes do Rego foi Pároco do Avelar e, por volta de 1908, tornou-se Pároco da freguesia da Aguda.
Mas, voltando à vida do Padre António Lopes do Rego pouco se conhece do seu percurso enquanto estudante de Teologia e até dos primeiros anos de sacerdócio. O que se sabe, de acordo com Hermínio de Freitas Nunes, é que o Padre Lopes do Rego esteve na Paróquia da Marinha Grande na última década do século XIX (a partir de 1889). Aí se revelou um excelente orador sagrado, um bom político, e um zeloso Pároco.
Relativamente às suas qualidades oratórias, refere José Ferreira Custódio, aludindo ao seu primeiro sermão, em finais de Setembro de 1889, na Festa do Senhor Jesus dos Aflitos, na Capela do Cemitério local, o seguinte: «É a primeira vez que temos o gosto de ouvir sua excelência, deixando maravilhado o auditório que religiosamente escutava a sua palavra eloquente».
Quanto aos seus dotes políticos, pô-los bem em evidência, na qualidade de Presidente da Junta da Paróquia da Marinha Grande, ao aderir ao movimento restauracionista do Concelho da Marinha Grande, então ainda integrada no Concelho de Leiria, e, sobretudo, ao liderar a representação que em 10 de Setembro de 1890, foi enviada ao Ministério do Reino a solicitar a restauração do Concelho da Marinha Grande (que já o havia sido, efemeramente, no período do "Setembrismo", entre 1836 e 1838). Porém, esta luta pela emancipação administrativa só daria resultados em 1917, quando o actual Concelho da Marinha Grande foi criado, com as freguesias da sede do Concelho e de Vieira de Leiria. No tempo do Padre António Lopes do Rego, o melhor que a povoação conseguiu foi a elevação a Vila, em 1892.
O Padre António Lopes do Rego, conforme nos informa Hermínio de Freitas Nunes, chegou à Marinha Grande quando a povoação atravessava um período de franco progresso económico, associado à paz laboral dos operários vidreiros e à intensa exploração de madeira para satisfazer a necessidade dos caminhos-de-ferro em expansão. Os Párocos anteriores, Faustino José Jacinto Ferreira e Francisco Homem da Nave Valente souberam aproveitar bem a conjuntura económico-social favorável, para valorizarem o património paroquial, remodelando e ampliando a Residência Paroquial aquele, encetando grandes obras na Igreja Paroquial este último.
O Padre Lopes do Rego soube dar a melhor sequência a esta onda de dinamismo, garantindo, em primeiro lugar, o pagamento das dívidas que herdou das obras na Igreja, ao granjear a confiança e simpatia dos operários da Real Fábrica dos Vidros. Por mais de uma vez, tomou a luta dos operários como sua, e foi portador das suas justas reivindicações junto das entidades competentes e até da própria Casa Real. Pagas as dívidas da Igreja, e garantida a tranquilidade social, o novo Pároco tratou de embelezar o interior da Igreja Matriz, enriquecendo notavelmente o seu património iconográfico, com a compra de cinco Imagens (Nossa Senhora das Dores, S. José, Senhor dos Passos, Sagrado Coração de Jesus e Santo António), a um conhecido escultor do Porto.
A primeira Imagem comprada pelo Padre António Lopes do Rego, foi a de Nossa Senhora das Dores, também denominada, nalguma bibliografia, "Nossa Senhora dos Operários", por ser a padroeira dos operários vidreiros, e destinou-se a uma das duas novas Capelas laterais da Matriz da Marinha Grande (a Igreja Matriz, ou Igreja da Senhora do Rosário, de uma só nave, depois das obras já referidas, tinha, além do Altar-Mor mais quatro Altares, dois na frente do Corpo da Igreja, e os outros dois laterais. Adornada com cinco tipos de pedras preciosas (rubis, zircões, turmalinas, quartzos-rosa e turquesas), a nova Imagem terá sido adquirida ao escultor portuense Celestino José de Queiroz, em 1890, tendo custado, juntamente com o novo Altar, 547$000 réis. O jornal Autonomia, na sua edição de 2 de Fevereiro de 1890, descreve-a assim: «Esplêndida diremos e quase nos atrevemos a asseverar que seria impossível traduzir melhor, em uma imagem, tão perfeito sentimento da ideia que representa. / A expressão de dor revela-se não só no rosto, macerado por um intensíssimo sofrimento, no olhar velado pelas lágrimas a que o artista imprimiu uma tal naturalidade que chega a parecer-nos que elas são reais, como também na atitude da imagem, na maneira como tem as mãos comprimidas ao peito como que expressando num grito de suprema angustia, a sua imensíssima dor pelo sacrifício d'O Filho».
Ainda no mesmo ano de 1890, o Padre António Lopes do Rego, adquire ao mesmo escultor uma Imagem de S. José. O mesmo jornal (Autonomia) volta a elogiar o artista e a obra: «admirável escultura do artista portuense o sr. Celestino José de Queiróz que lhe faz honra pela execução, pelo bem acabado do trabalho e sobretudo pela magnífica expressão e naturalidade dos mais finos traços, pela beleza da pintura e pela aparência de simpatia, bondade e devoção que produz» (edição de 30 de Novembro de 1890).
Já no ano seguinte, o zeloso Pároco haveria de ver chegar do Porto, a mais imponente de todas as Imagens: o Senhor dos Passos, da autoria de Celestino Queiroz e Diogo Sampaio. Para a sua descrição o jornal Autonomia (edição de 22 de Fevereiro de 1891) socorre-se do diário portuense A Palavra que transcreve. Dessa transcrição, citamos o seguinte excerto: «É de tamanho natural a Imagem, que se encontra na acção de uma das quedas d'O Redentor, quando, com a pesada cruz aos ombros, caminhava lentamente para o lugar do suplício, no monte Golgota, demonstrando em seu rosto a serenidade evangélica com que conduzia o pesado madeiro, procurando com a mão direita apoiar a queda, enquanto que com a esquerda sustenta a cruz. (...) são tão correctas as extremidades anatómicas, e definidas as linhas gerais que se destacam ao longo do corpo, distinguindo-se a pintura pelo seu estilo realista com um belíssimo tom de colorido, assim como pela naturalidade do sangue, que bem pode dizer-se, nada haver escapado aos dois artistas, ainda mesmo nas coisas mais superficiais concernentes à Imagem».
Em 1892 nova imagem foi adquirida pelo Padre António Lopes do Rego para a Igreja Matriz da Marinha Grande - o Sagrado Coração de Jesus. O autor foi o mesmo Celestino José de Queiroz, e o jornal Autonomia volta a elogiar a sua obra: «A imagem é um modelo primoroso de escultura. A expressão de bondade, de sofrimento e resignação evangélica revelam-se-lhe tão perfeitamente no rosto que mais parece ser animado. Depois, o bem delineado das nesgas, dos nervos e das veias até às mais ténues, denotam um aturado e consciencioso estudo do seu autor, na estrutura do corpo humano».
Em meados do ano 1893 chega à Marinha Grande a última Imagem comprada pelo Padre António Lopes do Rego - o Santo António. O Jornal de Notícias refere-se, assim, ao novo trabalho do escultor Celestino José de Queiroz: «No atelier do sr. Joaquim Teixeira da Silva, à rua de Santo António, está exposta uma primorosa Imagem do taumaturgo português, tendo ao colo e com a cabeça pousada sobre o ombro, um lindo Menino Jesus na posição de dormir. na mão esquerda segura uma cruz».
Durante a sua actividade pastoral, enquanto Pároco da Marinha Grande, o ano de 1892 ficou particularmente assinalado pelas obras de alargamento do Cemitério e, sobretudo, pela recepção à família real.
A ampliação do Cemitério para Sul, segundo revela Hermínio de Freitas Nunes, era «uma luta que o Padre Rego travava com a burocracia camarária de Leiria desde a sua chegada à Paróquia», provavelmente pela necessidade de espaço para os enterramentos, já que a povoação deveria ter crescido nas décadas anteriores, em resultado do desenvolvimento económico que se verificara.
A recepção ao Rei D. Carlos, à Rainha D. Amélia e ao Príncipe D. Afonso terá ocorrido na Igreja Matriz, por ocasião da elevação da Marinha Grande a Vila, no dia 21 de Agosto de 1892. Nesse dia o Padre António Lopes do Rego celebrou uma Missa Solene, que foi presidida pelo Bispo de Coimbra (nessa altura não existia a Diocese de Leiria), D. Manuel Correia de Bastos Pina. Na parte da tarde desse mesmo dia, perante o Rei, sentado num trono improvisado numa das salas do palacete da Real Fábrica de Vidros, o Padre Lopes do Rego discursou, pedindo-lhe que tomasse as medidas necessárias para evitar a paralisação da fábrica de vidros, com as nefastas consequências para os operários.
Em 1895, segundo informa o estudioso Hermínio de Freitas Nunes, o nosso conterrâneo, Padre António Lopes do Rego, voltou a contribuir para o enriquecimento da Paróquia em arte sacra, com a aquisição de uma Cruz Processional em prata lavrada (com um peso de 3,6 kg), que encomendou na oficina de ourivesaria de José Rodrigues Teixeira & Filhos, na cidade do Porto. Essa importante jóia do Tesouro da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário da Marinha Grande destinou-se à consagração do dia 19 de Março à memória de S. José. Esta preciosidade e outras fazem parte do núcleo museológico, cujo patrono é precisamente o Padre António Lopes do Rego, que foi inaugurado no passado mês de Outubro, na Marinha Grande, por ocasião das festividades de Nossa Senhora do Rosário 2002, e em que foi homenageado este ilustre sacerdote ansianense, cuja biografia foi apresentada por Hermínio de Freitas Nunes.
Ainda antes dos 50 anos de idade, o Padre António Lopes do Rego começou a sofrer de fortes crises de reumatismo o que o obrigava a longos períodos de descanso, situação que era incompatível com a responsabilidade por uma Paróquia como era a da Marinha Grande. Certamente, por isso, tratou-se da sua transferência para uma Paróquia mais pequena, o que veio a ocorrer por despacho régio, datado de Agosto de 1901, passando então a ser Pároco da Torre de Vale de Todos, freguesia onde nasceu, e onde se manteve até à data da sua morte, no dia 13 de Outubro de 1913.
Entretanto, foi proclamada a República (a 5 de Outubro de 1910), Ansião tornou-se um centro de grande dinamismo e propaganda ao novo regime (vejam-se as nossas publicações O Município de Ansião na Primeira República - 1998, e A Republicanização no Concelho de Ansião - 1999) e o Padre António Lopes do Rego deve ter aderido ao novo regime (talvez influenciado pelo seu envolvimento na luta dos operários vidreiros da Marinha Grande, no período em que foi seu Pároco), tal como alguns dos seus parentes supracitados, pois ele foi um dos Párocos do Arciprestado de Ansião que aceitou a pensão instituída pela República (os outros Párocos deste Arciprestado que também requereram. a referida pensão foram: José Rodrigues Portela, Pároco colado de Ansião; José Maria Nunes, Pároco encomendado do Alvorge; Augusto Lourenço das Neves, Pároco encomendado do Avelar; e António Simões de Faria, Pároco encomendado da Lagarteira).
Pela imprensa do tempo, favorável aos republicanos, não se verifica a mais pequena queixa ao Padre da Torre de Vale de Todos, António Lopes do Rego. O mesmo não se verifica relativamente ao seu sucessor, Padre Joaquim de Almeida Pinto, que se sujeitou a várias críticas pelo seu comportamento avesso aos republicanos.
Já na etapa final da sua vida, o Padre Lopes do Rego, segundo as palavras de Hermínio de Freitas Nunes, «a maioria das vezes celebrava sentado, por não conseguir manter-se de pé, já completamente tolhido do reumatismo. O povo da sua Freguesia natal recorda-o ainda pela alcunha de Padre Jacob, pelo facto de se deslocar da sua casa para a Igreja Paroquial montado num jumento».
Depois de muitos anos de doloroso sofrimento faleceu no lugar onde nasceu, no dia 13 de Outubro de 1913, tendo sido sepultado em campa rasa no Cemitério da Torre de Vale de Todos.
M.A.D.